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6.8.15



Os agradecimentos em geral são uma parte chata e dispensável dos livros, tanto que geralmente os pulo. Mas há suas exceções:


"Sou extremamente grato a todos que contribuíram para que este livro chegasse até suas mãos: meus editores no Brasil, os fabricantes de papel, as gráficas, os motoristas de caminhão, os livreiros... e, é claro, as muitas árvores que deram tudo de si.

Agradeço a todos os escritores, poetas e dramaturgos que nos proporcionaram estas obras de literatura. Muitos sacrificaram liberdade pessoal, bem-estar econômico, sanidade, relacionamentos, fígado e vida para iluminar a condição humana."



29.9.14



“Ler é libertar a palavra que estava enclausurada no papel.”

Eu iria além, Wado. Eu diria que "Escrever é libertar a palavra que estava enclausurada no papel."

A única função do escritor/poeta é a de “libertar a palavra”, que já estava lá, em algum lugar, gritando pra sair. Nós escribas não temos muito mérito. Afinal é isso que somos: escribas. A gente só dá um trato, e dá o nome a isso de "linguagem". Mas o poder é todo dela: a Ideia.


Às vezes eu tenho a nítida impressão de que, quando uma ideia quer ser comunicada, ela vai dar um jeito de se libertar. Se ela realmente tiver força, vai se materializar. Seja em uma peça de teatro, poema, carta para um jornal, e-mail para uma ex... (cof! cof! cof!)


5.8.14

300




Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh! Pirineus! ôh caiçaras!
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!
Abraço no meu leito as milhores palavras,
E os suspiros que dou são violinos alheios;
Eu piso a terra como quem descobre a furto
Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos!
Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
Mas um dia afinal eu toparei comigo...
Tenhamos paciência, andorinhas curtas,
Só o esquecimento é que condensa,
E então minha alma servirá de abrigo.
Mário de Andrade



26.4.14

                                          Candelária

                                          Bancários

Em O Engenheiro, João Cabral de Melo Neto compara a cidade a um jornal. Fiquei com esse poema na cabeça desde que o conheci, coisa de um ano atrás. Esse trecho em especial, talvez porque previa que não tardaria e a minha "cidade diária" seria outra.

Não tem um dia em que eu não pare alguns minutos para espiar a rua, seja através de janelas ou da varanda. A rua e seus infinitos e imprevisíveis enredos, protagonizados pelos personagens que passam, a pé, de carro, com cachorro - ou, como eu, espiam.

Sim, porque por mais que eu goste de vistas, de profundidade de campo, a rua não teria graça nenhuma sem pessoas.

Assim, o jornal que João Pessoa me entregava era o de um bairro em crescimento. Todo dia um prédio começa a surgir. De dois ou três andares, quase sem exceção. Mas nem todos residenciais: ali a nova igreja católica, um pouco mais longe um novo shopping. Bairro "familiar" o Bancários. Você põe o pé fora de casa e ainda vê pessoas! Tomando uma no bar, levando o filho na escola. Gente, vida. A minha (família), continua ali.

O jornal da Candelária, aqui em Natown, me diz coisas diferentes. Os prédios têm bem mais de três andares e em vez de igreja, a nova arena da Copa dá as caras no horizonte. A impressão é a de um entorno mais desenvolvido, "acabado", não há tantos terrenos baldios. Mas também não há tanta gente na rua. Não chega nem perto da vibração do Bancários. Se for pra comprar com um bairro pessoense, diria que Candelária se assemelha a Miramar. Não chego, porém, a mirar o mar, mas um pedacinho do Parque das Dunas. Melhor que nada.

Mudar foi uma decisão difícil. Mas pesou a ideia de que, em se tendo opção, por que não variar o cardápio informativo? Sem falar que, como diz Cátia de França (que aliás já musicou João Cabral), é da natureza recomeçar.

