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26.4.14

                                          Candelária

                                          Bancários

Em O Engenheiro, João Cabral de Melo Neto compara a cidade a um jornal. Fiquei com esse poema na cabeça desde que o conheci, coisa de um ano atrás. Esse trecho em especial, talvez porque previa que não tardaria e a minha "cidade diária" seria outra.

Não tem um dia em que eu não pare alguns minutos para espiar a rua, seja através de janelas ou da varanda. A rua e seus infinitos e imprevisíveis enredos, protagonizados pelos personagens que passam, a pé, de carro, com cachorro - ou, como eu, espiam.

Sim, porque por mais que eu goste de vistas, de profundidade de campo, a rua não teria graça nenhuma sem pessoas.

Assim, o jornal que João Pessoa me entregava era o de um bairro em crescimento. Todo dia um prédio começa a surgir. De dois ou três andares, quase sem exceção. Mas nem todos residenciais: ali a nova igreja católica, um pouco mais longe um novo shopping. Bairro "familiar" o Bancários. Você põe o pé fora de casa e ainda vê pessoas! Tomando uma no bar, levando o filho na escola. Gente, vida. A minha (família), continua ali.

O jornal da Candelária, aqui em Natown, me diz coisas diferentes. Os prédios têm bem mais de três andares e em vez de igreja, a nova arena da Copa dá as caras no horizonte. A impressão é a de um entorno mais desenvolvido, "acabado", não há tantos terrenos baldios. Mas também não há tanta gente na rua. Não chega nem perto da vibração do Bancários. Se for pra comprar com um bairro pessoense, diria que Candelária se assemelha a Miramar. Não chego, porém, a mirar o mar, mas um pedacinho do Parque das Dunas. Melhor que nada.

Mudar foi uma decisão difícil. Mas pesou a ideia de que, em se tendo opção, por que não variar o cardápio informativo? Sem falar que, como diz Cátia de França (que aliás já musicou João Cabral), é da natureza recomeçar.

14.6.12

Fui pesquisar no Google "Como agir em caso de ataque zumbi" e enquanto digitava apareceu como sugestão "Como agir na primeira vez".

Por aí vocês tiram o que anda na cabeça dessa galerinha.

Post Scriptum: Saber o motivo de eu pesquisar sobre ameaças zumbis não vem ao caso.

18.8.11

Dei o sangue

Todo mundo é meio Poliana quando se fala em doar sangue, até porque é uma coisa importante e tem que incentivar mesmo, e não assustar, mas como eu sou do contra...

Não vou fazer campanha contra, óbvio, só falar um pouco da parte chata, que não é nada muito grave mas, como é tabu, é bom falar até mesmo porque vai que alguém "da área" cai de para-quedas aqui e o que eu vou dizer possa melhorar o atendimento ao doador e, consequentemente, estimular doações.

O problema mais óbvio é o tratamento durante a entrevista inicial, com um médico, que eles chamam de triagem. Além de te picar com uma agulhinha pra saber se você é sangue bom e de te pesar, rolam altas perguntas constrangedoras que são feitas mecanicamente, sem nenhum tato, o que certamente não é fácil para timídos e doadores iniciantes. Em todas as vezes que eu doei/tentei doar os médicos demonstraram, no mínimo, impaciência.

Outra coisa que observo são enfermeiras manuseando as agulhas e outros instrumentos, fazendo tudo enfim, sem luvas. Cadê a preocupação com infecção hospitalar? Eu pelo menos fico inseguro, e olhe que tô longe de ser hipocondríaco (noiado talvez).

Por falar em mim, hoje pela primeira vez fiz doação por aférese, que separa só um componente do sangue (no meu caso, plaquetas) e o resto é devolvido pro seu corpo. Por isso tu leva duas picadas, uma em cada braço, e o processo dura cerca de oito vezes mais que uma doação comum. Vocês não imaginam como é cansativo ficar mais de uma hora apertando uma bolinha de borracha pra bombear o sangue. Além disso, cheguei a ficar levemente tonto. Quem diz que doar (especialmente por aférese) é 100% tranquilo está mentindo. Por uma boa causa, mas tá.

