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14.1.15
O Pasquim era foda
Ziraldo vai à casa de Wolinski conversar com ele e o chama de burguês - ofensa equivalente a chamar de filho da puta em 1975 - e este o alfineta de volta. Isso que era entrevista, hoje só tem armazém de secos e molhados.
Ziraldo: Você é essencialmente um desenhista de contestação. Como é que você concilia isso com sua vida extremamente burguesa que eu percebo aqui em sua casa? A ideia que eu tinha de você é que você era um malucão, entende? Um cara largadão. Sim, porque vocês fazem um humor violentíssimo. Não deixam pedra sobre pedra.
Wolinski: Não é verdade. Possivelmente você não lê sempre e com profundidade o Charlie Hebdo.
Ziraldo: Vai falando que eu estou ouvindo. Vai ver, o negócio é mais ou menos por aí mesmo. Ou será que não é?
http://www.memoriaviva.com.br/arquivos/pasquim298_wolinski_marco1975.pdf
1.3.12
Apesar das suspensões, contusão e epidemia de diarreia, o Paraíba de Cajazeiras, estreante na primeira divisão, derrotou o Treze, atual campeão estadual. O outro campinense, o Campinense, atual líder, foi vencido em casa pelo Sousa. Fechando o trio de sertanejos, o Nacional de Patos derrotou o último invicto do torneio, o Botafogo, em pleno Almeidão. Onde na arquibancada um torcedor contando cerca de 7 anos gritava "Expulsa! Expulsa!" e uma coleguinha da mesma idade, ao lado, berrava "Vá tomar no cu! NO CU!"
Isso é o campeonato paraibano.
17.3.11
Boca maldita
Era agosto de 2010. O Jornal Nacional exibiu uma reportagem sobre os problemas que o silêncio (sim, ele mesmo) estava causando no trânsito japonês. É uma pena que, no vídeo abaixo, tenha sido cortado o comentário de Fátima Bernardes, com risinho sarcástico nos lábios, após a matéria:
"É, CADA PAÍS COM SEUS PROBLEMAS..."
Alguém mais viu o JN nesse dia e não me deixa mentir?
"É, CADA PAÍS COM SEUS PROBLEMAS..."
Alguém mais viu o JN nesse dia e não me deixa mentir?
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19.2.11
As autoridades em saúde têm que ouvir imediatamente o jornal "Já" para acabar com a epidemia de dengue. Deu na edição de anteontem:
"(...)Os jovens foram presos em flagrante, após denúncias anônimas feitas por moradores do bairro (Cristo), que se sentiram incomodados com o forte cheiro da erva.(...)
De tanto sentir cheiro de maconha nas proximidades da casa, os moradores do bairro não têm informações de casos de dengue na localidade, já que os mosquitos estão sendo afastados do local pelo forte fumacê da erva do diabo."
"(...)Os jovens foram presos em flagrante, após denúncias anônimas feitas por moradores do bairro (Cristo), que se sentiram incomodados com o forte cheiro da erva.(...)
De tanto sentir cheiro de maconha nas proximidades da casa, os moradores do bairro não têm informações de casos de dengue na localidade, já que os mosquitos estão sendo afastados do local pelo forte fumacê da erva do diabo."
4.9.10
Fênix
Finalmente a TV Cidade João Pessoa, canal 8 da Net, voltou a exibir programação própria (documentários, programetes e trechos dos shows que a prefeitura promove. Hoje de manhã vi um doc sobre Jackson do Pandeiro e pedaços das apresentações de Pitty e Jorge Ben. Claro que isso tem a ver com as eleições, já que a TV, onde estagiei entre 2007 e 2008, é da prefeitura. Mas era um absurdo que, tendo sede, equipamentos e funcionários pagos por nós, praticamente ela só existisse como uma registradora de eventos. Que sobreviva à outubro, enfim, porque tem coisa boa pra mostrar; material que uma TV comercial nunca se interessaria em produzir.
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8.7.10
A Veja já foi melhor
A única testemunha do crime, encontrada num bar de Ipanema, declarou:
"Távamos malocados no Vidigal cafungando uma legal, quando embunecamos com a máquina de dois baitolas na viseira. Meu chapa, numa péssima, neurotizou adoidado, levou um caramelo no gorgolejo e meteu lá uma de decúbito sem retorno. Por aí."
