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1.2.16
Um erro muito comum é achar que quem pensa diferente de você, por si só, é burra, e o o oposto também: acreditar que estar ao seu lado ideologicamente é atestado de Q.I. Ora, o que mais tem por aí é gente reproduzindo o pensamento mainstream para parecer cool, incapaz de pensar com os próprios miolos.
Este PREÊMBULO pra dizer que, sim: existe vida inteligente na direita. E bem intencionada, também. Mas o que fica difícil, praticamente impossível, é defender quem defende Bolsonaro. Aí já é forçar a amizade. Por quê? Bolsonaro não apresenta (tampouco representa) ideias. Toda sua conduta, sua persona política gira em torno de performances. Basta pegar como parâmetro sua (não) atuação parlamentar. O homem tem mais anos de mandato do que eu de idade (cof! cof!) e ainda assim não aprova nada! (Pensando bem, ainda bem, né?)
Assim, quem gosta de Bolsonaro não está interessado em ideias, pois não as tem. Apenas se deixam seduzir por suas bravatas preconceituosas e baseadas, infelizmente, no senso comum. Sim, porque não é de se admirar que, num país onde há tantos programas policiais sensacionalistas bem sucedidos, com apresentadores que copiam mutuamente as performances e "argumentos" rasos e que ferem os direitos humanos, alguém como Bolsonaro atraia seguidores. E, nessa terra de ninguém que é a web, é natural - mais uma vez, infelizmente - que sua fama seja catapultada. A internet, para o bem e para o mal, é indomável.
Pois Bolsonaro é isso. Alguém com vocação para Datena e que, por acidente, trilhou outro caminho, mais perigoso: a política. E ele não está sozinho. Ele representa - sim - boa parte da população.
9.3.13
"O publicitário Caio Monteiro, 22 anos, se sente um prisioneiro do condomínio de classe média onde mora, em Perdizes, zona oeste de São Paulo. 'Quando chego, levo um tempo convencendo os seguranças de que sou morador”, conta. Precisa digitar a senha de seu apartamento para fazer o elevador funcionar; se esquece e aperta só o botão do andar, o que acontece 'pelo menos três vezes por semana', fica preso na cabine até responder satisfatoriamente a um questionário pelo interfone. A última etapa, a leitura biométrica das digitais, às vezes falha. 'O equipamento não lê direito, o alarme dispara e tem que vir alguém ver se eu sou eu mesmo.'"
Leia mais em http://revistatrip.uol.com.br/revista/218/reportagens/o-medo-mora-dentro.html
Leia mais em http://revistatrip.uol.com.br/revista/218/reportagens/o-medo-mora-dentro.html
13.9.12
Ana de Hollanda mal pisou em Brasília e já foi alvo de polêmicas (a primeira, e mais famosa, foi a questão Creative Commons), mas permaneceu firme no cargo. Daí ela resolve reclamar que o orçamento da cultura é baixo e é demitida.
É como se um filho aprontasse todas e os pais passassem a mão na cabeça dele. Até que ele resolve pedir um aumento de mesada e é expulso de casa.
É como se um filho aprontasse todas e os pais passassem a mão na cabeça dele. Até que ele resolve pedir um aumento de mesada e é expulso de casa.
27.8.12
entrepromessas
Quedo-me c'uma dúvida
Quiçá seja de mais gente
Não sei se vou ser feliz
Ou se vou seguir em frente
Quiçá seja de mais gente
Não sei se vou ser feliz
Ou se vou seguir em frente
31.1.12
"O Brasil foi descoberto, por acaso, em 1500, e ficou sendo colônia de Portugal até 1822, mas não por acaso. Nesse ano, para continuar mandando, um príncipe português proclamou a independência do Brasil e o país, desde então, passou a fazer dívidas por conta própria, ficando cada vez mais dependente dos credores. Em 1899, foi proclamada a República, a qual foi passando por muitos estados de evolução, entre os quais o estado de sítio, o estado de emergência, o estado de guerra e o Estado Novo, que é, afinal, o estado a que chegamos."
Barão de Itararé, que amava Getúlio.
Barão de Itararé, que amava Getúlio.
6.1.12
Leia a declaração, veja o vídeo e tire suas conclusões
Agra é disparado a melhor opção entre os que podem governar a cidade, mas isso não impede de ele fazer/falar uma cagada aqui e ali. A mais recente:
- Eu já havia decidido acabar com os camarotes. Aquele espaço tem o objetivo de proteger o palco em shows com mais de 100 mil pessoas e para receber convidados como Dalmo Dalari que tem 80 anos e o senador Eduardo Suplicy.
Leia a matéria completa aqui.
O prefeito acha que que um show de Rita Lee em João Pessoa pode ser mais perigoso do que um de Racionais em São Paulo?
Provincianismo é uma merda.
- Eu já havia decidido acabar com os camarotes. Aquele espaço tem o objetivo de proteger o palco em shows com mais de 100 mil pessoas e para receber convidados como Dalmo Dalari que tem 80 anos e o senador Eduardo Suplicy.
Leia a matéria completa aqui.
O prefeito acha que que um show de Rita Lee em João Pessoa pode ser mais perigoso do que um de Racionais em São Paulo?
Provincianismo é uma merda.
20.11.11
A (falta de) Educação na "Carta Cidadã"
A Constituição de 1988 é um bom reflexo da forma como a Educação e a Cultura são encarados pelo Estado e pela sociedade.
Ambas estão concentradas no Capítulo III: "Da Educação, da Cultura e do Desporto". A Seção I, "Da Educação", tem incisos que aproximam a dita Carta Cidadã de uma peça de ficção, tamanha a carência de objetividade. Exemplos:
(Art. 206) VII - garantia de padrão de qualidade;
(Art 208) V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;
Outros pontos são contraditórios e polêmicos, em relação ao financiamento. A união deve gastar na educação 18% do que arrecada, enquanto os estados e municípios, 25%. O problema é que o artigo 212 fala em "manutenção e desenvolvimento do ensino". Ou seja, por exemplo, a merenda fica de fora. Só que o inciso VII do artigo 208 diz que é dever do Estado assegurar "atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde".
