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1.2.16



Um erro muito comum é achar que quem pensa diferente de você, por si só, é burra, e o o oposto também: acreditar que estar ao seu lado ideologicamente é atestado de Q.I. Ora, o que mais tem por aí é gente reproduzindo o pensamento mainstream para parecer cool, incapaz de pensar com os próprios miolos.

Este PREÊMBULO pra dizer que, sim: existe vida inteligente na direita. E bem intencionada, também. Mas o que fica difícil, praticamente impossível, é defender quem defende Bolsonaro. Aí já é forçar a amizade. Por quê? Bolsonaro não apresenta (tampouco representa) ideias. Toda sua conduta, sua persona política gira em torno de performances. Basta pegar como parâmetro sua (não) atuação parlamentar. O homem tem mais anos de mandato do que eu de idade (cof! cof!) e ainda assim não aprova nada! (Pensando bem, ainda bem, né?)

Assim, quem gosta de Bolsonaro não está interessado em ideias, pois não as tem. Apenas se deixam seduzir por suas bravatas preconceituosas e baseadas, infelizmente, no senso comum. Sim, porque não é de se admirar que, num país onde há tantos programas policiais sensacionalistas bem sucedidos, com apresentadores que copiam mutuamente as performances e "argumentos" rasos e que ferem os direitos humanos, alguém como Bolsonaro atraia seguidores. E, nessa terra de ninguém que é a web, é natural - mais uma vez, infelizmente - que sua fama seja catapultada. A internet, para o bem e para o mal, é indomável.

Pois Bolsonaro é isso. Alguém com vocação para Datena e que, por acidente, trilhou outro caminho, mais perigoso: a política. E ele não está sozinho. Ele representa - sim - boa parte da população.



14.1.15

O Pasquim era foda



Ziraldo vai à casa de Wolinski conversar com ele e o chama de burguês - ofensa equivalente a chamar de filho da puta em 1975 - e este o alfineta de volta. Isso que era entrevista, hoje só tem armazém de secos e molhados.



Ziraldo: Você é essencialmente um desenhista de contestação. Como é que você concilia isso com sua vida extremamente burguesa que eu percebo aqui em sua casa? A ideia que eu tinha de você é que você era um malucão, entende? Um cara largadão. Sim, porque vocês fazem um humor violentíssimo. Não deixam pedra sobre pedra.

Wolinski: Não é verdade. Possivelmente você não lê sempre e com profundidade o Charlie Hebdo.

Ziraldo: Vai falando que eu estou ouvindo. Vai ver, o negócio é mais ou menos por aí mesmo. Ou será que não é?

http://www.memoriaviva.com.br/arquivos/pasquim298_wolinski_marco1975.pdf



13.9.12

Ana de Hollanda mal pisou em Brasília e já foi alvo de polêmicas (a primeira, e mais famosa, foi a questão Creative Commons), mas permaneceu firme no cargo. Daí ela resolve reclamar que o orçamento da cultura é baixo e é demitida.

É como se um filho aprontasse todas e os pais passassem a mão na cabeça dele. Até que ele resolve pedir um aumento de mesada e é expulso de casa.

27.8.12

entrepromessas

Quedo-me c'uma dúvida
Quiçá seja de mais gente
Não sei se vou ser feliz
Ou se vou seguir em frente

6.1.12

Leia a declaração, veja o vídeo e tire suas conclusões

Agra é disparado a melhor opção entre os que podem governar a cidade, mas isso não impede de ele fazer/falar uma cagada aqui e ali. A mais recente:

- Eu já havia decidido acabar com os camarotes. Aquele espaço tem o objetivo de proteger o palco em shows com mais de 100 mil pessoas e para receber convidados como Dalmo Dalari que tem 80 anos e o senador Eduardo Suplicy. 


Leia a matéria completa aqui.


O prefeito acha que que um show de Rita Lee em João Pessoa pode ser mais perigoso do que um de Racionais em São Paulo?




Provincianismo é uma merda.

20.11.11

A (falta de) Educação na "Carta Cidadã"

A Constituição de 1988 é um bom reflexo da forma como a Educação e a Cultura são encarados pelo Estado e pela sociedade.

Ambas estão concentradas no Capítulo III: "Da Educação, da Cultura e do Desporto". A Seção I, "Da Educação", tem incisos que aproximam a dita Carta Cidadã de uma peça de ficção, tamanha a carência de objetividade. Exemplos:

(Art. 206) VII - garantia de padrão de qualidade;

(Art 208) V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;

Outros pontos são contraditórios e polêmicos, em relação ao financiamento. A união deve gastar na educação 18% do que arrecada, enquanto os estados e municípios, 25%. O problema é que o artigo 212 fala em "manutenção e desenvolvimento do ensino". Ou seja, por exemplo, a merenda fica de fora. Só que o inciso VII do artigo 208 diz que é dever do Estado assegurar "atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde".