A polícia já está no encalço de um tradutor.
Revista Veja, 21/09/1977
"Távamos malocados no Vidigal cafungando uma legal, quando embunecamos com a máquina de dois baitolas na viseira. Meu chapa, numa péssima, neurotizou adoidado, levou um caramelo no gorgolejo e meteu lá uma de decúbito sem retorno. Por aí."
A polícia já está no encalço de um tradutor.
Revista Veja, 21/09/1977
5.6.10
Às vezes acontece de um fato menor, dentro de uma notícia, ser mais relevante do que o próprio fato que mereceu o texto, e não aparece nem no título, no subtítulo ou sequer no lead (primeiro parágrafo).
É o caso desta notícia, que fala sobre um filme que homenageia Lima Barreto, não o escritor, mas o diretor de Os Cangaceiros, premiado em Cannes, da Vera Cruz e tal.
Mas o que mais me chamou atenção foi a descoberta de que Lampião era... poeta! Compôs "Mulher rendeira" e tudo.
Apesar do mito, de tudo o que se produziu sobre Lampião, ainda tem coisa que a gente não sabe sobre o sujeito... Será que é por que só destacam sempre os mesmos aspectos? Faz pensar.
Mas voltando à notícia, por que o repórter não deu ênfase a esse fato? Porque não é novidade. Mas pra mim, e acho que pra muita gente, é. Coisas do jornalismo.
É o caso desta notícia, que fala sobre um filme que homenageia Lima Barreto, não o escritor, mas o diretor de Os Cangaceiros, premiado em Cannes, da Vera Cruz e tal.
Mas o que mais me chamou atenção foi a descoberta de que Lampião era... poeta! Compôs "Mulher rendeira" e tudo.
Apesar do mito, de tudo o que se produziu sobre Lampião, ainda tem coisa que a gente não sabe sobre o sujeito... Será que é por que só destacam sempre os mesmos aspectos? Faz pensar.
Mas voltando à notícia, por que o repórter não deu ênfase a esse fato? Porque não é novidade. Mas pra mim, e acho que pra muita gente, é. Coisas do jornalismo.
16.1.10
As pessoas seriam ainda mais bitoladas se não tivesse sido inventado o bloqueio a MSN, Orkut e afins no trabalho. Algum sociólogo visionário poderia fazer um estudo sério dos efeitos desse bloqueio para a Intelligentsia nacional (quiçá mundial).
No antediluviano 2003, quando estagiário do Sebrae, a falta do que fazer me levou a apelar pra leitura de jornais e foi assim que descobri os textos de Braulio Tavares no Jornal da Paraíba. Braulio publica essas colunas em seu blog, o qual ainda vai ser tombado como patrimônio cultural da humanidade.
Agora mais uma vez me vejo impedido de usar MSN, Orkut e afins e a saída é uma ronda pelos portais, como o R7, criado pela Record/Universal pra ser concorrente-gêmeo do G1. Ali descobri André Forastieri, que, soube depois, já foi da Set, editou a Bizz e atualmente aposta numa revista (de cinema, oh!) chamada Movie.
O primeiro post do cara que li comentava (e elogiava) Retalhos. Forastieri me convenceu não só a seguir lendo-o como a comprar a Graphic Novel - e não me arrependi, apesar de não ser (oficialmente) adolescente.
Em dezembro Papai Noel me trouxe, junto com a Piauí, um texto muito engraçado de André Czernobai, mais conhecido como Cardoso, uma minicelebridade da rede. Adivinha? Aproveitei as horas de ócio aqui no trampo pra fuçar os textos desse jornalista gaúcho até no nome (seu sobrenome se pronuncia "tchêrnobái").
E nessa eu cheguei até Gonzojornalismo: o filho bastardo do New Journalism , segundo seu autor a primeira monografia do país sobre o estilo criado por Hunter Thompson*. O texto é surpreendentemente leve, o que me lembrou algo que minha amiga Elisa falou sobre os trabalhos acadêmicos da Antropologia (a área dela), que, ao contrário da fama, seriam leituras agradáveis.