E de onde viriam os recursos?
O § 4o do artigo 212 não é claro: "Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde [...] serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários".
Assim, um prefeito pode alegar que dos 25% que arrecadou não sobrou para comprar merenda, nem tinha "contribuições sociais" suficientes, e aí? No mínimo, enrolado.
O § 1o do artigo 213, por sua vez, deixa margem para "malversação do dinheiro público", ao permitir que recursos públicos possam ser empregados em "bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares na rede pública na localidade de residência do educando, ficando o o poder público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade".
Não sei se é fácil "demonstrar insuficiência de recursos" ou comprovar falta de vaga perto da residência, o que sei é que o que tem de apadrinhado de prefeito do interior pegando carona na lei pra estudar às nossas custas em escola particular é uma festa. Depois não tem merenda, ou tem mas é ruim, e ninguém sabe por quê.
Com relação à Cultura a situação é pior. São dois míseros artigos a integrar a Seção II do Capítulo III. A Cultura ocupa meia página da Constituição brasileira.
E, diferentemente da Educação, não há percentual obrigatório de investimento estatal, apenas: "É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomento à cultura até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, para o financiamento de programas e projetos culturais[...]" (Art.216, § 6o). Ou seja, 0,5% do que os estados arrecadam, opcionais.
Para a Ciência e Tecnologia (Cap. IV), o mesmo tratamento: "É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica." (Art.218, § 5o).
Ambas estão concentradas no Capítulo III: "Da Educação, da Cultura e do Desporto". A Seção I, "Da Educação", tem incisos que aproximam a dita Carta Cidadã de uma peça de ficção, tamanha a carência de objetividade. Exemplos:
(Art. 206) VII - garantia de padrão de qualidade;
(Art 208) V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;
Outros pontos são contraditórios e polêmicos, em relação ao financiamento. A união deve gastar na educação 18% do que arrecada, enquanto os estados e municípios, 25%. O problema é que o artigo 212 fala em "manutenção e desenvolvimento do ensino". Ou seja, por exemplo, a merenda fica de fora. Só que o inciso VII do artigo 208 diz que é dever do Estado assegurar "atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde".
E de onde viriam os recursos?
O § 4o do artigo 212 não é claro: "Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde [...] serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários".
Assim, um prefeito pode alegar que dos 25% que arrecadou não sobrou para comprar merenda, nem tinha "contribuições sociais" suficientes, e aí? No mínimo, enrolado.
O § 1o do artigo 213, por sua vez, deixa margem para "malversação do dinheiro público", ao permitir que recursos públicos possam ser empregados em "bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares na rede pública na localidade de residência do educando, ficando o o poder público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade".
Não sei se é fácil "demonstrar insuficiência de recursos" ou comprovar falta de vaga perto da residência, o que sei é que o que tem de apadrinhado de prefeito do interior pegando carona na lei pra estudar às nossas custas em escola particular é uma festa. Depois não tem merenda, ou tem mas é ruim, e ninguém sabe por quê.
Com relação à Cultura a situação é pior. São dois míseros artigos a integrar a Seção II do Capítulo III. A Cultura ocupa meia página da Constituição brasileira.
E, diferentemente da Educação, não há percentual obrigatório de investimento estatal, apenas: "É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomento à cultura até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, para o financiamento de programas e projetos culturais[...]" (Art.216, § 6o). Ou seja, 0,5% do que os estados arrecadam, opcionais.
Para a Ciência e Tecnologia (Cap. IV), o mesmo tratamento: "É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica." (Art.218, § 5o).
10.9.11
Pílula de genialidade de Anatol Rosenfeld, escrita nos anos 1960 e mais atual do que nunca:
"Aliás, mesmo diante de um fotógrafo despretensioso a pessoa tende a compor-se, tomar uma pose, tornar-se “personagem”; de certa forma passa a ser cópia antecipada da sua própria cópia. Chega a fingir a alegria que deveras sente."
"Aliás, mesmo diante de um fotógrafo despretensioso a pessoa tende a compor-se, tomar uma pose, tornar-se “personagem”; de certa forma passa a ser cópia antecipada da sua própria cópia. Chega a fingir a alegria que deveras sente."
18.8.11
Dei o sangue
Todo mundo é meio Poliana quando se fala em doar sangue, até porque é uma coisa importante e tem que incentivar mesmo, e não assustar, mas como eu sou do contra...
Não vou fazer campanha contra, óbvio, só falar um pouco da parte chata, que não é nada muito grave mas, como é tabu, é bom falar até mesmo porque vai que alguém "da área" cai de para-quedas aqui e o que eu vou dizer possa melhorar o atendimento ao doador e, consequentemente, estimular doações.
O problema mais óbvio é o tratamento durante a entrevista inicial, com um médico, que eles chamam de triagem. Além de te picar com uma agulhinha pra saber se você é sangue bom e de te pesar, rolam altas perguntas constrangedoras que são feitas mecanicamente, sem nenhum tato, o que certamente não é fácil para timídos e doadores iniciantes. Em todas as vezes que eu doei/tentei doar os médicos demonstraram, no mínimo, impaciência.
Outra coisa que observo são enfermeiras manuseando as agulhas e outros instrumentos, fazendo tudo enfim, sem luvas. Cadê a preocupação com infecção hospitalar? Eu pelo menos fico inseguro, e olhe que tô longe de ser hipocondríaco (noiado talvez).
Por falar em mim, hoje pela primeira vez fiz doação por aférese, que separa só um componente do sangue (no meu caso, plaquetas) e o resto é devolvido pro seu corpo. Por isso tu leva duas picadas, uma em cada braço, e o processo dura cerca de oito vezes mais que uma doação comum. Vocês não imaginam como é cansativo ficar mais de uma hora apertando uma bolinha de borracha pra bombear o sangue. Além disso, cheguei a ficar levemente tonto. Quem diz que doar (especialmente por aférese) é 100% tranquilo está mentindo. Por uma boa causa, mas tá.