E de onde viriam os recursos?

O § 4o do artigo 212 não é claro: "Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde [...] serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários".


Assim, um prefeito pode alegar que dos 25% que arrecadou não sobrou para comprar merenda, nem tinha "contribuições sociais" suficientes, e aí? No mínimo, enrolado.

O § 1o do artigo 213, por sua vez, deixa margem para "malversação do dinheiro público", ao permitir que recursos públicos possam ser empregados em "bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares na rede pública na localidade de residência do educando, ficando o o poder público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade".

Não sei se é fácil "demonstrar insuficiência de recursos" ou comprovar falta de vaga perto da residência, o que sei é que o que tem de apadrinhado de prefeito do interior pegando carona na lei pra estudar às nossas custas em escola particular é uma festa. Depois não tem merenda, ou tem mas é ruim, e ninguém sabe por quê.

Com relação à Cultura a situação é pior. São dois míseros artigos a integrar a Seção II do Capítulo III. A Cultura ocupa meia página da Constituição brasileira.

E, diferentemente da Educação, não há percentual obrigatório de investimento estatal, apenas: "É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomento à cultura até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, para o financiamento de programas e projetos culturais[...]" (Art.216, § 6o). Ou seja, 0,5% do que os estados arrecadam, opcionais.

Para a Ciência e Tecnologia (Cap. IV), o mesmo tratamento: "É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica." (Art.218, § 5o).











6.11.10

Muita gente tem exaltado o fato de Dilma ser "a primeira mulher presidente do Brasil". Tenho duas coisas a dizer sobre isso.

1) Pra mim o fato de ela ser mulher não fede nem cheira. As pessoas que votaram nela por ela ser mulher comemorariam, por exemplo, se nossa governante eleita fosse Roseana Sarney? Uma mulher, simplesmente por ser mluher, vai defender bandeiras femininas, vai "olhar mais pelo povo", esse tipo de coisa? Não. Claro que o sexo pode até pesar em uma coisa ou outra, mas dissociado de um projeto, uma biografia etc., não significa muito.

2) Essa mesma galera reclama de a porcentagem de mulheres eleitas tanto pra cargos executivos quanto legislativos não ter aumentado (e parece até que deu uma diminuída nestas eleições). Bem, e qual a porcentagem mulher/homem entre os candidatos em geral? Observo que não divulgam muito e duvido que seja diferente. Se menos mulher se candidata, menos mulher é eleita. Não vejo discriminação. Não vejo mais mulher governando em regiões mais ricas do que nas mais pobres, e por aí vai. O resto é factóide. :P

Continuação do "2": A explicação, pra mim, é simples, talvez simplória, talvez sexista... O fato é que me parece haver um interesse maior pela política (strictu e lato sensu) por parte de quem tem colhões. Pegue qualquer chapa de CA ou de DCE e vejam a proporção. Se em micro-campanhas os homens já são maioria, por que lá em cima seria diferente? Enquanto os marmanjos vão atrás de voto as mulheres estão fazendo outras coisas - não, não vou falar "lavando roupa ou cozinhando"... -, algumas delas, de muito mais futuro do que a política eleitoral-partidária. Tem muita mulher fazendo coisa massa em ONGs, movimentos sociais e por aí vai, pegando no pesado enquanto os homens (não quero generalizar) tendem a gostar dos holofotes, discursar, esse tipo de coisa.

É isso. Não tenho muito argumento. Me ajudem aí.

1.11.10

Carnaval fora de época

Circunstâncias fizeram com que eu deixasse pra votar no final da tarde, só que exagerei e tive que literalmente correr pra chegar à urna eletrônica no fim do arco-íris, mas pode chamar também de Escola Padre Dehon, na Torre.



Ao contrário do primeiro turno e como era esperado, não tinha fila e o cara que ia votar antes de mim descobriu que já tinham votado por ele. Solução? Ele votou (e assinou) pela pessoa que, supostamente, por distração sua e/ou dos mesários, votou no seu lugar... Os mesários, numa tranquila, numa relax, numa boa, deram o comprovante (do outro) e disseram que não tinha problema. É, e se ele precisar comprovar que votou e levar o documento do outro? Vale? #aiaisónobrasilmesmo

Quando deu 17h liguei na Globo e vi que a boca de urna deu 50% a 50%, o que apontava pra mais um crescimento de última hora de Zé, já que no sábado a pesquisa tinha dado 52% a 48% pro Mago. Fiquei preocupado. Comecei a acompanhar a apuração ali perto, na lanchonete da minha irmã, e pouco tempo depois fui pro comitê de Ricardo, na Epitácio, onde já tinha um bocado de gente e cada vez chegava mais.



