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14.1.15

O Pasquim era foda



Ziraldo vai à casa de Wolinski conversar com ele e o chama de burguês - ofensa equivalente a chamar de filho da puta em 1975 - e este o alfineta de volta. Isso que era entrevista, hoje só tem armazém de secos e molhados.



Ziraldo: Você é essencialmente um desenhista de contestação. Como é que você concilia isso com sua vida extremamente burguesa que eu percebo aqui em sua casa? A ideia que eu tinha de você é que você era um malucão, entende? Um cara largadão. Sim, porque vocês fazem um humor violentíssimo. Não deixam pedra sobre pedra.

Wolinski: Não é verdade. Possivelmente você não lê sempre e com profundidade o Charlie Hebdo.

Ziraldo: Vai falando que eu estou ouvindo. Vai ver, o negócio é mais ou menos por aí mesmo. Ou será que não é?

http://www.memoriaviva.com.br/arquivos/pasquim298_wolinski_marco1975.pdf



22.11.14




Reaprender a paquerar. Lembre-se: alguém até pode vir até você, mas tu não é Cantareira pra aguentar três meses de seca, é? Então, não esqueça: um combo de olhar + sorriso malicioso é mais promissor que match no Tinder. Abrir a porta do carro e mandar flores não são itens obrigatórios; ligar no dia seguinte, sim. Dar presentes fofos. Dar teus pulos, mas dar três. Reaprender a namorar. Limpar a gota de ketchup que caiu na coxa dela com a língua. Putaria no cinema. E no ônibus. Viajar junto, sim! Viajar junto! Compartilhar o fone de ouvido. Romance. Romance. Entender que nem sempre dá pra dar duas. Entender que nem sempre dá pra dar uma. D-R. Aguente: não queria estar preso por vontade? Pazes e – eita – três seguidas. Ler pra ela a passagem que achou interessante no livro que folheia na livraria. Romance. Dar presentes safados. Putaria. Ciúme. Viajar junto. Selfie pro instagram. D-R. Outra D-R. Reaprender a paquerar.




13.11.14



É impressão minha ou
É impressão minha
É impressão
É



3.11.14



Por que(m) chora a passageira do avião?
O preço da passagem
A lembrança da massagem
O que não é passageiro
Ou a tristeza extrema
Que não cabe no poema
De Gullar?

Por que(m) chora a passageira do avião?
O leite derramado?
A saudade do amado
Qual gilete na jugular?

Por que(m) chora a passageira do avião?
Não se ria
Mas quem diria
É só o novo Almodóvar

Na mini televisão.



2.9.14



Às vezes, sai de sintonia - sem razão aparente.
Temos controle sobre o que queremos ouvir - até certo ponto.
Somos pegos de surpresa - para o bem e para o mal.
Imprevisível, quase indomável – ainda bem.


A vida vem em ondas – como o rádio.



26.4.14

                                          Candelária

                                          Bancários

Em O Engenheiro, João Cabral de Melo Neto compara a cidade a um jornal. Fiquei com esse poema na cabeça desde que o conheci, coisa de um ano atrás. Esse trecho em especial, talvez porque previa que não tardaria e a minha "cidade diária" seria outra.

Não tem um dia em que eu não pare alguns minutos para espiar a rua, seja através de janelas ou da varanda. A rua e seus infinitos e imprevisíveis enredos, protagonizados pelos personagens que passam, a pé, de carro, com cachorro - ou, como eu, espiam.

Sim, porque por mais que eu goste de vistas, de profundidade de campo, a rua não teria graça nenhuma sem pessoas.

Assim, o jornal que João Pessoa me entregava era o de um bairro em crescimento. Todo dia um prédio começa a surgir. De dois ou três andares, quase sem exceção. Mas nem todos residenciais: ali a nova igreja católica, um pouco mais longe um novo shopping. Bairro "familiar" o Bancários. Você põe o pé fora de casa e ainda vê pessoas! Tomando uma no bar, levando o filho na escola. Gente, vida. A minha (família), continua ali.

O jornal da Candelária, aqui em Natown, me diz coisas diferentes. Os prédios têm bem mais de três andares e em vez de igreja, a nova arena da Copa dá as caras no horizonte. A impressão é a de um entorno mais desenvolvido, "acabado", não há tantos terrenos baldios. Mas também não há tanta gente na rua. Não chega nem perto da vibração do Bancários. Se for pra comprar com um bairro pessoense, diria que Candelária se assemelha a Miramar. Não chego, porém, a mirar o mar, mas um pedacinho do Parque das Dunas. Melhor que nada.