Mas além de fazer uma boa ação e aquela coisa toda que vocês já sabem, doar sangue tem a vantagem , por exemplo, de você descobrir se tem Aids. :)
Quem quiser conhecer a história do Felipe, que me motivou a essa doação, e o Doe Sangue PB, taqui.
Não vou fazer campanha contra, óbvio, só falar um pouco da parte chata, que não é nada muito grave mas, como é tabu, é bom falar até mesmo porque vai que alguém "da área" cai de para-quedas aqui e o que eu vou dizer possa melhorar o atendimento ao doador e, consequentemente, estimular doações.
O problema mais óbvio é o tratamento durante a entrevista inicial, com um médico, que eles chamam de triagem. Além de te picar com uma agulhinha pra saber se você é sangue bom e de te pesar, rolam altas perguntas constrangedoras que são feitas mecanicamente, sem nenhum tato, o que certamente não é fácil para timídos e doadores iniciantes. Em todas as vezes que eu doei/tentei doar os médicos demonstraram, no mínimo, impaciência.
Outra coisa que observo são enfermeiras manuseando as agulhas e outros instrumentos, fazendo tudo enfim, sem luvas. Cadê a preocupação com infecção hospitalar? Eu pelo menos fico inseguro, e olhe que tô longe de ser hipocondríaco (noiado talvez).
Por falar em mim, hoje pela primeira vez fiz doação por aférese, que separa só um componente do sangue (no meu caso, plaquetas) e o resto é devolvido pro seu corpo. Por isso tu leva duas picadas, uma em cada braço, e o processo dura cerca de oito vezes mais que uma doação comum. Vocês não imaginam como é cansativo ficar mais de uma hora apertando uma bolinha de borracha pra bombear o sangue. Além disso, cheguei a ficar levemente tonto. Quem diz que doar (especialmente por aférese) é 100% tranquilo está mentindo. Por uma boa causa, mas tá.
Mas além de fazer uma boa ação e aquela coisa toda que vocês já sabem, doar sangue tem a vantagem , por exemplo, de você descobrir se tem Aids. :)
Quem quiser conhecer a história do Felipe, que me motivou a essa doação, e o Doe Sangue PB, taqui.
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Copo meio cheio,
Copo meio vazio,
É por isso que o Brasil não vai pra frente..,
É por isso que o Brasil vai pra frente..,
Taí achei útil
5.7.11
A Revista Piauí do mês passado traz uma matéria sobre o choque do boeing da Gol com o jato da Embraer, em 2006, que matou toda a tripulação e passageiros do primeiro. A reportagem é uma edição de trechos do livro "Perda Total", de Ivan Sant'anna, que a Objetiva lança este mês. O autor ouviu as caixas pretas, consultou relatórios e outros documentos, leu e ouviu tudo o que foi divulgado sobre o acidente, sem falar que Sant'anna é piloto amador e um pesquisador de longa quilometragem do assunto, com outra obra dedicada a desastres aéreos, "Caixa Preta". Isso tudo pra dizer que a riqueza de informações do texto impressiona. E instiga.
O que mais chama atenção é a macabra coincidência de mancadas, que vai desembocar numa co-co-co-corresponsabilidade pelo acidente. Se só um lado tivesse errado, a tecnologia teria evitado a tragédia, mas a culpa é compartilhada, na terra e no ar - os mais "inocentes" foram o piloto e copiloto da Gol, que no momento da batida olhavam fotos em uma câmera digital, mas eles estavam em "voo de cruzeiro", o avião não estava subindo nem descendo, numa altitude constante e, portanto, não havia com o que se preocupar; era tocar o piloto automático, já que naquela altitude seria impossível uma aeronave voar em sentido contrário (também no céu há mão e contra-mão) e, se por acaso isso viesse a acontecer, o transponder avisaria a tempo de desviar...
A dupla que comandava o legacy tratava de levar o jato recém-adquirido pela empresa americana de táxi aéreo ExcelAire, de São José dos Campos, sede da Embraer, para a Flórida, com escala em Manaus. A caixa-preta revelou que ambos passaram o tempo todo brigando com o notebook para entender como o sistema do jato funcionava. Além disso, as tentativas de comunicação com o controlador de voo do Cindacta 1, em Brasília, foram frustradas pela deficiência deste no idioma daqueles, entre outras coisas. "O controlador Jomarcelo dos Santos foi absolvido de todas as acusações pelo juiz Murilo Mendes, sob a alegação de que, 'pelas notórias deficiências' da sua formação, 'só se pode agradecer por ele não ter errado com muito mais frequência'", relata Sant'anna.
Mas antes, ainda no chão, o controlador de São José dos Campos informou aos pilotos americanos que eles deviam voar no nível 370 (3700 pés) até Manaus. Porém o plano de voo estabelecia essa altitude tão somente até Brasília. Ali, deveriam subir para 380. Inexperientes não só com o modelo do jato mas também em relação ao espaço aéreo brasileiro, Lepore e Paladino ignoravam que, indo da capital federal para o Norte, os aviões só podem voar em níveis pares, enquanto que, do Norte para o Sul, como era o caso do boeing, que vinha de Manaus, tomam os ímpares.
Portanto, o Gol estava certo, mas os americanos - e o controlador de São José -, não. Mas, ainda assim, se eles tivessem se preocupado em ler o plano de voo, localizado no escaninho da cabine, bem à frente de suas barrigas, poderiam ter mudado o rumo... Mas não tiveram "airmanship", que significa, (bem) basicamente, prudência. Sem querer, ainda desligaram o transponder e por quase uma hora não se deram conta que ele permaneceu off, o que tornou o jato invisível para o Cindacta 1 e o Gol.
O mais incrível é que a aerovia UZ6 tem 80 quilômetros de largura. Ou seja, o mais provável, como narra Sant'anna, seria que "os dois jatos se cruzarem sem que seus pilotos, mesmo que estivessem olhando para fora, nem vissem a passagem um do outro".
Continua: "Se, por inspiração do demônio, os comandantes Chaves Júnior e Lepore e seus copilotos tivessem planejado e calibrado em seus instrumentos de bordo para aquele roçar de asas, não teriam conseguido. Segundo descrição da revista Vanity Fair, foi como se dois índios, um em cada extremidade de aldeia, e sem saber o que o outro estava fazendo, lançassem flechas para cima e elas se tocassem levemente no ar."