Mas além de fazer uma boa ação e aquela coisa toda que vocês já sabem, doar sangue tem a vantagem , por exemplo, de você descobrir se tem Aids. :)

Quem quiser conhecer a história do Felipe, que me motivou a essa doação, e o Doe Sangue PB, taqui.

6.5.11

Robôs x humanos no telemarketing: quem ganha?

Há décadas, talvez séculos, a inteligência artificial aguça o imaginário, seja assustando ou gerando curiosidade e palpites. "É possível um robô superar o homem?" "A tecnologia vai nos eliminar?" Etc.

O computador que ganhou de Kasparov e Matrix eram o que me vinha à cabeça de imediato ao lembrar do tema. Agora tem também um episódio que aconteceu comigo esses dias, ao atender o celular. Era uma mocinha do telemarketing da Abril.

Antes, quero perguntar: já usaram o atendimento por telefone da Oi? Bem, você praticamente não fala com ninguém, nem tecla nada, é tudo no reconhecimento de voz. E é eficiente!

Já a Abril... Bem, estou aguardando um relógio de brinde dos putos desde setembro, quando renovei a Piauí, até agora. A mocinha liga e eu penso que é pra tratar do bendito, mas não, era pra me convencer a renovar a Info.

Depois de algumas negativas, ela pergunta, (mal?) treinada, por que eu não queria permanecer assinante. Expliquei que minha rotina já não me permitia dar conta mais de acompanhar nem uma revista mensal, avalie três. Veja bem: estava claro que o motivo tinha a ver com tempo, não com dinheiro, mesmo assim ela me sai com:

- Perfeitamente, senhor. Justamente por isso a Editora Abril está lhe dando uma oportunidade ainda mais em conta. Por apenas 10 parcelas de ...

É preocupante, engraçado e, ao mesmo tempo, e principalmente, cruel concluir que o robô da Oi não seria tão estúpido.

16.9.10

Domingo passado entrei no campo de um estádio pela primeira vez. O SunRock Festival me proporcionou subir os mesmos degraus que levam os jogadores ao gramado e até sentar no banco de reservas eu sentei (aliás, um festival de rock dentro de um estádio em João Pessoa? Eu tava lá mas ainda acho a coisa surreal... Enfim).

Bem, ter o mesmo ponto de vista dos jogadores é um negócio massa. Impossível não imaginar a torcida ali, cantando o hino do clube, gritando seu nome ou te xingando. E, de dentro, a distância entre o campo e a arquibancada parece bem menor. Dá pra ter a ideia da responsa que é jogar com um mundo de gente ao redor de você, para o bem e para o mal. Explicando melhor: visualize o que é se concentrar com 40 mil pessoas te vaiando. Ou, a instiga de disputar um jogo com esse mesmo coro gritando olé...



O.K. encerro aqui a divagação ludopédica do post. Vamos à "sociológica" (sim, porque de música não entendo bulhufas, só sei que Matanza, principalmente, e Sepultura estiveram ótimas e dizem que o som tava ruim na apresentação do Angra. Pra mim tanto faz, já que aproveitei aquela bosta pra descansar).

Eu esperava um pouco mais de gente. Li no Paraiba1 que no sábado deu 18 mil pessoas pra Scorpions e Cia. No domingo não divulgaram. Mas a matéria diz que a produção pretende uma nova edição ano que vem. Tomara.

Entre os que foram, 99% nunca vi na vida. Deu pra identificar indivíduos de Recife, Campina Grande, Sousa e até torcedores do Botafogo da Paraíba. Foi divertido ver headbangers sincronizados e air guitars brotando a todo instante, por todo lado. Bem como fãs que despertavam (literalmente) e corriam (literalmente) pra perto do palco quando escutavam os primeiros acordes de algum hit (como um cover da pernambucana Terra Prima de Enter Sandman).

