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23.1.08

Se este fosse um país sério...

...os autores/intérpretes e quem se dispusesse a gravar/executar uma 'canção' como a abaixo transcrita seriam mortos a pedradas em plena praça, com o perdão do trocadilho mas não da justiça.

Eu iria além: quem gosta da mesma devia ter a mesma sorte.


Dormi na Praça
Bruno e Marrone


Composição: Fatima Leão / Elias Muniz

Caminhei sozinho
Pela rua
Falei com as estrelas
E com a lua
Deitei no banco da praça
Tentando te esquecer
Adormeci e sonhei com você...

No sonho, você veio
Provocante
Me deu um beijo doce
E me abraçou
E bem na hora "H"
No ponto alto do amor
Já era dia
O guarda me acordou...

Seu guarda
Eu não sou vagabundo
Eu não sou delinquente
Sou um cara carente
Eu dormi na praça
Pensando nela
Seu guarda
Seja meu amigo
Me bata, me prenda
Faça tudo comigo
Mas não me deixe
Ficar sem ela...


O final é a minha parte favorita. Primeiro, o eu-lírico pede que o guarda "faça tudo" com ele, o prenda, para em seguida implorar que ele o deixe ficar com amada.
Ora, até com um Q.I. de Forrest Gump dá pra perceber a contradição: uma vez preso, como ele poderia desfrutar do amor da companheira?

Haja nonsense.

18.1.08

Amanhã estréia o programa que eu ajudei a produzir.
Mais informações aqui.
100 +

16.1.08

Vagabundo? Metódico? Gênio?
Esse cara impôs para si uma curiosa missão: em três anos, escutar todos os álbuns citados no livro "1001 discos pra ouvir antes de morrer". No blog, contagem regressiva, comentários e links para baixar os discos.

Você não precisa ler o resto do post. Vá logo comentar ou fazer outra coisa.


Parte enche-lingüiça do post: dia desses tava no PC e escutando a TV, que deixei ligada, quando de repente um portuga dando uma entrevista me chama a atenção. Vou ver quem é o coroa e descubro que se tratava de um rapaz de seus 30 anos, o que me levou a constatar que português inapelavelmente fala como velho, pode ser Cristiano Ronaldo ou Manoel de Oliveira.


Dica cultural.

3.1.08

Paraíba, capital Paraíba

Sessão Especial discute mudança no nome da Capital

A sessão especial para debater a mudança do nome da Capital paraibana, realizada na manhã desta quinta-feira, 29, na Câmara Municipal, foi prestigiada por autoridades e população. Com as galerias e demais dependências da Câmara lotadas, a sessão foi presidida pelo vereador Fuba e teve a participação dos vereadores Tavinho Santos (PTB), Padre Adelino (PSB) e Paula Frassinete (PSB).
A sessão contou também com a participação do presidente do Instituto de Genealogia e Heráldica da Paraíba, João Abelardo Lins; do presidente da Ong Padre Mestre João do Rego, José Flávio da Silva; membros do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba (IHGP); além de professores, estudantes e estudiosos do assunto.
O arcebispo da Paraíba, dom Aldo Pagotto, não pôde comparecer ao avento, mas enviou correspondência ao vereador Flávio Eduardo Fuba (PSB), autor do requerimento de realização da sessão, apoiando o debate que prevê o retorno do nome Parahyba em substituição à designação João Pessoa.
Na carta enviada a Fuba, dom Aldo Pagotto lamenta não estar presente à sessão especial. No entanto, o arcebispo dá uma contribuição ao debate informando o que muita gente não havia prestado atenção: apesar da mudança do nome, em 1930, a Igreja Católica no estado decidiu manter o nome 'Paraíba' como denominação da circunscrição eclesiástica, que corresponde a Arquidiocese da Paraíba e não Arquidiocese de João Pessoa.


Fonte: http://www.cmjp.pb.gov.br

Não votei em Fuba nem esperava muita coisa dele. Mas sua atuação parlamentar vem me agradando. Não sei que projetos propostos por ele foram aprovados, mas o simples fato de ele levantar discussões como essa já são dignas de elogios. Casas legislativas são espaços para debates, mas nem sempre é o que vemos. A Assembléia Legislativa vive conferindo votos de aplauso e homenagens de mérito duvidoso, como a entrega do título de cidadão paraibano a Collor, por exemplo.
Outra de Fuba que deu o maior bafafá foi a idéia de estabelecer uma cota mínima obrigatória de música local na programação das rádios. Não pegou porque a legislação que rege a radiodifusão é federal... Bom, pelo menos serviu para se discutir o tema.
Agora é a vez do nome da cidade. Eu sou a favor da mudança. Mas mesmo que fosse contra, eu apoiaria o debate, por esclarecer à grande parte da população as circunstâncias em que se deu a mudança de "Paraíba" pra "João Pessoa". Muita gente acha que sempre foi "João Pessoa". Outros nem sabem quem foi o sujeito.
Se houvesse um plebiscito, por exemplo, o assunto ganharia de vez os meios de comunicação e as pessoas estariam aptas a refletir se a figura do então presidente da província e seu trágico fim justificam tamanha honra. Mais ou menos como o plebiscito sobre o sistema de governo de 1992, que ensinou o povo o que era monarquia e parlamentarismo.
Conhecendo a nossa história, o cidadão comum (esse Homer Simpson de que fala William Bonner) poderia se perguntar: "Se o governador fosse assassinado hoje e uma semana depois houvesse uma sessão na Assembléia para mudar o nome da capital para 'Cássio Cunha Lima', eu apoiaria?"

Em tempo: uma enquete realizada pelo site O Informativo sugere que a opção pela mudança do nome, pelo menos entre os mais instruídos, ganha de lavada da permanência de "João Pessoa".