Bem cedo, por volta das 18h, já estava claro que o Girassol não perderia mais. Ainda fiquei por ali acompanhando curiosidades sobre a apuração no telão e esperando o futuro governador aparecer. Só lá pelas 21h30, quando Dilma já discursava no Fantástico, anunciaram no carro de som que ele só iria falar no Busto. Peguei uma carona e segui a carreata improvisada até lá.



Muita, muita gente. Algumas pessoas, inclusive, dando a impressão de que estariam ali ganhasse quem ganhasse. As primeiras decepções com "o novo estado de coisas" foram simultâneas à euforia. Carro jogando dezenas de panfletos da campanha laranja no chão, sem dó, carros com "autoridades" passando pelo meio da multidão, onde os de pessoas "normais" não poderiam passar.



Os privilégios começaram cedo. O locutor do trio onde os vencedores discursariam, demonstrava irritação com a quantidade de pessoas que estavam em cima do veículo e as que, no chão, "impediam" a aproximação das "autoridades": "Chamamos aqui a polícia militar porque as pessoas não entendem...". "Pedimos mais uma vez que só fiquem os deputados em cima do palanque, para o nosso governador, o vie-governador e Cássio falarem, e a TV poder filmar!"

Tudo bem que tinha muito babão e gente querendo aparecer ali em cima, gente que, aliás, também dava impressão de que esatria ali ganhasse quem ganhasse, mas acho uma falta de respeito com a militância, nessa hora, só pros cinegrafistas captarem imagens melhores. Mais uma prova de que cada vez mais a política se faz pela TV. O idiota do locutor ficava a todo momento tentando adestrar a plateia: "baixem as bandeiras, façam o 'V' da vitória"... Se empolgar tudo bem, mas virar macaca de auditório já é demais.

Quanto às pessoas que queriam cumprimentar e abraçar Ricardo no chão, eu não vejo nada mais natural, apesar de não ser a minha. Ficaram horas ali esperando, inclusive porque antes ele deu entrevista coletiva, e de repente alguém decide chamar a polícia pra eles abrirem caminho?

Porém a cena mais, digamos, marcante, foi ouvir Ricardo chamando Efraim de "um gigante"...

Mas eu fiquei feliz, sim, e ainda estou. Até porque não acordei de ressaca. De nenhum tipo.

29.10.10

Alô povão agora é sério!




No primeiro turno nem votei em Ricardo Coutinho (e sim em Nelson Júnior), mas sempre quis que ele ganhasse. E agora mais do que nunca. Tanto quanto torci por Lula, só que agora tá mais imprevisível que 2002. Tô com o Mago e não abro, não só pelos méritos dele, mas pelos deméritos do adversário, e daí este post-apelo.

Se você vota em Zé, eu respeito. Mesmo sendo incontestável que ele é um administrador muito menos competente e responsável que o socialista e, além disso, cínico (nega que tenha produzido os panfletos, por exemplo). A campanha vermelha neste segundo turno é uma baixaria inimaginável, beirando o fantástico.

Mas eu não desmereço o voto de ninguém. Mesmo. Por isso eu discuto, mas não tenho a pretensão de fazer ninguém mudar de opinião. O que eu quero fazer é um pedido a quem tá indeciso ou prefere o Girassol mas, pelo feriado ou outra razão, não tá lá muito disposto a encarar a urna. Por favor, vote. Ou, se não der, pelo menos convença outras pessoas a votar.

E aqui não se trata (apenas) do clichê repetido por todo candidato que tá atrás nas pesquisas, "Se você vai votar em mim, consiga mais um, dois votos..." O duelo paraibano tem peculiaridades que exigem mais, por parte do cidadão, do que simplesmente marcar presença na seção eleitoral.

Quem acompanhou as apelações do candidato do PMDB, principalmente nesta semana, sabe que, daqui pra domingo, a coisa só tende a piorar. O aumento pomposo e absurdo, dadas as circunstâncias, pras polícias civil, militar e bombeiros, é a principal. Afagar os policiais, além de atrair os seus votos e de seus familiares, ainda é perigoso por que são eles que vão fazer a segurança do pleito! Será que a corporação vai ter isenção para coibir crimes eleitorais praticados pela turma que apoiam?

