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1.9.12

"A ciência e a tecnologia seriam usadas como se, a exemplo do sábado, tivessem sido feitas para o homem, e não (como no presente e ainda mais no Admirável Mundo Novo) como se o homem tivesse de ser adaptado e escravizado a elas.

Essa revolução verdadeiramente revolucionária deverá ser realizada não no mundo exterior, mas sim na alma e na carne dos seres humanos.

Um Estado totalitário verdadeiramente eficiente seria aquele em que os chefes políticos de um Poder Executivo todo-poderoso e seu exército de administradores controlassem uma população de escravos que não tivessem de ser coagidos porque amariam sua servidão. Fazer com que eles a amem é a tarefa confiada, nos Estados totalitários de hoje, aos ministérios de propaganda, diretores de jornais e professores."

27.8.12

entrepromessas

Quedo-me c'uma dúvida
Quiçá seja de mais gente
Não sei se vou ser feliz
Ou se vou seguir em frente

5.7.12

Questão Christie

“Os apedidos dos jornais fervilham de poemas indignados e de advertências como esta, assinada por O Capitão Reformado: 'Maldição de Deus a todo o brasileiro que comprar gêneros ingleses. Maldição de Deus a todo o brasileiro que vender víveres à esquadra inglesa'." 


“Gonçalves Dias, residindo então na Alemanha, fica indignado com a arrogância britânica e sugere 'que se rasgue na rua a casaca do brasileiro que trouxer um objeto de fabricação inglesa'. Para o poeta, porém, não basta essa satisfação ao amor próprio. Era preciso que o país rompesse as relações diplomáticas com seu agressor, para sempre: 'Fique em boa hora essa semente de ódio para o futuro: nem sempre seremos o que somos, nem eles o que são, e da Inglaterra tudo é preferível à sua amizade.'


Fonte: A vida literária no Brasil durante o Romantismo, Ubiratan Machado 

14.6.12

Fui pesquisar no Google "Como agir em caso de ataque zumbi" e enquanto digitava apareceu como sugestão "Como agir na primeira vez".

Por aí vocês tiram o que anda na cabeça dessa galerinha.

Post Scriptum: Saber o motivo de eu pesquisar sobre ameaças zumbis não vem ao caso.

25.5.12



“Naquele dia tentamos mudar o mundo, mas ele não quis acordo.”



“Mil voltas dadas na cama e o sono sem aparecer.”



“Ele era feio, ela era feia, mas juntos formavam um belo casal.”



“Se ele não tivesse acreditado tanto, não teria quebrado a cara.”



“Brincando com a arma do pai, o irmãozinho, sem saber, ao disparar contra o outro, matou com uma única bala todos os sonhos de uma família feliz.”



“Tudo seria diferente se ele não estivesse lá.”



“Aquele policial racista acabou morto por uma arma branca.”



“Procura-se uma pessoa sem nome, sem documento e que ainda não nasceu. Quem vir, avise.”



“Olhei. Admirei. Pensei. Vi um céu tão lindo e Azul, que esconde tanta tristeza. E que a ameaça a luz.”



“Deixava suas contas atrasarem mesmo com o relógio adiantado em cinco minutos.”



“Seus risos eram escondidos. Dores insanas.”



“Eu via a cena, mas não sabia se estava participando.”



A qualidade dos microcontos acima - em uns mais, em outros menos - é evidente. Observe também a variedade. Tem politicamente correto, tragédia, exercícios de síntese, lição de moral, lirismo e até fantástico.

O que poderá ser surpresa é que essas produções são de alunos meus de EJA (Educação de Jovens e Adultos), de uma escola estadual da periferia. Perfil: entre 18 anos e a terceira idade, tiveram de interromper os estudos e agora correm atrás do prejuízo ou, mesmo, só entraram numa sala de aula já adultos.

São estudantes que têm algumas dificuldades, óbvio, e por isso alguns apelidam o EJA de “Eles Jamais Aprenderão”. Mas o que esses microcontos me ensinaram é que, com um empurrãozinho de nada, a literatura pode brotar em qualquer lugar.