O que mais chama atenção é a macabra coincidência de mancadas, que vai desembocar numa co-co-co-corresponsabilidade pelo acidente. Se só um lado tivesse errado, a tecnologia teria evitado a tragédia, mas a culpa é compartilhada, na terra e no ar - os mais "inocentes" foram o piloto e copiloto da Gol, que no momento da batida olhavam fotos em uma câmera digital, mas eles estavam em "voo de cruzeiro", o avião não estava subindo nem descendo, numa altitude constante e, portanto, não havia com o que se preocupar; era tocar o piloto automático, já que naquela altitude seria impossível uma aeronave voar em sentido contrário (também no céu há mão e contra-mão) e, se por acaso isso viesse a acontecer, o transponder avisaria a tempo de desviar...
A dupla que comandava o legacy tratava de levar o jato recém-adquirido pela empresa americana de táxi aéreo ExcelAire, de São José dos Campos, sede da Embraer, para a Flórida, com escala em Manaus. A caixa-preta revelou que ambos passaram o tempo todo brigando com o notebook para entender como o sistema do jato funcionava. Além disso, as tentativas de comunicação com o controlador de voo do Cindacta 1, em Brasília, foram frustradas pela deficiência deste no idioma daqueles, entre outras coisas. "O controlador Jomarcelo dos Santos foi absolvido de todas as acusações pelo juiz Murilo Mendes, sob a alegação de que, 'pelas notórias deficiências' da sua formação, 'só se pode agradecer por ele não ter errado com muito mais frequência'", relata Sant'anna.
Mas antes, ainda no chão, o controlador de São José dos Campos informou aos pilotos americanos que eles deviam voar no nível 370 (3700 pés) até Manaus. Porém o plano de voo estabelecia essa altitude tão somente até Brasília. Ali, deveriam subir para 380. Inexperientes não só com o modelo do jato mas também em relação ao espaço aéreo brasileiro, Lepore e Paladino ignoravam que, indo da capital federal para o Norte, os aviões só podem voar em níveis pares, enquanto que, do Norte para o Sul, como era o caso do boeing, que vinha de Manaus, tomam os ímpares.
Portanto, o Gol estava certo, mas os americanos - e o controlador de São José -, não. Mas, ainda assim, se eles tivessem se preocupado em ler o plano de voo, localizado no escaninho da cabine, bem à frente de suas barrigas, poderiam ter mudado o rumo... Mas não tiveram "airmanship", que significa, (bem) basicamente, prudência. Sem querer, ainda desligaram o transponder e por quase uma hora não se deram conta que ele permaneceu off, o que tornou o jato invisível para o Cindacta 1 e o Gol.
O mais incrível é que a aerovia UZ6 tem 80 quilômetros de largura. Ou seja, o mais provável, como narra Sant'anna, seria que "os dois jatos se cruzarem sem que seus pilotos, mesmo que estivessem olhando para fora, nem vissem a passagem um do outro".
Continua: "Se, por inspiração do demônio, os comandantes Chaves Júnior e Lepore e seus copilotos tivessem planejado e calibrado em seus instrumentos de bordo para aquele roçar de asas, não teriam conseguido. Segundo descrição da revista Vanity Fair, foi como se dois índios, um em cada extremidade de aldeia, e sem saber o que o outro estava fazendo, lançassem flechas para cima e elas se tocassem levemente no ar."
6.5.11
Robôs x humanos no telemarketing: quem ganha?
Há décadas, talvez séculos, a inteligência artificial aguça o imaginário, seja assustando ou gerando curiosidade e palpites. "É possível um robô superar o homem?" "A tecnologia vai nos eliminar?" Etc.
O computador que ganhou de Kasparov e Matrix eram o que me vinha à cabeça de imediato ao lembrar do tema. Agora tem também um episódio que aconteceu comigo esses dias, ao atender o celular. Era uma mocinha do telemarketing da Abril.
Antes, quero perguntar: já usaram o atendimento por telefone da Oi? Bem, você praticamente não fala com ninguém, nem tecla nada, é tudo no reconhecimento de voz. E é eficiente!
Já a Abril... Bem, estou aguardando um relógio de brinde dos putos desde setembro, quando renovei a Piauí, até agora. A mocinha liga e eu penso que é pra tratar do bendito, mas não, era pra me convencer a renovar a Info.
Depois de algumas negativas, ela pergunta, (mal?) treinada, por que eu não queria permanecer assinante. Expliquei que minha rotina já não me permitia dar conta mais de acompanhar nem uma revista mensal, avalie três. Veja bem: estava claro que o motivo tinha a ver com tempo, não com dinheiro, mesmo assim ela me sai com:
- Perfeitamente, senhor. Justamente por isso a Editora Abril está lhe dando uma oportunidade ainda mais em conta. Por apenas 10 parcelas de ...
É preocupante, engraçado e, ao mesmo tempo, e principalmente, cruel concluir que o robô da Oi não seria tão estúpido.
O computador que ganhou de Kasparov e Matrix eram o que me vinha à cabeça de imediato ao lembrar do tema. Agora tem também um episódio que aconteceu comigo esses dias, ao atender o celular. Era uma mocinha do telemarketing da Abril.
Antes, quero perguntar: já usaram o atendimento por telefone da Oi? Bem, você praticamente não fala com ninguém, nem tecla nada, é tudo no reconhecimento de voz. E é eficiente!
Já a Abril... Bem, estou aguardando um relógio de brinde dos putos desde setembro, quando renovei a Piauí, até agora. A mocinha liga e eu penso que é pra tratar do bendito, mas não, era pra me convencer a renovar a Info.
Depois de algumas negativas, ela pergunta, (mal?) treinada, por que eu não queria permanecer assinante. Expliquei que minha rotina já não me permitia dar conta mais de acompanhar nem uma revista mensal, avalie três. Veja bem: estava claro que o motivo tinha a ver com tempo, não com dinheiro, mesmo assim ela me sai com:
- Perfeitamente, senhor. Justamente por isso a Editora Abril está lhe dando uma oportunidade ainda mais em conta. Por apenas 10 parcelas de ...