Quanto a mim, constatei, polgando, que meu preparo físico tá uma merda depois que tive que interromper as atividades físicas. Pelo menos saí intacto. Ao final do Sepultura (e do festival), conhecidos e recém-conhecidos mostravam narizes e joelhos sequelados. Se não tenho o mesmo fôlego dos mais jovens, pelo menos aprendi que se polga protegendo o rosto com os cotovelos e com as pernas nunca muito próximas pra não desequilibrar.

Não saí machucado mas acertei, sem querer, um murro numa menina. Já tava preparando o pedido de desculpas, quando notei que ela seguiu normalmente na roda, como se nada tivesse acontecido. E, na verdade, não aconteceu mesmo. Tr00.

4.8.10

(auto)escola da vida

Ontem reprovei pela segunda vez na prova do Detran. O capítulo mais recente da novela que já dura 6 meses e 600 reais.

Mas vamos voltar um pouco. Durante as aulas práticas, achei a coisa toda de dirigir muito complicada, chata, estressante. Desânimo total. A sensação era de que, dirigir, só se for o jeito. Também não gostei do instrutor, que, apesar de mineiro, é impaciente. Paciente fui eu que não o "demiti". Enfim. Mas nunca pensei em desistir de tirar a carteira. Paguei, né?

Penando, consegui aprender a fazer meia-embreagem, baliza e garagem. Na pista de treino da autoescola era menos ruim que no trânsito, já que não havia... trânsito, a não ser de outros carros da própria autoescola, e o instrutor aporrinhava menos.

Na hora da prova, eu, Mr. Freeze, tremi. Deixei o carro morrer e bati na baliza, de ré, coisa que não havia feito nem durante as aulas...

Porém, de umas cinco ou seis pessoas que pude acompanhar fazendo a prova no mesmo dia, só um cara conseguiu passar, e era a segunda vez dele. Menos mal, pensei...

Aí vou pro reteste mais confiante. Antes, o instrutor deixou que eu praticasse um pouco sem precisar pagar outra aula, mesmo assim ainda reclamou que demorei muito e não explicou direito o que eu estava fazendo de errado, o puto.

Estava bem mais calmo que da outra vez. Não deixei o carro morrer, mas em compensação trombei com a baliza de frente, tentando alinhar o carro. Bizarro.

Porém observei algumas coisas.

1. Curva da morte - Nas minhas duas tentativas, me mandaram pra mesma baliza, que todos apelidam de "da morte". Eu não entendia por quê, até constatar que ela é a única em que a gente precisa fazer uma curva antes. Nas outras, você segue reto e basta alinhar. E isso parece besteira para motoristas experientes, mas é um fator de dificuldade extra, por precisar fazer a curva e ao mesmo tempo ir deixando o carro no ponto de fazer a baliza, e ainda por cima num espaço duas vezes mais estreito ao que nos acostumamos na pista da autoescola...

2. Bater na baliza não mata, ensina a viver - O que vocês despeitados veem como fracasso eu vejo como um alerta. A forma como bati naquela baliza ontem é prova de, mais do que imperícia, imprudência e desatenção absurdas. Absurdo seria permitir que alguém saísse dirigindo assim por aí. Agi como alguém que confunde solução pra lente de contato com colírio e só vai descobrir a confusão depois que o olho tá ardendo. Neste caso, você aprende a sempre ler o rótulo antes, mas no trânsito, pode ser bem mais traumático. Em outras palavras, melhor bater na baliza do que no para-choque de alguém, né? Melhor e mais barato. Apesar de setenta contos não serem desprezíveis.

Bom, rumo à terceira tentativa. Setembro é logo ali. Independência ou ônibus.