4.12.13

Ele está de olho neles



O recém saído das rotativas Amálgama (2013), que, diga-se de passagem, marca a estreia em livro de Rubem Fonseca como poeta, aos 88 anos de idade e 50 de carreira literária, traz um poema intitulado Sopa de pedra, que pode ser tomado como uma metonímia do livro – e talvez da obra metaficcional do autor como um todo.

Um escrevia o nome da mulher amada com letras de macarrão
Enquanto a sopa esfriava no prato.
Outro era metade solidão e metade multidão.
Estou de olho neles.
Um andava com a espada sangrenta na mão.
Outro fingia que sentia o que de verdade sentia.
Este dizia que não cabe no poema o preço do feijão.
Estou de olho neles.
Este vê a vida como origem da sua inspiração,
A vida que é comer, defecar e morrer.
Todo poeta é maluco.
Estou de olho neles.
E também tem que ser maluco o pintor
E o músico e o prosador.
A loucura é muito boa
Para todo o criador.
Mesmo para os cozinheiros
Ou qualquer inventor.
Estou de olho neles.
É melhor ser capenga do que cego.
A poesia é uma sopa de pedra.
Cabe tudo dentro dela. 

Metonímia pois, neste poema sobre poesia, que dialoga com Ferreira Gullar e Fernando Pessoa, o eu-lírico reitera uma ideia que perpassa os outros textos (contos e poemas) da coletânea: todo escritor é louco, todo poeta é doente. A reapropriação da História literária pela literatura é uma das marcas da “metaficção historiográfica”, que, segundo Linda Hutcheon, é o que caracteriza o pós-modernismo na ficção. 

Dado o enorme volume de sua obra que dialoga com a História, em especial a literária, Rubem Fonseca confirma (ao menos em relação à sua própria criação) o que diz o narrador do seu romance autobiográfico José: “A melhor inspiração do escritor é sempre encontrada nos livros.” Ele está de olho neles.



26.8.13

Domingo no Goiamum

Prólogo
Esse menino sempre teve o costume de sair sem avisar. E também de não ligar informando o paradeiro, dizer onde vai dormir. E deixa a gente sem dormir. Mas dessa vez ele foi longe demais. Não tá com a namorada, e ela também não sabe dele. E parece que não quer saber e tem raiva de quem sabe. Dois dias! Dois dias sem notícias do ingrato.
  