É preocupante, engraçado e, ao mesmo tempo, e principalmente, cruel concluir que o robô da Oi não seria tão estúpido.
19.2.11
As autoridades em saúde têm que ouvir imediatamente o jornal "Já" para acabar com a epidemia de dengue. Deu na edição de anteontem:
"(...)Os jovens foram presos em flagrante, após denúncias anônimas feitas por moradores do bairro (Cristo), que se sentiram incomodados com o forte cheiro da erva.(...)
De tanto sentir cheiro de maconha nas proximidades da casa, os moradores do bairro não têm informações de casos de dengue na localidade, já que os mosquitos estão sendo afastados do local pelo forte fumacê da erva do diabo."
"(...)Os jovens foram presos em flagrante, após denúncias anônimas feitas por moradores do bairro (Cristo), que se sentiram incomodados com o forte cheiro da erva.(...)
De tanto sentir cheiro de maconha nas proximidades da casa, os moradores do bairro não têm informações de casos de dengue na localidade, já que os mosquitos estão sendo afastados do local pelo forte fumacê da erva do diabo."
1.11.10
Carnaval fora de época
Circunstâncias fizeram com que eu deixasse pra votar no final da tarde, só que exagerei e tive que literalmente correr pra chegar à urna eletrônica no fim do arco-íris, mas pode chamar também de Escola Padre Dehon, na Torre.

Ao contrário do primeiro turno e como era esperado, não tinha fila e o cara que ia votar antes de mim descobriu que já tinham votado por ele. Solução? Ele votou (e assinou) pela pessoa que, supostamente, por distração sua e/ou dos mesários, votou no seu lugar... Os mesários, numa tranquila, numa relax, numa boa, deram o comprovante (do outro) e disseram que não tinha problema. É, e se ele precisar comprovar que votou e levar o documento do outro? Vale? #aiaisónobrasilmesmo
Quando deu 17h liguei na Globo e vi que a boca de urna deu 50% a 50%, o que apontava pra mais um crescimento de última hora de Zé, já que no sábado a pesquisa tinha dado 52% a 48% pro Mago. Fiquei preocupado. Comecei a acompanhar a apuração ali perto, na lanchonete da minha irmã, e pouco tempo depois fui pro comitê de Ricardo, na Epitácio, onde já tinha um bocado de gente e cada vez chegava mais.

Bem cedo, por volta das 18h, já estava claro que o Girassol não perderia mais. Ainda fiquei por ali acompanhando curiosidades sobre a apuração no telão e esperando o futuro governador aparecer. Só lá pelas 21h30, quando Dilma já discursava no Fantástico, anunciaram no carro de som que ele só iria falar no Busto. Peguei uma carona e segui a carreata improvisada até lá.

Muita, muita gente. Algumas pessoas, inclusive, dando a impressão de que estariam ali ganhasse quem ganhasse. As primeiras decepções com "o novo estado de coisas" foram simultâneas à euforia. Carro jogando dezenas de panfletos da campanha laranja no chão, sem dó, carros com "autoridades" passando pelo meio da multidão, onde os de pessoas "normais" não poderiam passar.

Os privilégios começaram cedo. O locutor do trio onde os vencedores discursariam, demonstrava irritação com a quantidade de pessoas que estavam em cima do veículo e as que, no chão, "impediam" a aproximação das "autoridades": "Chamamos aqui a polícia militar porque as pessoas não entendem...". "Pedimos mais uma vez que só fiquem os deputados em cima do palanque, para o nosso governador, o vie-governador e Cássio falarem, e a TV poder filmar!"
Tudo bem que tinha muito babão e gente querendo aparecer ali em cima, gente que, aliás, também dava impressão de que esatria ali ganhasse quem ganhasse, mas acho uma falta de respeito com a militância, nessa hora, só pros cinegrafistas captarem imagens melhores. Mais uma prova de que cada vez mais a política se faz pela TV. O idiota do locutor ficava a todo momento tentando adestrar a plateia: "baixem as bandeiras, façam o 'V' da vitória"... Se empolgar tudo bem, mas virar macaca de auditório já é demais.
Quanto às pessoas que queriam cumprimentar e abraçar Ricardo no chão, eu não vejo nada mais natural, apesar de não ser a minha. Ficaram horas ali esperando, inclusive porque antes ele deu entrevista coletiva, e de repente alguém decide chamar a polícia pra eles abrirem caminho?
Porém a cena mais, digamos, marcante, foi ouvir Ricardo chamando Efraim de "um gigante"...
Mas eu fiquei feliz, sim, e ainda estou. Até porque não acordei de ressaca. De nenhum tipo.

Ao contrário do primeiro turno e como era esperado, não tinha fila e o cara que ia votar antes de mim descobriu que já tinham votado por ele. Solução? Ele votou (e assinou) pela pessoa que, supostamente, por distração sua e/ou dos mesários, votou no seu lugar... Os mesários, numa tranquila, numa relax, numa boa, deram o comprovante (do outro) e disseram que não tinha problema. É, e se ele precisar comprovar que votou e levar o documento do outro? Vale? #aiaisónobrasilmesmo
Quando deu 17h liguei na Globo e vi que a boca de urna deu 50% a 50%, o que apontava pra mais um crescimento de última hora de Zé, já que no sábado a pesquisa tinha dado 52% a 48% pro Mago. Fiquei preocupado. Comecei a acompanhar a apuração ali perto, na lanchonete da minha irmã, e pouco tempo depois fui pro comitê de Ricardo, na Epitácio, onde já tinha um bocado de gente e cada vez chegava mais.

Bem cedo, por volta das 18h, já estava claro que o Girassol não perderia mais. Ainda fiquei por ali acompanhando curiosidades sobre a apuração no telão e esperando o futuro governador aparecer. Só lá pelas 21h30, quando Dilma já discursava no Fantástico, anunciaram no carro de som que ele só iria falar no Busto. Peguei uma carona e segui a carreata improvisada até lá.

