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17.3.11

Boca maldita

Era agosto de 2010. O Jornal Nacional exibiu uma reportagem sobre os problemas que o silêncio (sim, ele mesmo) estava causando no trânsito japonês. É uma pena que, no vídeo abaixo, tenha sido cortado o comentário de Fátima Bernardes, com risinho sarcástico nos lábios, após a matéria:

"É, CADA PAÍS COM SEUS PROBLEMAS..."

Alguém mais viu o JN nesse dia e não me deixa mentir?



2.10.10

No quadro "Clássicos do Futebol" do "Loucos por Futebol", da ESPN, apresentado por Roberto Porto, tomei conhecimento de um "causo real" que surprende até quem está acostumado com as histórias com selo "Coisas que só acontecem com o Botafogo". E também dá ideia do quanto essa tradição de bizarrices vem de longe.

Mesmo quem nunca leu "Os Sertões", ou só estudou a obra por meio de um "resumão" pra passar no vestibular, conhece a história do triângulo amoroso que culminou na morte do jornalista-escritor, graças à minissérie "Desejo".

O que eu não sabia (ou não lembrava) é que Euclides da Cunha Filho, em circunstâncias muito parecidas, também foi morto pelo algoz do pai, sete anos depois. Bom, o próprio Porto conta a história melhor que eu.

Lá é revelada a trágica história do zagueiro (e goleiro!) do alvinegro, Dinorah de Assis, o irmão para quem acabou sobrando uma bala de Euclides, que teve sérios problemas de saúde e acabou se suicidando num rio.

O que o pesquisador não relata no blog (mas falou no programa) é que a coisa tomou uma proporção tal que a antipatia a Dilermando atingiu o próprio Botafogo, que passou vários anos proibido de jogar no estado de São Paulo!

Quanto a Dilermando, apesar de ter sido baleado várias vezes, nos dois atentados, sobreviveu e foi absolvido em ambos. Ana Sólon da Cunha viveu até o fim com o homem que matou seu marido e filho. O casal morreu no mesmo ano, 1951.

4.9.10

Fênix

Finalmente a TV Cidade João Pessoa, canal 8 da Net, voltou a exibir programação própria (documentários, programetes e trechos dos shows que a prefeitura promove. Hoje de manhã vi um doc sobre Jackson do Pandeiro e pedaços das apresentações de Pitty e Jorge Ben. Claro que isso tem a ver com as eleições, já que a TV, onde estagiei entre 2007 e 2008, é da prefeitura. Mas era um absurdo que, tendo sede, equipamentos e funcionários pagos por nós, praticamente ela só existisse como uma registradora de eventos. Que sobreviva à outubro, enfim, porque tem coisa boa pra mostrar; material que uma TV comercial nunca se interessaria em produzir.

11.3.10

Marcelo Dourado vai ganhar o BBB 10.

Popular, não vai se candidatar a nada nessas eleições porque não se filiou a um partido político antes de outubro do ano passado.

Vai fundar ou participar de uma ONG ou projeto social.

Professor de artes marciais, vai dar aulas para crianças e jovens da periferia porque, como todos sabemos, o esporte pode desviar os jovens do daminho das drogas e da bandidagem.

Dirá que nunca se candidatará a cargo político.

Filiar-se-á, no entanto, a uma legenda de direita, porque os amigos e pessoas que o param na rua insistirão, o que o sensibilizará.

Candidatar-se-á a um cargo legislativo em 2012.

26.11.08

Da série "Nunca achei que fosse viver pra ver isso"




Logo mais às 22h, horário de Brasília, o Inter de Porto Alegre enfrenta o Estudiantes, da Argentina, pela final da Copa Sulamericana, segundo torneio mais importante do continente.

A Globo resolveu transmitir a partida apenas para Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os brasileiros que não são do Sul irão assistir "Match Point".

Os executivos da emissora apostam que o filme dará mais audiência do que o jogo daria. Ou seja, Woody Allen é povão.

29.8.08





Hoje é dia de luto. Vai ao ar às 20h30 a última edição do Re-Corte Cultural, uma das melhores coisas que surgiram na TV brasileira nos últimos tempos, sem dúvida.

O programa comandado pelo apresentator Michel Melamed é a mais recente vítima da reformulação da TV Brasil. Mudança que começou logo com o nome, saiu o pejorativo "educativa" e foi adicionado esse Brasil, indicando, claro, como esse governo é plural. Um país de todos, uma TV de todos?

Querem deixar a emissora popular, na marra, mas desprezam o fato de quem quer ver TV comercial vai ver TV comercial! Antes do Re-corte, dançaram o "Espaço Público" e o "Cadernos de Cinema". O primeiro, um programa de debates; o segundo tinha um deabte após a exibição de um longa nacional. "Debate", essa palavra que deve soar tão mal aos ouvidos dessa galera que assumiu a TV quanto "educativo".

Sinto que em vez de se popularizar, a TV Brasil corre o risco de perder é o público que tinha, que se acostumou à um canal modesto-porém-honesto, e não conseguir atrair uma nova audiência.