Um branco no banco
O dia começou errado já de manhã. Lembro de Rubem Fonseca, tento esquecer o resto. E agora? Só faltava essa. Ônibus errado e sem saber ao certo onde desci. Era de se esperar que algum dia eu fosse pagar por desde menino só sair de carro, sempre lendo alguma coisa, sem prestar atenção na rua. Como assim ter duas linhas com o mesmo nome, mas com números diferentes? 509 e 518. É semioticamente estúpido. E agora estou aqui, longe da BR, perto de só deus sabe.
Ei, e não é que o lugar não é feio? Quem diria que daqui se pode ver o mar? Só ver mesmo. Porque até chegar na praia tem que fazer um arrodeio e tanto, contornando a mata. Mas a vista, grátis e à mão, é espetacular.
Um conjunto habitacional. Muito grande, muitos blocos. Será que consigo entrar? Mole. Quem tem medo de ser roubado onde não se tem nada a perder? Não existe segurança. Ou será que, ao contrário, só aqui é que é seguro? Devaneio. Deve ser o calor. Ou a fome. Ah, se fosse só isso...
É domingo e as pessoas estão em casa. Provavelmente o único dia em que muitos aqui podem aproveitar suas casas, a família, os vizinhos. Não estão vendo TV, nem distraídos com smartphones ou notebooks (por que não têm? Talvez...). Nos espaços entre os blocos de concreto implorando uma demão de tinta, crianças correm sem vigilância, som alto sai dos carros (provavelmente a aparelhagem de som vale mais do que os carros), mas as pessoas não dançam; conversam (gritando), bebem e comem churrasco. Som de domingo. São felizes.
Poucos notam a presença daquele estranho. Devem estar acostumados a ver playboys por ali em busca de droga ou outra distração mais ou menos ilegal.
Deixo o enorme condomínio. Cansado, sento numa calçada. Lembro de Augusto dos Anjos. Assombrado com minha sombra magra, pensava no destino.
À minha frente, no asfalto, noto que há mais de vinte minutos uma policial está sentada no banco do motorista da viatura. Tão entediada quanto eu, porém, pra sua sorte, só entediada mesmo. Penso que quem consome em sua dieta informativa apenas programas de TV sensacionalistas certamente acha que os “homens da lei” devem ser pessoas ultraocupadas, a todo momento livrando os “cidadãos de bem” dos “marginais”. Cadê a violência? Minha cabeça não está boa.
Uma segunda policial entra no banco do passageiro. Eu resolvo entrar no banco de trás. Definitivamente, minha cabeça não está boa. Elas se entreolham.
Hesitação. O intruso inesperado era branco e não estava mal vestido. Pelo menos, não do tipo mal vestido que não tem outra opção.
Daí a policial do banco do passageiro pergunta, num tom sério levemente intimidador, o que eu estava fazendo ali. Disse que dentro do carro parecia mais confortável que na calçada. Considerei que podia descansar na viatura, visto que ela foi comprada com nossos impostos. Ela respondeu, engraçadinho, podia te prender por desacato, e que era bom eu começar a falar sério. Falei que de repente se elas não tivessem nada pra fazer, que tal darmos um rolé? Dessa vez ela riu alto, a do banco do motorista também, que até então se mantinha inexpressiva. A gente vai agora pro posto aqui do bairro, te deixamos lá, disse a do banco do carona. Cuidado na vida, rapaz, se despediu, com um riso simpático, no posto policial do Goiamum. Como era grande aquele bairro! Ter cuidado na vida deu errado pra mim, moça, falo sozinho. Policiais nunca dão uma dentro.

Sigo andando. Estou numa espécie de parque, que me faz lembrar uma taba (como se eu já tivesse visto uma!). Todo aquele verde ao redor, aquelas pessoas alegremente estranhas, sinto vontade de chorar.
Vejo uma igreja tão antiga quanto bonita, apesar de mal cuidada. Creio que o entorno daquele templo barroco não mudou nada desde que ele foi erguido. Preservado pelo abandono. Ao me aproximar, porém, percebo que a igreja não está vazia. Acontece um casamento.
Sempre vivi nesta cidade e nem mesmo sabia que existia esse lugar. O problema sou eu ou o mundo?

Ladeira abaixo
Caminho mais entre aqueles prédios antigos e até esqueço do cansaço. Outras coisas são mais difíceis de não lembrar. Chego perto de uma falésia. Sento e contemplo o céu, que está ainda mais bonito do que em um fim de tarde comum. Penso nas aliterações de “crepúsculo” e “precipício”. Se eu estivesse lá embaixo, com certeza entraria na água. Há quanto tempo não vou à praia? Talvez dê pra descer essa barreira... Dá trabalho, me arranho, mas desço. A maré subiu. Anoiteceu. Me dou conta de que estou vestido, nos bolsos celular e carteira, mas o que lamento mesmo é ela não estar ali comigo pra sentir aquele cheiro quente e ácido de mar.

8.6.13

Repassando...

Artigo que gostei deveras. Objetivo e esclarecedor.