Muita, muita gente. Algumas pessoas, inclusive, dando a impressão de que estariam ali ganhasse quem ganhasse. As primeiras decepções com "o novo estado de coisas" foram simultâneas à euforia. Carro jogando dezenas de panfletos da campanha laranja no chão, sem dó, carros com "autoridades" passando pelo meio da multidão, onde os de pessoas "normais" não poderiam passar.

Os privilégios começaram cedo. O locutor do trio onde os vencedores discursariam, demonstrava irritação com a quantidade de pessoas que estavam em cima do veículo e as que, no chão, "impediam" a aproximação das "autoridades": "Chamamos aqui a polícia militar porque as pessoas não entendem...". "Pedimos mais uma vez que só fiquem os deputados em cima do palanque, para o nosso governador, o vie-governador e Cássio falarem, e a TV poder filmar!"
Tudo bem que tinha muito babão e gente querendo aparecer ali em cima, gente que, aliás, também dava impressão de que esatria ali ganhasse quem ganhasse, mas acho uma falta de respeito com a militância, nessa hora, só pros cinegrafistas captarem imagens melhores. Mais uma prova de que cada vez mais a política se faz pela TV. O idiota do locutor ficava a todo momento tentando adestrar a plateia: "baixem as bandeiras, façam o 'V' da vitória"... Se empolgar tudo bem, mas virar macaca de auditório já é demais.
Quanto às pessoas que queriam cumprimentar e abraçar Ricardo no chão, eu não vejo nada mais natural, apesar de não ser a minha. Ficaram horas ali esperando, inclusive porque antes ele deu entrevista coletiva, e de repente alguém decide chamar a polícia pra eles abrirem caminho?
Porém a cena mais, digamos, marcante, foi ouvir Ricardo chamando Efraim de "um gigante"...
Mas eu fiquei feliz, sim, e ainda estou. Até porque não acordei de ressaca. De nenhum tipo.
26.9.10
"Magotes de crianças nuas, de hedionda magreza de esqueleto, de grandes ventres, obesos e lustrosos como grandes cabaças, lançavam olhares, terríveis de avidez, sobre pilhas de rapaduras, grandes medidas de quarta, desbordantes de farinha e feijão, pencas de bananas, rimas de beijus, alvíssimas tapiocas, montes de laranjas pequeninas e vermelhas, colhidas na véspera, nos pomares murchos de Meruoca.
Os míseros pequenos, estatelados ao tantálico suplício da contemplação dessas gulodices, atiravam-se às cascas de frutas lançadas ao chão, e se enovelavam, na disputa desses resíduos misturados com terra, em ferozes pugilatos. Era indispensável ativa vigilância para não serem assaltadas e devoradas as provisões à venda, pela horda de meninos, que não falavam; não sabiam mais chorar, nem sorrir, e cujos rostos, polvilhados de descamações cinzentas, sem músculos, tinham a imobilidade de couro curtido. Quando contrariados ou afastados pelos mercadores aos empuxões e pontapés, rugiam e mostravam os dentes roídos de escorbuto. Eram órfaõs quase todos, ou abandonados pelos pais; não sabiam os próprios nomes, nem donde vinham. Privados de memória, bestificados pela carência de carinhos, anestesiados pelo contínuo sofrer, eram esses pequeninos mendigos gravetos de uma floresta morta, despedaçados pelos vendavais, destroços de famílias, dispersadas pela ruptura de todos os laços de interesses e afetos.
Às vezes, a morte os surpreendia durante o sono, junto de um tronco ou na soleira de uma porta. Trespassavam como pássaros, sem contorções, sem estertor, sem um gemido, silenciosos, tranquilos, num sossego de morte, num sossego de liberdade."
A poderosa descrição acima está em "Luzia-Homem", romance naturalista de Domingos Olímpio ambientado no interior do Ceará, durante uma arrasadora seca na década de 1870.
A vida das crianças pobres de hoje parece ter melhorado só um pouco. Já outra passagem, que disponibilizo a seguir, me chamou atenção pela ideia, pelo visto imortal, da juventude transviada. "Ah no meu tempo..."
- (...) Sempre digo que essa criação d'agora não presta. Filhos muito senhores de si, por qualquer descuido, se desgarram. Os meus não punham pé em ramo verde. Muito amor, mas muito respeito e cabresto curto.
- Nestes tempos de miséria - ponderou um carpinteiro idoso - ninguém tem folga para cuidar da criação dos filhos. Vão se criando ao deus-dará, como filhos de pobre.
Os míseros pequenos, estatelados ao tantálico suplício da contemplação dessas gulodices, atiravam-se às cascas de frutas lançadas ao chão, e se enovelavam, na disputa desses resíduos misturados com terra, em ferozes pugilatos. Era indispensável ativa vigilância para não serem assaltadas e devoradas as provisões à venda, pela horda de meninos, que não falavam; não sabiam mais chorar, nem sorrir, e cujos rostos, polvilhados de descamações cinzentas, sem músculos, tinham a imobilidade de couro curtido. Quando contrariados ou afastados pelos mercadores aos empuxões e pontapés, rugiam e mostravam os dentes roídos de escorbuto. Eram órfaõs quase todos, ou abandonados pelos pais; não sabiam os próprios nomes, nem donde vinham. Privados de memória, bestificados pela carência de carinhos, anestesiados pelo contínuo sofrer, eram esses pequeninos mendigos gravetos de uma floresta morta, despedaçados pelos vendavais, destroços de famílias, dispersadas pela ruptura de todos os laços de interesses e afetos.
Às vezes, a morte os surpreendia durante o sono, junto de um tronco ou na soleira de uma porta. Trespassavam como pássaros, sem contorções, sem estertor, sem um gemido, silenciosos, tranquilos, num sossego de morte, num sossego de liberdade."
A poderosa descrição acima está em "Luzia-Homem", romance naturalista de Domingos Olímpio ambientado no interior do Ceará, durante uma arrasadora seca na década de 1870.
A vida das crianças pobres de hoje parece ter melhorado só um pouco. Já outra passagem, que disponibilizo a seguir, me chamou atenção pela ideia, pelo visto imortal, da juventude transviada. "Ah no meu tempo..."