Mudar foi uma decisão difícil. Mas pesou a ideia de que, em se tendo opção, por que não variar o cardápio informativo? Sem falar que, como diz Cátia de França (que aliás já musicou João Cabral), é da natureza recomeçar.

10.7.13

A religião no Censo 2010

O Rio de Janeiro, onde acontece este mês a Jornada Mundial da Juventude, é o estado menos católico do Brasil (45,8% da população). Já Rondônia é o mais evangélico (33,89%). O Piauí é o mais católico (85,1%) e o menos evangélico (9,7%).

29.5.13

Alguns termos em latim

Best seller = LIBER MAXIME DIVENDITVS

Fã = ADMIRATORES STVDIOSISSIMI

Camelô = VENDITOR CLANDESTINUS

Babá = INFANTÁRIA

Criança mimada = PVER INDVLGENTIA DEPRAVATVS

Paquerar = AMOR LEVIS

Cachorro quente = PASTILLVM BOTELLO FARTVM

Droga = MEDICAMENTVM STVPEFACTIVVM

1.11.12

Carniceiro


Nasci em São Mamede. E como todos que nascem em São Mamede eu

Trabalhava em minhas Memórias quando o telefone tocou. Um trabalho, enfim. Um siamês chamado Carniceiro sumira. Como sempre fazia, antes de iniciar toda investigação complexa fui consultar Pai Gouveia, o pai-de-santo.

Um parêntese. Pai Gouveia não quer mais me atender, só porque lhe atrasei alguns pagamentos. Preciso falar a verdade: nunca paguei a Pai Gouveia. Não sei mais onde ele atende, Pai Gouveia é discreto, não precisa de publicidade. Pai Gouveia é outra história. Mas sei quem deve saber onde posso encontrá-lo: Juliana. Pai Gouveia vai me dar o serviço. Sem Pai Gouveia não tem Carniceiro e sem o gato não tem comida no prato.

Juliana é uma dona que andei pegando e resolveu pôr fim ao nosso relacionamento de sete anos e dois meses só porque me sustentava e achava que tinha direito a passar mais tempo comigo. Mais do que as três horas por semana. Mas sou um profissional. Pelo trabalho eu passo por cima do meu orgulho.

Juliana tem o péssimo hábito de não atender ligação a cobrar. Moro tão longe que preciso pegar dois ônibus para comprar um cartão de orelhão. Considero que, depois de três dias, já estava bom de fazer uma refeição e resolvo almoçar no restaurante popular, que cobra R$ 1. Boa, Lula.



Juliana sabe do Pai Gouveia, mas não quer me dar o endereço por telefone, tem que ser pessoalmente.

Tudo na vida tem consequência. O almoço no Centro me deixou sem dinheiro para pegar ônibus e fico esperando, espiando um cobrador com cara de banana para poder dar o ninja. Sou obrigado, agora que o golpe da Manassés não cola mais.

Triiiim. Abre a porta e vai logo me perguntando o senhor da última vez levou daqui uma toalha e um rolo de papel higiênico? Porra, Juliana, boa tarde pra você também. Depois de me obrigar a fazer amor por vinte e duas horas seguidas consigo sair de lá com o que queria. E um pacote de mariola oculto na pochete.

Já sei como chegar a Pai Gouveia. Mas preciso anranjar um disfarce muito bom para que ele me dê a informação que preciso. Ou pedir para alguém perguntar por mim. Mas quem ainda me faria um favor? A quem eu não devo ou nunca roubei? Juliana poderia quebrar mais este galho. Mas pode ser que ela não aceite outro pagamento na única moeda que disponho para oferecê-la. Sem falar no meu orgulho ferido pelo pé na bunda depois de oito anos e cinco meses. Bah. E se eu conseguisse um adiantamento? Será que alguém que batiza um siamês de Carniceiro confiaria neste detetive? Não está fácil pra ninguém. Fecha parêntese.

27.8.12

entrepromessas

Quedo-me c'uma dúvida
Quiçá seja de mais gente
Não sei se vou ser feliz
Ou se vou seguir em frente

14.6.12

Fui pesquisar no Google "Como agir em caso de ataque zumbi" e enquanto digitava apareceu como sugestão "Como agir na primeira vez".

Por aí vocês tiram o que anda na cabeça dessa galerinha.