25.12.07

Julgando que a guerra se decidiria fatalmente a favor de Hitler, Jean deu um jeito de se esconder no Normandie. A partir do momento em que deixasse o porto, o destino do navio seria o seu destino. Nada poderia ser pior do que morrer lambendo botas de nazistas.
O azar e o susto de ser descoberto logo após deixar Marselha foram logo superados pela alegria de constatar que o capitão, ao invés de mandá-lo andar na prancha, lhe arranjaria uma decente acomodação, com a condição de realizar pequenas tarefas que o marujo neófito tiraria de letra.
Martin, um velho e solitário lobo do mar, desses bem comuns na literatura barata, ainda o convidou para jantar em sua cabine. Mais do que os queijos e os vinhos, Jean gostou de saber que o navio iria para a América.
- Brasil?
- Não. Haiti.
- É perto do Brasil?
- Hum... fica um pouco mais ao Norte. Passaremos por Belém. Você pode desembarcar lá, se quiser.
Era muito mais do que o rapaz pedira a Deus: um país sem guerras, ensolarado e ainda a oportunidade de conhecer a Amazônia! Iria conhecer os índios de rabo de macaco! As tribos de descendentes de naúgrafos piratas!..
Como não era besta, Jean logo descobriu como um jovem que concentrava diversos adjetivos, dos cabelos loiros aos olhos azuis, da lábia ao vestir-se impecável, além do simples fato de ser europeu, podia viver confortavelmente da generosidade das balzaquianas locais. Bonitas, feias, magras, gordinhas, solteiras, casadas, viúvas... um detalhe em comum: dinheiro.
Mas aquela vida, acreditem, não satisfazia Jean. Cafés, passeios, teatros e a pequenez de espírito das donzelas provincianas o entediavam profundamente. A rotina era por demais enfadonha para o Indiana Jones francês. Foi aí que começaram as explorações.
Certa vez, Jean caminhou duas semanas dentro da floresta, sobre um mapa imaginário, a ver se descobria uma mulher que vivia com um gorila. Não imaginem o trabalho para convencer o imigrante da ausência de gorilas na Amazônia. Não podia admitir, na fantasia gaulesa, que um vale de gigantes como aquele, um leito de mundos, não abrigasse gorilas...
Não podia ver um arco, uma flecha, um vaso marajoara, sem comprar. Seu quarto de hotel era um museu. Araras, urnas funerárias, bordunas, colares de dentes de onças e até cabeças mumificadas vindas do Peru amazônico.
Com o tempo, acabou por descobrir que tudo era falso. As urnas jamais tinham sido o repositório de um índio morto, mas saíram da indústria de índios muito vivos, num bairro de Belém. Os colares azuis, verdes, amarelos, onde se penduravam caninos de hipotéticos guerreiros autóctones, não passavam de apanhados de dentes de macacos submetidos, em vida, a esse processo extrativo altamente rendoso.
A mais grave decepção de sua aventura verde ele teve ao consultar um índio, nos arredores de Gurupá. Queria saber em que tempo a gaiola fluvial levaria até Belterra. O índio entrou na maloca e saiu de lá com uma espécie de Guia 4 rodas.
- Nessa geringonça - disse o silvícola, num português irrepreensível - o cavalheiro só chega lá depois de amanhã. Se preferir, o distinto pode passar a noite num hotel perto daqui. Amanhã passa um Baby-Clipper da Panair, da qual sou representante, que deixará o senhor em seu destino em 45 minutos.

*Esse texto não seria escrito sem a ajuda do Google e O Cruzeiro

19.12.07

"Uma pessoa que não é educada, quando perde o emprego, vai pedir a Deus pra arranjar trabalho. Uma pessoa que é educada, faz um currículo." Palavras do sociólogo Alberto Carlos Almeida, autor de "A cabeça do brasileiro", que este blogueiro ouviu em uma entrevista com o autor na TV Senado. O livro de Almeida é o mais discutido dos últimos tempos no país. Quase um "Tropa de Elite" literário.
Muita gente não sabe o que é CPMF. Paga e não sabe. Ou nem paga, mas acha que é errado, simplesmente porque é mais um imposto. E se é imposto, não pode ser bom. "Só serve pra encher os bolsos dos políticos mesmo".
É bastante provável que a maioria dos brasileiros não percebam que a mesma oposição que agora bloqueou a prorrogação do tributo foi a mesma que aprovou a sua criação no governo FHC. O mesmo governo que tirou a maior parte da sua arrecadação da saúde, de onde, como queria Adib Jatene, nunca devia ter saído. Agora, mesmo com a promessa, expressa em carta por Lula no dia da votação, de que os 40 bi iriam integralmente para a saúde, tucanos e democratas permaneceram irredutíveis em sua decisão de enterrar a CPMF.
O Datafolha publicou pesquisa nesse mesmo fatídico dia que mostrava um aumento da popularidade do presidente. Com PAC disso e daquilo, crescimento econômico, programas de assistência social, transposição do São Francisco e ainda um plus de 40 bilhões em caixa, seria difícil Lula não eleger seu sucessor. Não é só o lobby de quem queria deixar de pagar a insonegável CPMF: PSDB e PFL vetaram o imposto, sem dúvida alguma, com um olho em 2010.
Mas isso passa despercebido. O tom geral de quem acompanhou essa novela pela TV reproduz a (o)posição demotucana. CPMF é imposto; e imposto é ruim.
Educação é ter consciência pra julgar o que é melhor: acabar com um imposto que eu não pago (ou pago muito pouco) ou um respiro no sistema de saúde pública - esse, sim, a maioria da população usa; enquanto que poucos (mas muito influentes) pagam uma bolada de CPMF.