- (...) Sempre digo que essa criação d'agora não presta. Filhos muito senhores de si, por qualquer descuido, se desgarram. Os meus não punham pé em ramo verde. Muito amor, mas muito respeito e cabresto curto.
- Nestes tempos de miséria - ponderou um carpinteiro idoso - ninguém tem folga para cuidar da criação dos filhos. Vão se criando ao deus-dará, como filhos de pobre.
11.3.10
Marcelo Dourado vai ganhar o BBB 10.
Popular, não vai se candidatar a nada nessas eleições porque não se filiou a um partido político antes de outubro do ano passado.
Vai fundar ou participar de uma ONG ou projeto social.
Professor de artes marciais, vai dar aulas para crianças e jovens da periferia porque, como todos sabemos, o esporte pode desviar os jovens do daminho das drogas e da bandidagem.
Dirá que nunca se candidatará a cargo político.
Filiar-se-á, no entanto, a uma legenda de direita, porque os amigos e pessoas que o param na rua insistirão, o que o sensibilizará.
Candidatar-se-á a um cargo legislativo em 2012.
Popular, não vai se candidatar a nada nessas eleições porque não se filiou a um partido político antes de outubro do ano passado.
Vai fundar ou participar de uma ONG ou projeto social.
Professor de artes marciais, vai dar aulas para crianças e jovens da periferia porque, como todos sabemos, o esporte pode desviar os jovens do daminho das drogas e da bandidagem.
Dirá que nunca se candidatará a cargo político.
Filiar-se-á, no entanto, a uma legenda de direita, porque os amigos e pessoas que o param na rua insistirão, o que o sensibilizará.
Candidatar-se-á a um cargo legislativo em 2012.
18.9.09
Acontece na vida...
O documentário Pro dia nascer feliz apresenta uma adolescente pobre do interior de Pernambuco que escreve poemas tão bons que ninguém acredita que saíram da cabeça dela. Os olhares de desconfiança fizeram a menina sentir vergonha de mostrar o que produzia.
Uma colega minha que dá aula no ensino fundamental numa escola da periferia me contou que uma de suas alunas escreveu um poeminha sobre seu gato e quis inscrever num concurso de redação promovido pela prefeitura. E a diretora não quer permitir, porque acredita que só pode ter sido plágio.
Uma colega minha que dá aula no ensino fundamental numa escola da periferia me contou que uma de suas alunas escreveu um poeminha sobre seu gato e quis inscrever num concurso de redação promovido pela prefeitura. E a diretora não quer permitir, porque acredita que só pode ter sido plágio.
21.3.09
Legado luso
"(...)O autor exclui da sua análise os naufrágios resultantes de acasos ou acidentes que como o próprio defende são incontornáveis e inevitáveis numa ligação tão extensa como era a Carreira da Índia. As principais causas apontadas são a cobiça de todos e a falta de ordem na carga dos navios, multiplicando os exemplos saídas de Goa com as naus metidas no fundo e com tamanha carga que nem a manobra de velas ou artilharia é possível. Outra causa importante é a querena à italiana que permitia trabalhar na calafetagem sem pôr o navio a seco mas que apresentava diversas contrariedades visto não ser tão duradoura como a anteriormente praticada. A introdução de tal prática deve-se exclusivamente, segundo Estácio do Amaral, à vontade de poupar tempo e dinheiro e de se ter entregue tais trabalhos a contratadores que têm como preocupação a rentabilidade da operação e não a segurança.
É nestas condições que Estácio do Amaral conclui terem-se perdido 38 navios em 20 anos (1582-1602) muito por causa do abandono a que estaria votada a nossa marinha e à falta de cuidado dos portugueses em tratarem dos aspectos de segurança."
Rui Godinho
É nestas condições que Estácio do Amaral conclui terem-se perdido 38 navios em 20 anos (1582-1602) muito por causa do abandono a que estaria votada a nossa marinha e à falta de cuidado dos portugueses em tratarem dos aspectos de segurança."
Rui Godinho
23.8.08
Essa semana participei de uma reuniao com dinâmica de grupo e, como se não bastasse, ainda rolou uns slides de auto-ajuda.
Aliás, taí uma coisa que insiste em não acabar na Internet. As pessoas continuam a repassar e-mails com slides anexos, contendo "mensagens bonitas" e "piadas". Tenho um tio que não só as manda aos montes, como ainda me cobra comentários.
São as mesmas pessoas que ainda acreditam em correntes (teorias da conspiração, campanhas para ajudar criancinhas com câncer, textos atribuídos a LFV ou Jabor). IRC, ICQ e Napster ficaram pelo meio do caminho na luta pela sobrevivência, enquanto a corrente sobreviveu à seleção natural.
Falando nisso, descobri que alguns alunos meus, usuários de internet, não sabiam ou só tinham uma vaga idéia do que era e-mail. Na minha ingenuidade achei que tal fato fosse impossível. Algo como fazer a primeira comunhão sem se batizar. Pra eles, internet se resume a orkut, MSN e jogos.
Será o e-mail o próximo a ficar pelo caminho na evolução?
Não. Afinal, lembrai-vos de que as correntes são imortais.
Aliás, taí uma coisa que insiste em não acabar na Internet. As pessoas continuam a repassar e-mails com slides anexos, contendo "mensagens bonitas" e "piadas". Tenho um tio que não só as manda aos montes, como ainda me cobra comentários.
São as mesmas pessoas que ainda acreditam em correntes (teorias da conspiração, campanhas para ajudar criancinhas com câncer, textos atribuídos a LFV ou Jabor). IRC, ICQ e Napster ficaram pelo meio do caminho na luta pela sobrevivência, enquanto a corrente sobreviveu à seleção natural.
Falando nisso, descobri que alguns alunos meus, usuários de internet, não sabiam ou só tinham uma vaga idéia do que era e-mail. Na minha ingenuidade achei que tal fato fosse impossível. Algo como fazer a primeira comunhão sem se batizar. Pra eles, internet se resume a orkut, MSN e jogos.
Será o e-mail o próximo a ficar pelo caminho na evolução?