Mas Maranhão também acabou de convocar aprovados em concursos da PM e da Saúde. E foi só RC dizer que ele não investia em Ciência e Tecnologia que a UEPB publicou edital de R$ 2,5 milhão pra projetos de pesquisa.

Ótimo. Se não fosse a dias da eleição! Mas, repito, o pior ainda está por vir. Já tivemos os panfletos jogados por helicóptero, no Sertão. Ricardo disse, pelo twitter (@realrcoutinho), que pessoas vestidas de laranja estavam prometendo dinheiro em troca de voto e, se eles não recebessem até o dia 31, "poderiam votar no outro"...

A coisa tá feia. E eu acho que nós, de alguma forma, podemos oferecer um antídoto contra essas práticas, em alguma medida. Todo mundo conhece alguém no interior. Converse, ligue, deixe scrap. Diga pra não acreditarem em qualquer besteira que falem (e vão falar, sem dúvida) pra atingir Ricardo. Não estou pedindo pra ninguém tentar convencer os eleitores de Zé a mudar de lado - a menos que eles tenham decidido isso baseados em alguma mentira. É blindar o Girassol, agora, e correr pro abraço, depois. Espero vocês no Busto domingo à noite.

26.9.10

"Magotes de crianças nuas, de hedionda magreza de esqueleto, de grandes ventres, obesos e lustrosos como grandes cabaças, lançavam olhares, terríveis de avidez, sobre pilhas de rapaduras, grandes medidas de quarta, desbordantes de farinha e feijão, pencas de bananas, rimas de beijus, alvíssimas tapiocas, montes de laranjas pequeninas e vermelhas, colhidas na véspera, nos pomares murchos de Meruoca.

Os míseros pequenos, estatelados ao tantálico suplício da contemplação dessas gulodices, atiravam-se às cascas de frutas lançadas ao chão, e se enovelavam, na disputa desses resíduos misturados com terra, em ferozes pugilatos. Era indispensável ativa vigilância para não serem assaltadas e devoradas as provisões à venda, pela horda de meninos, que não falavam; não sabiam mais chorar, nem sorrir, e cujos rostos, polvilhados de descamações cinzentas, sem músculos, tinham a imobilidade de couro curtido. Quando contrariados ou afastados pelos mercadores aos empuxões e pontapés, rugiam e mostravam os dentes roídos de escorbuto. Eram órfaõs quase todos, ou abandonados pelos pais; não sabiam os próprios nomes, nem donde vinham. Privados de memória, bestificados pela carência de carinhos, anestesiados pelo contínuo sofrer, eram esses pequeninos mendigos gravetos de uma floresta morta, despedaçados pelos vendavais, destroços de famílias, dispersadas pela ruptura de todos os laços de interesses e afetos.

Às vezes, a morte os surpreendia durante o sono, junto de um tronco ou na soleira de uma porta. Trespassavam como pássaros, sem contorções, sem estertor, sem um gemido, silenciosos, tranquilos, num sossego de morte, num sossego de liberdade."


A poderosa descrição acima está em "Luzia-Homem", romance naturalista de Domingos Olímpio ambientado no interior do Ceará, durante uma arrasadora seca na década de 1870.

A vida das crianças pobres de hoje parece ter melhorado só um pouco. Já outra passagem, que disponibilizo a seguir, me chamou atenção pela ideia, pelo visto imortal, da juventude transviada. "Ah no meu tempo..."




- (...) Sempre digo que essa criação d'agora não presta. Filhos muito senhores de si, por qualquer descuido, se desgarram. Os meus não punham pé em ramo verde. Muito amor, mas muito respeito e cabresto curto.

- Nestes tempos de miséria - ponderou um carpinteiro idoso - ninguém tem folga para cuidar da criação dos filhos. Vão se criando ao deus-dará, como filhos de pobre.

4.9.10

Fênix

Finalmente a TV Cidade João Pessoa, canal 8 da Net, voltou a exibir programação própria (documentários, programetes e trechos dos shows que a prefeitura promove. Hoje de manhã vi um doc sobre Jackson do Pandeiro e pedaços das apresentações de Pitty e Jorge Ben. Claro que isso tem a ver com as eleições, já que a TV, onde estagiei entre 2007 e 2008, é da prefeitura. Mas era um absurdo que, tendo sede, equipamentos e funcionários pagos por nós, praticamente ela só existisse como uma registradora de eventos. Que sobreviva à outubro, enfim, porque tem coisa boa pra mostrar; material que uma TV comercial nunca se interessaria em produzir.