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8.6.13

Repassando...

Artigo que gostei deveras. Objetivo e esclarecedor.

NO LABIRINTO DA LINGUAGEM

Publicado em Língua Portuguesa, ano 8, n.º 91, maio de 2013

A linguagem permitiu ao homem a consciência, a memória e a imaginação, mas também deu origem às neuroses

Sigmund Freud, o pai da psicanálise, dividiu as patologias mentais em dois grupos: as psicoses, de origem orgânica, distorcem o senso de realidade a ponto de levar o paciente a ser classificado como louco; e as neuroses, de natureza emocional, causam transtornos e infelicidade, mas não afetam a percepção da realidade. Segundo Freud, o que causa uma neurose não é o fato em si, mas o modo como o concebemos, a representação mental que fazemos da realidade.
Se a neurose tem a ver com representação simbólica e significação, pode-se dizer que é uma doença decorrente de sermos dotados de linguagem. O que produz o sofrimento emocional é o diálogo interior em que o eu se divide em dois e um deles “envenena” o outro com afirmações e perguntas que geram medo e insegurança.
Objetivamente falando, não há fatos bons ou maus: há fatos. Por isso, alguns, após uma tragédia, caem em desespero; outros “levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima”. Por isso, há pobres e anônimos felizes ao mesmo tempo que celebridades milionárias se afundam no álcool e nas drogas para fugir da realidade. Isso reforça a ideia, surpreendente para muitos, de que não vivemos no mundo real, mas numa realidade virtual criada por nossos próprios símbolos.
Sem dúvida, a linguagem trouxe vantagens ao homem. Afinal, permite a consciência, a memória e a imaginação. E é por isso que produz neuroses: recém-nascidos ou animais não criam as próprias neuroses, podem no máximo ser induzidos a elas.
Um animal confinado ou privado de sono pode desenvolver comportamentos neuróticos (automutilação, atos repetitivos, etc.), mas só o homem é capaz de sentir medo dos próprios pensamentos. Isso não quer dizer que animais não pensem. Eles fazem representações mentais, planejam, sonham, imaginam… Mas sua atividade psíquica, segundo mostram pesquisas científicas, está focada no aqui e agora. Ante ameaças, antecipam mentalmente ações que ainda não realizaram (atacar, fugir, etc.), tomam decisões (por qual lado ir) e aprendem com a experiência, o que equivale a arquivar informações e esquemas cognitivos no cérebro sob a forma de representações simbólicas. Mas é pouco provável que criem mentalmente situações que não existem – os animais não são bons ficcionistas. Menos provável ainda é que acreditem naquilo que imaginaram, confundindo realidade objetiva com representação simbólica. Pois é isso que faz um neurótico.
Embora estejamos falando de uma patologia, no âmbito da saúde mental o limite entre normalidade e distúrbio não é questão de presença ou ausência de sintomas, mas de gradação. Todo mundo tem momentos de melancolia; o que caracteriza a depressão é a frequência e intensidade desse estado de espírito.
O desenvolvimento da linguagem nos permitiu um salto evolutivo em relação às demais espécies porque tornou possível o “pensamento desconectado”. O termo, criado por neurocientistas, indica a capacidade de concebermos mentalmente situações passadas, futuras ou hipotéticas, por mais fantasiosas ou absurdas que sejam – em resumo, desconectadas da realidade efetiva, do aqui e agora.
É o que nos permite fazer abstrações e aplicar a novas situações um esquema abstrato deduzido de outras situações análogas, anteriormente experimentadas. Esse pensamento é chamado What-If Thought (pensamento “e-se…?”). Diante de uma ocorrência qualquer, somos capazes de formular perguntas e hipóteses do tipo: “O que aconteceria se…?”, “E se eu fizesse isso em vez daquilo?”.
Essa habilidade de visualizar prospectivamente o desenrolar de uma situação é o que nos permite criar de projetos de engenharia a romances policiais. Mas, na neurose, o pensamento desconectado formula cenários um pouco diferentes, algo como: “Será que isso vai acontecer? E se acontecer?”. Combinado a uma baixa autoestima, que leva o indivíduo a crer no pior, esse padrão de pensamento supervaloriza a exceção, num misto de fatalismo e pessimismo.
Código artificial
Portanto, há uma distância entre as coisas em si e o significado que damos a elas. Até porque as coisas em si não têm significado; a ideia de que algo significa (isto é, representa, substitui) algo só é concebível por uma cabeça pensante. Só seres complexos como nós são capazes de perceber e, a seguir, conceber o mundo (pedras não veem nem ouvem, muito menos criam representações da realidade). Se nossa percepção já é falha, dadas as limitações da biologia, nossas concepções são ainda piores, já que resultam não só do uso de um sistema de símbolos criados por nós mesmos, mas da interferência de nossas experiências e vivências, o que inclui os valores culturais introjetados em nossa formação sem que tenhamos consciência.
Como diria Platão, vivemos no interior de uma caverna e tudo o que vemos são vultos da realidade exterior projetados na parede. A diferença é que, para ele, habitamos o mundo das coisas, mas a Verdade está no mundo das ideias, ao qual só se chega pelo pensamento. Já para a ciência moderna, vivemos no mundo das ideias – isto é, de signos, linguagem –, e a verdade, inatingível em si, está nas coisas. O que gera a neurose, a alucinação, a loucura é a crença de que os signos são as coisas.