NO LABIRINTO DA LINGUAGEM

Publicado em Língua Portuguesa, ano 8, n.º 91, maio de 2013

A linguagem permitiu ao homem a consciência, a memória e a imaginação, mas também deu origem às neuroses

Sigmund Freud, o pai da psicanálise, dividiu as patologias mentais em dois grupos: as psicoses, de origem orgânica, distorcem o senso de realidade a ponto de levar o paciente a ser classificado como louco; e as neuroses, de natureza emocional, causam transtornos e infelicidade, mas não afetam a percepção da realidade. Segundo Freud, o que causa uma neurose não é o fato em si, mas o modo como o concebemos, a representação mental que fazemos da realidade.
Se a neurose tem a ver com representação simbólica e significação, pode-se dizer que é uma doença decorrente de sermos dotados de linguagem. O que produz o sofrimento emocional é o diálogo interior em que o eu se divide em dois e um deles “envenena” o outro com afirmações e perguntas que geram medo e insegurança.
Objetivamente falando, não há fatos bons ou maus: há fatos. Por isso, alguns, após uma tragédia, caem em desespero; outros “levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima”. Por isso, há pobres e anônimos felizes ao mesmo tempo que celebridades milionárias se afundam no álcool e nas drogas para fugir da realidade. Isso reforça a ideia, surpreendente para muitos, de que não vivemos no mundo real, mas numa realidade virtual criada por nossos próprios símbolos.
Sem dúvida, a linguagem trouxe vantagens ao homem. Afinal, permite a consciência, a memória e a imaginação. E é por isso que produz neuroses: recém-nascidos ou animais não criam as próprias neuroses, podem no máximo ser induzidos a elas.
Um animal confinado ou privado de sono pode desenvolver comportamentos neuróticos (automutilação, atos repetitivos, etc.), mas só o homem é capaz de sentir medo dos próprios pensamentos. Isso não quer dizer que animais não pensem. Eles fazem representações mentais, planejam, sonham, imaginam… Mas sua atividade psíquica, segundo mostram pesquisas científicas, está focada no aqui e agora. Ante ameaças, antecipam mentalmente ações que ainda não realizaram (atacar, fugir, etc.), tomam decisões (por qual lado ir) e aprendem com a experiência, o que equivale a arquivar informações e esquemas cognitivos no cérebro sob a forma de representações simbólicas. Mas é pouco provável que criem mentalmente situações que não existem – os animais não são bons ficcionistas. Menos provável ainda é que acreditem naquilo que imaginaram, confundindo realidade objetiva com representação simbólica. Pois é isso que faz um neurótico.
Embora estejamos falando de uma patologia, no âmbito da saúde mental o limite entre normalidade e distúrbio não é questão de presença ou ausência de sintomas, mas de gradação. Todo mundo tem momentos de melancolia; o que caracteriza a depressão é a frequência e intensidade desse estado de espírito.
O desenvolvimento da linguagem nos permitiu um salto evolutivo em relação às demais espécies porque tornou possível o “pensamento desconectado”. O termo, criado por neurocientistas, indica a capacidade de concebermos mentalmente situações passadas, futuras ou hipotéticas, por mais fantasiosas ou absurdas que sejam – em resumo, desconectadas da realidade efetiva, do aqui e agora.
É o que nos permite fazer abstrações e aplicar a novas situações um esquema abstrato deduzido de outras situações análogas, anteriormente experimentadas. Esse pensamento é chamado What-If Thought (pensamento “e-se…?”). Diante de uma ocorrência qualquer, somos capazes de formular perguntas e hipóteses do tipo: “O que aconteceria se…?”, “E se eu fizesse isso em vez daquilo?”.
Essa habilidade de visualizar prospectivamente o desenrolar de uma situação é o que nos permite criar de projetos de engenharia a romances policiais. Mas, na neurose, o pensamento desconectado formula cenários um pouco diferentes, algo como: “Será que isso vai acontecer? E se acontecer?”. Combinado a uma baixa autoestima, que leva o indivíduo a crer no pior, esse padrão de pensamento supervaloriza a exceção, num misto de fatalismo e pessimismo.
Código artificial
Portanto, há uma distância entre as coisas em si e o significado que damos a elas. Até porque as coisas em si não têm significado; a ideia de que algo significa (isto é, representa, substitui) algo só é concebível por uma cabeça pensante. Só seres complexos como nós são capazes de perceber e, a seguir, conceber o mundo (pedras não veem nem ouvem, muito menos criam representações da realidade). Se nossa percepção já é falha, dadas as limitações da biologia, nossas concepções são ainda piores, já que resultam não só do uso de um sistema de símbolos criados por nós mesmos, mas da interferência de nossas experiências e vivências, o que inclui os valores culturais introjetados em nossa formação sem que tenhamos consciência.
Como diria Platão, vivemos no interior de uma caverna e tudo o que vemos são vultos da realidade exterior projetados na parede. A diferença é que, para ele, habitamos o mundo das coisas, mas a Verdade está no mundo das ideias, ao qual só se chega pelo pensamento. Já para a ciência moderna, vivemos no mundo das ideias – isto é, de signos, linguagem –, e a verdade, inatingível em si, está nas coisas. O que gera a neurose, a alucinação, a loucura é a crença de que os signos são as coisas.