Post Scriptum: Saber o motivo de eu pesquisar sobre ameaças zumbis não vem ao caso.

9.3.12

Um clássico de LFV

Pôquer interminável
(extraído de "O Analista de Bagé")
Cinco jogadores em volta de uma mesa. Muita fumaça. Toca a campainha da porta. Um dos jogadores começa a se levantar.
Jogador 1 - Onde é que você vai ? Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Jogador 2 - Bateram na porta. Eu vou abrir.
Jogador 1 - A sua mulher não pode abrir ?
Jogador 2 - A minha mulher saiu de casa. Levou os filhos e foi pra casa da mãe dela.
Jogador 1 - Sua mulher abandonou você só por causa de um joguinho de pôquer ?
Jogador 2 - É que nós estamos jogando há duas semanas.
Jogador 1 - E daí ?
Jogador 2 - Ela disse: "Ou os seus amigos saem, ou eu saio".
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
(A campainha toca outra vez. O dono da casa vai abrir, sob o olhar de suspeita dos outros. É um garoto. O garoto se dirige ao Jogador 1.)
Garoto - A mãe mandou perguntar se o senhor vai voltar pra casa.
Jogador 1 - Quem é a sua mãe ?
Garoto - Ué. A minha mãe é a sua mulher.
Jogador 1 - Ah. Aquela. Diz que agora eu não posso sair.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Garoto - Eu trouxe uma merenda para o senhor.
Jogador 3 - Epa. O golpe do sanduíche. Mostra !
Jogador 5 - Vê se não tem uma seqüência dentro.
Jogador 1 - Não tem nada. Só mortadela.
Garoto - A mamãe também mandou pedir dinheiro.
(Todos os jogadores cobrem suas fichas.)
Todos - Ninguém dá. Ninguém dá.
Jogador 1 - Diz pra sua mãe que eu estou com um four de ases na mão. Como ninguém vai ser louco de querer ver, a mesa é minha e nós estamos ricos.
Jogador 4 - Se você tem um four de ases então tem sete ases no baralho, por que eu tenho trinca.
Jogador 1 - Diz pra sua mãe que o cachorrão falhou.
(Toca o telefone. O dono da casa se levanta para atender.)
Jogador 3 - Mas o quê ? Não se joga mais ? Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
(Apesar dos protestos, o dono da casa vai atender o telefone. Volta.)
Jogador 2 - Era a mulher do Ramiro dizendo que o nenê já vai nascer.
Jogador 4 - Meu filho vai nascer. Tenho que ir lá.
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Jogador 4 - Mas é o meu filho.
Jogador 3 - Você vai pro batizado. Quem é que joga ?
Pôquer Interminável (II)
Cinco jogadores em volta de uma mesa de pôquer. A fumaça é de três semanas. Batem na porta.
Jogador 1 - Vai abrir a porta, ó mulher!
Jogador 2 - Espera aí. Você está gritando com a minha mulher. Quer sair no braço?
Todos - Ninguém sai. Ninguém sai.
Jogador 2 - Com a minha mulher, grito eu. Vai abrir a porta, ó mulher
(Quem chega é uma senhora que se dirige a um dos jogadores.)
Senhora - Vitinho...
Jogador 3 - Mamãe...
Senhora - Há três semanas que você não sai dessa mesa, Vitinho!
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Senhora - Eu trouxe uma camisa pra você trocar...
Jogador 4 - Epa. Examina a camisa. O golpe da mãe é conhecido. Já vi mãe trazer camisa com seqüência fechada.
(Vitinho veste a camisa depois de mostrar que não tem nada escondido. O jogador 5 se levanta.)
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Jogador 5 - Mas eu vou ao banheiro.
Jogador 1 - Outra vez?
Jogador 5 - A última vez que eu fui faz dois dias!
Jogador 1 - Pois então. Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Senhora - Vitinho, eu também trouxe um bolo.
Jogador 1 - Epa.
Os outros - Epa. Epa.
Jogador 2 - Jjá vi muito bolo de mãe com recheio de três valetes.
(Abrem o bolo para examinar.)
Senhora - Quando é que você vai sair desse jogo, Vitor?
Jogador 1 - Ninguém sai. Só a mãe.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Jogador 2 - Vamos jogar. De quanto é o bolo?
Jogador 4 - não dá pra ver. tem pedaço de bolo em cima.
Jogador 1 - Agora essa. Tem bolo no bolo. Vocês estão me saindo...
Os outros - ninguém sai. ninguém sai.
Pôquer Interminável (III)
Cinco homens em volta de uma mesa de pôquer. Não se enxerga quase nada através da fumaça de um mês.
Jogador 1 - Espera um pouquinho. Cadê meu sanduíche?
Jogador 2 - Você não tinha jogado o sanduíche?
Jogador 1 - E sanduíche é ficha?
Jogador 2 - Estava no meio da mesa e eu peguei.
Jogador 3 - Esperem. Quem ganhou a última mesa fui eu. O sanduíche é meu.
Jogador 4 - Desse jeito nós vamos ficar aqui a vida inteira.
Jogador 3 - A vida inteira eu não posso.
Jogador 2 - Só porque você está ganhando?
Jogador 3 - Em 82 vai ter a Copa do Mundo na televisão e eu vou ver.
Jogador 1 - Ninguém vai.
Os outros - Ninguém vai. Ninguém vai.
(Toca o telefone. O Jogador 3 vai atender. Volta.)
Jogador 2 - Quem era?
Jogador 3 - Minha mulher. Nossa casa está prendendo fogo.
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
(Entra uma mulher na sala. Dirige-se a um dos jogadores.)
Mulher - Preciso de dinheiro.
Todos (tapando as fichas) - Ninguém dá. Ninguém dá.
Jogador 1 - Quem é que deixou essa mulher entrar?
Mulher - Como, quem é que deixou entrar? A casa é minha. Se alguém tem que sair, são vocês.
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Jogador 3 - O que é isso?
Jogador 2 - É a porta. Eu vou abrir.
Jogador 1 - Epa.
Os outros - Epa. Epa.
Jogador 1 - Eu conheço o golpe da porta. Vai abrir com um par de nove e volta com um four de damas. Deixa as cartas.
(O Jogador 2 vai abrir a porta. Volta cercado por três homens.)
Jogador 2 - É a polícia.
Jogador 1 - Bota o seis no baralho que vão entrar mais três.
Jogador 3 - Não é melhor sair alguém?
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.