29.5.13

Alguns termos em latim

Best seller = LIBER MAXIME DIVENDITVS

Fã = ADMIRATORES STVDIOSISSIMI

Camelô = VENDITOR CLANDESTINUS

Babá = INFANTÁRIA

Criança mimada = PVER INDVLGENTIA DEPRAVATVS

Paquerar = AMOR LEVIS

Cachorro quente = PASTILLVM BOTELLO FARTVM

Droga = MEDICAMENTVM STVPEFACTIVVM

18.8.11

Dei o sangue

Todo mundo é meio Poliana quando se fala em doar sangue, até porque é uma coisa importante e tem que incentivar mesmo, e não assustar, mas como eu sou do contra...

Não vou fazer campanha contra, óbvio, só falar um pouco da parte chata, que não é nada muito grave mas, como é tabu, é bom falar até mesmo porque vai que alguém "da área" cai de para-quedas aqui e o que eu vou dizer possa melhorar o atendimento ao doador e, consequentemente, estimular doações.

O problema mais óbvio é o tratamento durante a entrevista inicial, com um médico, que eles chamam de triagem. Além de te picar com uma agulhinha pra saber se você é sangue bom e de te pesar, rolam altas perguntas constrangedoras que são feitas mecanicamente, sem nenhum tato, o que certamente não é fácil para timídos e doadores iniciantes. Em todas as vezes que eu doei/tentei doar os médicos demonstraram, no mínimo, impaciência.

Outra coisa que observo são enfermeiras manuseando as agulhas e outros instrumentos, fazendo tudo enfim, sem luvas. Cadê a preocupação com infecção hospitalar? Eu pelo menos fico inseguro, e olhe que tô longe de ser hipocondríaco (noiado talvez).

Por falar em mim, hoje pela primeira vez fiz doação por aférese, que separa só um componente do sangue (no meu caso, plaquetas) e o resto é devolvido pro seu corpo. Por isso tu leva duas picadas, uma em cada braço, e o processo dura cerca de oito vezes mais que uma doação comum. Vocês não imaginam como é cansativo ficar mais de uma hora apertando uma bolinha de borracha pra bombear o sangue. Além disso, cheguei a ficar levemente tonto. Quem diz que doar (especialmente por aférese) é 100% tranquilo está mentindo. Por uma boa causa, mas tá.

Mas além de fazer uma boa ação e aquela coisa toda que vocês já sabem, doar sangue tem a vantagem , por exemplo, de você descobrir se tem Aids. :)

Quem quiser conhecer a história do Felipe, que me motivou a essa doação, e o Doe Sangue PB, taqui.

4.9.10

Fênix

Finalmente a TV Cidade João Pessoa, canal 8 da Net, voltou a exibir programação própria (documentários, programetes e trechos dos shows que a prefeitura promove. Hoje de manhã vi um doc sobre Jackson do Pandeiro e pedaços das apresentações de Pitty e Jorge Ben. Claro que isso tem a ver com as eleições, já que a TV, onde estagiei entre 2007 e 2008, é da prefeitura. Mas era um absurdo que, tendo sede, equipamentos e funcionários pagos por nós, praticamente ela só existisse como uma registradora de eventos. Que sobreviva à outubro, enfim, porque tem coisa boa pra mostrar; material que uma TV comercial nunca se interessaria em produzir.

2.4.10

Obs.:

As desinências são as mesmas; menos a 3a p. pl. dos verbos atemáticos, que é -σαν (emprestada do aoristo sigmático); nos verbos atemáticos ativos há alternância longa/breve, singular/plural no radical do imperfeito, com ditongação das 1a, 2a e 3a p. do sing. em εδιδουν, εδιδους, εδιδου.