E é bom ler o trabalho do Capsdoso, principalmente pra quem se interesse por jornalismo e literatura.
Duvidam? Então talvez este trecho abra o apetite:
"A justificativa mais plausível para o uso de drogas no Gonzo Journalism nos remete ao legado deixado por Hunter Thompson, que abusava abertamente de álcool e drogas em grande quantidade e variedade. Logo nas primeiras páginas de Fear and Loathing in Las Vegas, ele descreve todo o material de trabalho que levava no porta-malas do carro:
Nós tínhamos duas bolsas de fumo, setenta e cinco botões de mescalina, cinco cartelas de ácido extremamente potente, um saleiro cheio até a metade de cocaína e toda uma galáxia de multi-coloridos estimulantes, tranquilizantes, gritantes, hilariantes... e também um quarto de tequila, um quarto de rum, uma caixa de Budweiser, cerca de um litro de éter e duas dúzias de nitrito de amila (1971, p.4)"
• Thompson escreveu Fear and Loathing in Las Vegas, que virou filme com Johnny Depp. O Gonzojornalismo é uma faceta do jornalismo literário em que o repórter/escritor se coloca como protagonista e não só como observador/registrador dos eventos. É uma radicalização do Novo Jornalismo. "Maiores informações" na Wikipédia ou comigo.
No antediluviano 2003, quando estagiário do Sebrae, a falta do que fazer me levou a apelar pra leitura de jornais e foi assim que descobri os textos de Braulio Tavares no Jornal da Paraíba. Braulio publica essas colunas em seu blog, o qual ainda vai ser tombado como patrimônio cultural da humanidade.
Agora mais uma vez me vejo impedido de usar MSN, Orkut e afins e a saída é uma ronda pelos portais, como o R7, criado pela Record/Universal pra ser concorrente-gêmeo do G1. Ali descobri André Forastieri, que, soube depois, já foi da Set, editou a Bizz e atualmente aposta numa revista (de cinema, oh!) chamada Movie.
O primeiro post do cara que li comentava (e elogiava) Retalhos. Forastieri me convenceu não só a seguir lendo-o como a comprar a Graphic Novel - e não me arrependi, apesar de não ser (oficialmente) adolescente.
Em dezembro Papai Noel me trouxe, junto com a Piauí, um texto muito engraçado de André Czernobai, mais conhecido como Cardoso, uma minicelebridade da rede. Adivinha? Aproveitei as horas de ócio aqui no trampo pra fuçar os textos desse jornalista gaúcho até no nome (seu sobrenome se pronuncia "tchêrnobái").
E nessa eu cheguei até Gonzojornalismo: o filho bastardo do New Journalism , segundo seu autor a primeira monografia do país sobre o estilo criado por Hunter Thompson*. O texto é surpreendentemente leve, o que me lembrou algo que minha amiga Elisa falou sobre os trabalhos acadêmicos da Antropologia (a área dela), que, ao contrário da fama, seriam leituras agradáveis.
E é bom ler o trabalho do Capsdoso, principalmente pra quem se interesse por jornalismo e literatura.
Duvidam? Então talvez este trecho abra o apetite:
"A justificativa mais plausível para o uso de drogas no Gonzo Journalism nos remete ao legado deixado por Hunter Thompson, que abusava abertamente de álcool e drogas em grande quantidade e variedade. Logo nas primeiras páginas de Fear and Loathing in Las Vegas, ele descreve todo o material de trabalho que levava no porta-malas do carro:
Nós tínhamos duas bolsas de fumo, setenta e cinco botões de mescalina, cinco cartelas de ácido extremamente potente, um saleiro cheio até a metade de cocaína e toda uma galáxia de multi-coloridos estimulantes, tranquilizantes, gritantes, hilariantes... e também um quarto de tequila, um quarto de rum, uma caixa de Budweiser, cerca de um litro de éter e duas dúzias de nitrito de amila (1971, p.4)"
• Thompson escreveu Fear and Loathing in Las Vegas, que virou filme com Johnny Depp. O Gonzojornalismo é uma faceta do jornalismo literário em que o repórter/escritor se coloca como protagonista e não só como observador/registrador dos eventos. É uma radicalização do Novo Jornalismo. "Maiores informações" na Wikipédia ou comigo.
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