Não. Afinal, lembrai-vos de que as correntes são imortais.
17.8.08
O jornalista e escritor Ivan Lessa disse que a cada 15 anos o brasileiro esquece o que aconteceu nos últimos 15 anos. No caso das olimpíadas, é pior: ninguém lembra de quatro anos atrás!
Escrevo isso baseado nos comentários recorrentes de que nossa delegação é um fracasso, só ganha bronze e que Pequim será nosso maior fiasco em todos os tempos. Lembrai-vos de Sidney 2000, onde não ganhamos nenhum ouro, quando podíamos ter sido campeões no Iatismo, Tênis, Futebol, Vôlei... Da seleção de Luxemburgo a Baloubet de Rouet, todos falharam.
Agora, temos já um ouro garantido. Aliás, o primeiro da história da natação pátria: Ciello é o mais rápido do mundo na piscina.
O que se pode esperar do Brasil é isso mesmo, com nossa estrutura débil e pouca tradição. Não entendo porque as pessoas insistem em esperar que façamos frente a Estados Unidos e China. Em algumas modalidades pouco a pouco vamos melhorando, como ginástica e handebol. Em outras já somos potências, caso do vôlei.
Se ainda somos verdes, por outro lado temos uma certa vocação pra amarelar, não dá pra negar. Vejamos o que escrevi em setembro de 2004:
Os quatro maiores fiascos do Brasil em Atenas
Bimba - Podendo chegar em terceiro, para ser Ouro, ou até em 15o, na última regata da classe Mistral, pra ficar com o Bronze, chegou em 17o e ficou em 4o lugar no geral.
Daiane - Favorita no Solo, "aterrisou" mal duas vezes, inclusive saindo do tablado em uma delas. Ficou em quinto.
Jadel Gregório - Um dos grandes favoritos no salto triplo, não chegou nem perto da sua melhor marca e amargou o quinto lugar.
Seleção feminina de vôlei - Vencendo por 24 a 19 no quarto set, permitiu que as russas virassem. E ainda tiveram boas chances de fechar a partida no terceiro e quinto sets. Na disputa do Bronze, perderam novamente, dessa vez pra Cuba, quebrando a sequência de duas medalhas olímpicas seguidas na categoria.
Em tempo: Bimba tá aí de novo na prancha a vela, comendo pelas beiradas, sem banca de favorito, como em Atenas.
Daiane aterrissou fora do tablado e ficou em sexto.
Jadel e o vôlei feminimo continuam favoritos, como em Atenas. Vamo ver no que vai dar.
Escrevo isso baseado nos comentários recorrentes de que nossa delegação é um fracasso, só ganha bronze e que Pequim será nosso maior fiasco em todos os tempos. Lembrai-vos de Sidney 2000, onde não ganhamos nenhum ouro, quando podíamos ter sido campeões no Iatismo, Tênis, Futebol, Vôlei... Da seleção de Luxemburgo a Baloubet de Rouet, todos falharam.
Agora, temos já um ouro garantido. Aliás, o primeiro da história da natação pátria: Ciello é o mais rápido do mundo na piscina.
O que se pode esperar do Brasil é isso mesmo, com nossa estrutura débil e pouca tradição. Não entendo porque as pessoas insistem em esperar que façamos frente a Estados Unidos e China. Em algumas modalidades pouco a pouco vamos melhorando, como ginástica e handebol. Em outras já somos potências, caso do vôlei.
Se ainda somos verdes, por outro lado temos uma certa vocação pra amarelar, não dá pra negar. Vejamos o que escrevi em setembro de 2004:
Os quatro maiores fiascos do Brasil em Atenas
Bimba - Podendo chegar em terceiro, para ser Ouro, ou até em 15o, na última regata da classe Mistral, pra ficar com o Bronze, chegou em 17o e ficou em 4o lugar no geral.
Daiane - Favorita no Solo, "aterrisou" mal duas vezes, inclusive saindo do tablado em uma delas. Ficou em quinto.
Jadel Gregório - Um dos grandes favoritos no salto triplo, não chegou nem perto da sua melhor marca e amargou o quinto lugar.
Seleção feminina de vôlei - Vencendo por 24 a 19 no quarto set, permitiu que as russas virassem. E ainda tiveram boas chances de fechar a partida no terceiro e quinto sets. Na disputa do Bronze, perderam novamente, dessa vez pra Cuba, quebrando a sequência de duas medalhas olímpicas seguidas na categoria.
Em tempo: Bimba tá aí de novo na prancha a vela, comendo pelas beiradas, sem banca de favorito, como em Atenas.
Daiane aterrissou fora do tablado e ficou em sexto.
Jadel e o vôlei feminimo continuam favoritos, como em Atenas. Vamo ver no que vai dar.
15.7.08
Solteira sim, sozinha nunca
Sou garota melancia
e rebolo minha bunda
Os versos acima são do novo hit da Mulher Melancia.
A dançarina que se descobriu cantora esteve envolvida em grande polêmica sobre se iria ou não fazer uma lipo. Foi o assunto mais comentado no país entre a morte de Isabella e essa operação da PF que não sei escrever o nome.
Um autor de novela disse que ela era gorda. Outros, que na verdade ela foi gorda e teria já uma lipo no currículo, o que explicaria sua desproporcionalidade etc.
Andressa Soares, é esse o nome da fruta, está por cima disso tudo, e teria dito a um repórter: "Não sou gorda nem sou magra; sou poeta."
Sou garota melancia
e rebolo minha bunda
Os versos acima são do novo hit da Mulher Melancia.
A dançarina que se descobriu cantora esteve envolvida em grande polêmica sobre se iria ou não fazer uma lipo. Foi o assunto mais comentado no país entre a morte de Isabella e essa operação da PF que não sei escrever o nome.
Um autor de novela disse que ela era gorda. Outros, que na verdade ela foi gorda e teria já uma lipo no currículo, o que explicaria sua desproporcionalidade etc.
Andressa Soares, é esse o nome da fruta, está por cima disso tudo, e teria dito a um repórter: "Não sou gorda nem sou magra; sou poeta."
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