O Re-corte, além de elogiado por Deus e Dedéu, conseguiu criar e manter um público fiel. Do contrário 422 pessoas não se preocupariam em ler este modesto ensaio...

21.1.07

Na última quarta assisti na TVE o documentário “Mandinga em Manhattan – Como a capoeira conquistou o mundo”, representante da Bahia no projeto Doc TV. Este se trata de uma parceria das TVs educativas com produtores independentes, financiado pelo Ministério da Cultura, que promove a realização de documentários em todos os estados do Brasil.
O documentário dos baianos explora as controvérsias sobre o surgimento da capoeira, a cisão que resultou nos estilos angola e regional, conta a história de mestres lendários como Bimba e Pastinha etc.
Na minha opinião, eles exageram um pouco no bairrismo e dão uma idéia de que a capoeira nasceu (só) na Bahia e de lá se espalhou pro Brasil e pro mundo. Para o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, o Rio de Janeiro também merece ser considerado um dos berços da luta. Soares analisou documentos do século XIX para escrever “A capoeira escrava e outras tradições rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850)”.
O período não foi escolhido por acaso. Em 1808 o Rio recebeu a família real lusa com sua comitiva de mais de 15 mil pessoas. Essa elite temia que aqui ocorresse uma revolta de escravos como a do Haiti, em 1791. Daí os capoeiristas terem sido duramente reprimidos.
Mas qual o motivo de os baianos requererem a capoeira como sua? Tudo indica que o fato de Salvador não ser o centro do poder contribuiu para que lá a repressão tenha sido mais branda, e por isso a capoeira pôde ser levada à frente com algum fôlego. Maurício Barros de Castro, que fez a reportagem “Mestres da roda”, para a National Geographic (junho de 2006), não me deixa mentir: “A repressão no Rio de Janeiro desterrou a maioria deles para a prisão em Fernando de Noronha. Na Bahia, contudo, a lei não foi levada com tanta consideração”.
A capoeira só deixou de ser crime em 1937, na onda do nacionalismo populista de Vargas. No mesmo ano, Bimba fundou em Salvador o Centro de Cultura Física e Capoeira Regional. Aí sim, ninguém mais segurou a capoeira.
O foco de “Mandinga em Manhattan” está na internacionalização da dança e no seu caráter diplomático. Mestre João Grande está há 40 anos em Nova Iorque e não fala inglês. Seus mais de 200 alunos primeiro precisam aprender português pra depois poderem lutar e cantar. Não são poucos os entrevistados estrangeiros que falam em português fluente. Muitos quiseram conhecer o Brasil depois que entraram na roda.
Legal. Mas enquanto via o programa e como a capoeira vem sendo exportada, também fiquei refletindo o quanto ela está sem prestígio, um tanto fora de moda, aqui dentro.
Ao mesmo tempo em que exportamos cultura, importamos muito mais. Vide o Hip Hop, que da noite para o dia virou a “legítima forma de expressão da periferia”. Isso me incomoda. É como se antes do Rap não existisse cultura negra no Brasil. Uma das coisas que eu não gosto em Diamante de Sangue (e não são poucas) é que os guerrilheiros sempre escutam Rap americano enquanto usam drogas e mutilam inocentes. Esse pessoal acha que todos os negros do mundo gostam de Rap. Podem até não saber disso ainda, mas gostam. Me lembra aquela época em que a indústria cultural fez todo mundo acreditar que só era jovem quem gostasse de rock.
O samba desceu do morro e parece que pra lá não volta mais, o funk é alienado, D2 se vendeu e só sobrou MV Bill e seus asseclas com cara de mau. Os que defendem o Rap engajado fazem questão de se diferenciar dos colegas americanos que aparecem na MTV falando sobre carrões e mulheres. Essa galera acredita realmente que as letras das músicas e os grafites de protesto vão melhorar a sociedade. Sou mais a malemolência de D2 ou as letras bem-humoradas e inteligentes do injustiçado Gabriel O Pensador do que essa cambada de chatos.
O negócio é que esse pessoal é muito bom de marketing. O grafite ganhou as grifes e tá até na abertura de Malhação. Não que eu não goste de tudo na cultura Hip Hop. Beat Box é legal, por exemplo. Também há grafiteiros que são artistas de mão cheia, como Os Gêmeos, paulistanos conhecidos internacionalmente e cujas obras de engajadas não têm nada. O que me deixa cabreiro é a monocultura do Hip Hop e do caráter de salvador de pátria do qual ele vem gozando. Uma coisa é deixar de ser tachado de coisa de bandido, O.K., outra coisa é virar a salvação da humanidade. Talvez os americanos desencanados é que estejam certos. “Mudar o mundo? Eu quero é beber champanhe e andar com umas gostosas na minha limusine”.
Enquanto os gringos se encantam com a capoeira, aqui ela anda esquecida. Já um negócio sem graça como break, tem um monte de gente fazendo. Sei não. Só pode ter gente ganhando dinheiro com isso.