21.2.12

Linguagens, códigos e suas tecnologias

Sempre foi esquisita. Quando desconfiava de mim pedia para ler o meu pé esquerdo - nunca o direito, que seria sonso. Assim a quiromante de membros inferiores descobria minhas puladas de cerca. Maldito pé esquerdo.

Ao que se seguia longas brigas sermões DR eu vou te deixar eu vou te deixar eu sempre fui fiel você não me dá valor

A ironia é que quem a deixou fui eu. Porém, um dia, uns três anos depois, sonhei com ela e senti saudades. Liguei. O número já não era dela. Escrevi. Nada. Insisti, disse que ela podia me mandar tomar no cu, catarse ruim era melhor que catarse nenhuma. E aí veio a resposta.

Nenhuma palavra.

Mas imagens, sim.

Isabel mantinha um diário em forma de história em quadrinhos. Sem texto, só datas. Pornografia em aquarela. Descobri que me traía semanalmente, religiosamente. Como a filha da puta pôde me esconder tanto tempo que desenhava tão bem?

15.2.12

Assim como os matemáticos são, entre os acadêmicos, os tipos mais interessantes, os enxadristas constituem o grupo mais excêntrico entre os desportistas. A paulista Katherine tem 12 anos e é autora de um alfabeto. Nas horas vagas trucida adversários com seus bispos de âmbar. Famoso por seus truques, o russo Vassily Tamchuk achou por bem aprender turco. O andaluz Vallejo alterna 24 horas de sono com 96 de vigília. O norueguês Carlsen não come pizza com queijo.

Quem joga xadrez em altíssimo nível costuma ser competitivo ao extremo. Diz-se que estão sempre a andar sobre uma corda bamba sobre o precipício da loucura. O letão Aaron Nimzowitsch, ao antever uma derrota, subiu na mesa e gritou: "Como posso perder para um idiota como este?"

2.9.11

"Sabrina não saía da minha casa. Trouxe uma mala com coisas, roupas, discos de Tim Maia. Comecei a ficar com raiva dela, com raiva do Tim Maia, mas mesmo assim fodíamos fodíamos, maldito banco, malditas notas novinhas saídas fresquinhas da Casa da Moeda. Eu sabia a hora em que Sabrina chegava e antes dela chegar eu pegava o retrato de Paula e tocava duas punhetas para eu poder broxar na cama e ela se decepcionar comigo e largar do meu pé. Mas Sabrina tinha maneiras de fazer o meu pau ficar duro e lá íamos nós, aquela loucura. E eu era obrigado a tomar vitaminas, que Sabrina me empurrava goela baixo, e mingau de aveia e pó de guaraná e uma outra beberagem de ervas que ela preparava na cozinha.