29.5.13

Alguns termos em latim

Best seller = LIBER MAXIME DIVENDITVS

Fã = ADMIRATORES STVDIOSISSIMI

Camelô = VENDITOR CLANDESTINUS

Babá = INFANTÁRIA

Criança mimada = PVER INDVLGENTIA DEPRAVATVS

Paquerar = AMOR LEVIS

Cachorro quente = PASTILLVM BOTELLO FARTVM

Droga = MEDICAMENTVM STVPEFACTIVVM

26.4.13

"Teresa e Luísa riem como duas crianças. Oh, céus, como é difícil a arte poética! Vamos Teresa, a um pagode na Taberna do Sapo e das Três Cobras, cantar e dançar rondós e tarantelas? Como disse Byron, o bretão de alma de fogo, quem escreveria se tivesse coisa melhor para fazer? Ação, ação, isso é que é importante, não escrever, e muito menos rimar, vide a vida monótona dos escritores."


Rubem Fonseca

1.9.12

"A ciência e a tecnologia seriam usadas como se, a exemplo do sábado, tivessem sido feitas para o homem, e não (como no presente e ainda mais no Admirável Mundo Novo) como se o homem tivesse de ser adaptado e escravizado a elas.

Essa revolução verdadeiramente revolucionária deverá ser realizada não no mundo exterior, mas sim na alma e na carne dos seres humanos.

Um Estado totalitário verdadeiramente eficiente seria aquele em que os chefes políticos de um Poder Executivo todo-poderoso e seu exército de administradores controlassem uma população de escravos que não tivessem de ser coagidos porque amariam sua servidão. Fazer com que eles a amem é a tarefa confiada, nos Estados totalitários de hoje, aos ministérios de propaganda, diretores de jornais e professores."

15.2.12

Assim como os matemáticos são, entre os acadêmicos, os tipos mais interessantes, os enxadristas constituem o grupo mais excêntrico entre os desportistas. A paulista Katherine tem 12 anos e é autora de um alfabeto. Nas horas vagas trucida adversários com seus bispos de âmbar. Famoso por seus truques, o russo Vassily Tamchuk achou por bem aprender turco. O andaluz Vallejo alterna 24 horas de sono com 96 de vigília. O norueguês Carlsen não come pizza com queijo.

Quem joga xadrez em altíssimo nível costuma ser competitivo ao extremo. Diz-se que estão sempre a andar sobre uma corda bamba sobre o precipício da loucura. O letão Aaron Nimzowitsch, ao antever uma derrota, subiu na mesa e gritou: "Como posso perder para um idiota como este?"

10.9.11

Pílula de genialidade de Anatol Rosenfeld, escrita nos anos 1960 e mais atual do que nunca:

"Aliás, mesmo diante de um fotógrafo despretensioso a pessoa tende a compor-se, tomar uma pose, tornar-se “personagem”; de certa forma passa a ser cópia antecipada da sua própria cópia. Chega a fingir a alegria que deveras sente."