(...)

E fodemos fodemos fodemos no dia seguinte a tarde inteira e todos os dias da semana, a tarde inteira, e na sexta-feira ela disse que só ia me ver na segunda e perguntou se com as outras mulheres eu também era assim. Eu não era bobo e dei a palavra de honra que não nunca havia acontecido aquilo comigo, era ela que fazia aquilo acontecer, eu gostava dela, amava ela e estava apaixonado por ela, gostava dela como uma criança gosta de sorvete de chocolate e amava ela como uma mãe ama o filho e estava loucamente apaixonado por ela e por isso eu fodia ela como um tigre fode uma onça. E a gente ria nos intervalos e comia sanduíche de queijo quente com coca-cola e eu não estava mentindo, com as outras mulheres era um mero rebote das notas da Casa da Moeda estalando, mas com Paula era paixão. Doía elevava inspirava sangrava."

Isso é Rubem Fonseca, gente.

16.1.10

As pessoas seriam ainda mais bitoladas se não tivesse sido inventado o bloqueio a MSN, Orkut e afins no trabalho. Algum sociólogo visionário poderia fazer um estudo sério dos efeitos desse bloqueio para a Intelligentsia nacional (quiçá mundial).

No antediluviano 2003, quando estagiário do Sebrae, a falta do que fazer me levou a apelar pra leitura de jornais e foi assim que descobri os textos de Braulio Tavares no Jornal da Paraíba. Braulio publica essas colunas em seu blog, o qual ainda vai ser tombado como patrimônio cultural da humanidade.

Agora mais uma vez me vejo impedido de usar MSN, Orkut e afins e a saída é uma ronda pelos portais, como o R7, criado pela Record/Universal pra ser concorrente-gêmeo do G1. Ali descobri André Forastieri, que, soube depois, já foi da Set, editou a Bizz e atualmente aposta numa revista (de cinema, oh!) chamada Movie.

O primeiro post do cara que li comentava (e elogiava) Retalhos. Forastieri me convenceu não só a seguir lendo-o como a comprar a Graphic Novel - e não me arrependi, apesar de não ser (oficialmente) adolescente.

Em dezembro Papai Noel me trouxe, junto com a Piauí, um texto muito engraçado de André Czernobai, mais conhecido como Cardoso, uma minicelebridade da rede. Adivinha? Aproveitei as horas de ócio aqui no trampo pra fuçar os textos desse jornalista gaúcho até no nome (seu sobrenome se pronuncia "tchêrnobái").

E nessa eu cheguei até Gonzojornalismo: o filho bastardo do New Journalism , segundo seu autor a primeira monografia do país sobre o estilo criado por Hunter Thompson*. O texto é surpreendentemente leve, o que me lembrou algo que minha amiga Elisa falou sobre os trabalhos acadêmicos da Antropologia (a área dela), que, ao contrário da fama, seriam leituras agradáveis.

E é bom ler o trabalho do Capsdoso, principalmente pra quem se interesse por jornalismo e literatura.

Duvidam? Então talvez este trecho abra o apetite:

"A justificativa mais plausível para o uso de drogas no Gonzo Journalism nos remete ao legado deixado por Hunter Thompson, que abusava abertamente de álcool e drogas em grande quantidade e variedade. Logo nas primeiras páginas de Fear and Loathing in Las Vegas, ele descreve todo o material de trabalho que levava no porta-malas do carro:

Nós tínhamos duas bolsas de fumo, setenta e cinco botões de mescalina, cinco cartelas de ácido extremamente potente, um saleiro cheio até a metade de cocaína e toda uma galáxia de multi-coloridos estimulantes, tranquilizantes, gritantes, hilariantes... e também um quarto de tequila, um quarto de rum, uma caixa de Budweiser, cerca de um litro de éter e duas dúzias de nitrito de amila (1971, p.4)"

• Thompson escreveu Fear and Loathing in Las Vegas, que virou filme com Johnny Depp. O Gonzojornalismo é uma faceta do jornalismo literário em que o repórter/escritor se coloca como protagonista e não só como observador/registrador dos eventos. É uma radicalização do Novo Jornalismo. "Maiores informações" na Wikipédia ou comigo.