9.3.12

Um clássico de LFV

Pôquer interminável
(extraído de "O Analista de Bagé")
Cinco jogadores em volta de uma mesa. Muita fumaça. Toca a campainha da porta. Um dos jogadores começa a se levantar.
Jogador 1 - Onde é que você vai ? Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Jogador 2 - Bateram na porta. Eu vou abrir.
Jogador 1 - A sua mulher não pode abrir ?
Jogador 2 - A minha mulher saiu de casa. Levou os filhos e foi pra casa da mãe dela.
Jogador 1 - Sua mulher abandonou você só por causa de um joguinho de pôquer ?
Jogador 2 - É que nós estamos jogando há duas semanas.
Jogador 1 - E daí ?
Jogador 2 - Ela disse: "Ou os seus amigos saem, ou eu saio".
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
(A campainha toca outra vez. O dono da casa vai abrir, sob o olhar de suspeita dos outros. É um garoto. O garoto se dirige ao Jogador 1.)
Garoto - A mãe mandou perguntar se o senhor vai voltar pra casa.
Jogador 1 - Quem é a sua mãe ?
Garoto - Ué. A minha mãe é a sua mulher.
Jogador 1 - Ah. Aquela. Diz que agora eu não posso sair.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Garoto - Eu trouxe uma merenda para o senhor.
Jogador 3 - Epa. O golpe do sanduíche. Mostra !
Jogador 5 - Vê se não tem uma seqüência dentro.
Jogador 1 - Não tem nada. Só mortadela.
Garoto - A mamãe também mandou pedir dinheiro.
(Todos os jogadores cobrem suas fichas.)
Todos - Ninguém dá. Ninguém dá.
Jogador 1 - Diz pra sua mãe que eu estou com um four de ases na mão. Como ninguém vai ser louco de querer ver, a mesa é minha e nós estamos ricos.
Jogador 4 - Se você tem um four de ases então tem sete ases no baralho, por que eu tenho trinca.
Jogador 1 - Diz pra sua mãe que o cachorrão falhou.
(Toca o telefone. O dono da casa se levanta para atender.)
Jogador 3 - Mas o quê ? Não se joga mais ? Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
(Apesar dos protestos, o dono da casa vai atender o telefone. Volta.)
Jogador 2 - Era a mulher do Ramiro dizendo que o nenê já vai nascer.
Jogador 4 - Meu filho vai nascer. Tenho que ir lá.
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Jogador 4 - Mas é o meu filho.
Jogador 3 - Você vai pro batizado. Quem é que joga ?
Pôquer Interminável (II)
Cinco jogadores em volta de uma mesa de pôquer. A fumaça é de três semanas. Batem na porta.
Jogador 1 - Vai abrir a porta, ó mulher!
Jogador 2 - Espera aí. Você está gritando com a minha mulher. Quer sair no braço?
Todos - Ninguém sai. Ninguém sai.
Jogador 2 - Com a minha mulher, grito eu. Vai abrir a porta, ó mulher
(Quem chega é uma senhora que se dirige a um dos jogadores.)
Senhora - Vitinho...
Jogador 3 - Mamãe...
Senhora - Há três semanas que você não sai dessa mesa, Vitinho!
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Senhora - Eu trouxe uma camisa pra você trocar...
Jogador 4 - Epa. Examina a camisa. O golpe da mãe é conhecido. Já vi mãe trazer camisa com seqüência fechada.
(Vitinho veste a camisa depois de mostrar que não tem nada escondido. O jogador 5 se levanta.)
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Jogador 5 - Mas eu vou ao banheiro.
Jogador 1 - Outra vez?
Jogador 5 - A última vez que eu fui faz dois dias!
Jogador 1 - Pois então. Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Senhora - Vitinho, eu também trouxe um bolo.
Jogador 1 - Epa.
Os outros - Epa. Epa.
Jogador 2 - Jjá vi muito bolo de mãe com recheio de três valetes.
(Abrem o bolo para examinar.)
Senhora - Quando é que você vai sair desse jogo, Vitor?
Jogador 1 - Ninguém sai. Só a mãe.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Jogador 2 - Vamos jogar. De quanto é o bolo?
Jogador 4 - não dá pra ver. tem pedaço de bolo em cima.
Jogador 1 - Agora essa. Tem bolo no bolo. Vocês estão me saindo...
Os outros - ninguém sai. ninguém sai.
Pôquer Interminável (III)
Cinco homens em volta de uma mesa de pôquer. Não se enxerga quase nada através da fumaça de um mês.
Jogador 1 - Espera um pouquinho. Cadê meu sanduíche?
Jogador 2 - Você não tinha jogado o sanduíche?
Jogador 1 - E sanduíche é ficha?
Jogador 2 - Estava no meio da mesa e eu peguei.
Jogador 3 - Esperem. Quem ganhou a última mesa fui eu. O sanduíche é meu.
Jogador 4 - Desse jeito nós vamos ficar aqui a vida inteira.
Jogador 3 - A vida inteira eu não posso.
Jogador 2 - Só porque você está ganhando?
Jogador 3 - Em 82 vai ter a Copa do Mundo na televisão e eu vou ver.
Jogador 1 - Ninguém vai.
Os outros - Ninguém vai. Ninguém vai.
(Toca o telefone. O Jogador 3 vai atender. Volta.)
Jogador 2 - Quem era?
Jogador 3 - Minha mulher. Nossa casa está prendendo fogo.
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
(Entra uma mulher na sala. Dirige-se a um dos jogadores.)
Mulher - Preciso de dinheiro.
Todos (tapando as fichas) - Ninguém dá. Ninguém dá.
Jogador 1 - Quem é que deixou essa mulher entrar?
Mulher - Como, quem é que deixou entrar? A casa é minha. Se alguém tem que sair, são vocês.
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.
Jogador 3 - O que é isso?
Jogador 2 - É a porta. Eu vou abrir.
Jogador 1 - Epa.
Os outros - Epa. Epa.
Jogador 1 - Eu conheço o golpe da porta. Vai abrir com um par de nove e volta com um four de damas. Deixa as cartas.
(O Jogador 2 vai abrir a porta. Volta cercado por três homens.)
Jogador 2 - É a polícia.
Jogador 1 - Bota o seis no baralho que vão entrar mais três.
Jogador 3 - Não é melhor sair alguém?
Jogador 1 - Ninguém sai.
Os outros - Ninguém sai. Ninguém sai.

1.3.12



Apesar das suspensões, contusão e epidemia de diarreia, o Paraíba de Cajazeiras, estreante na primeira divisão, derrotou o Treze, atual campeão estadual. O outro campinense, o Campinense, atual líder, foi vencido em casa pelo Sousa. Fechando o trio de sertanejos, o Nacional de Patos derrotou o último invicto do torneio, o Botafogo, em pleno Almeidão. Onde na arquibancada um torcedor contando cerca de 7 anos gritava "Expulsa! Expulsa!" e uma coleguinha da mesma idade, ao lado, berrava "Vá tomar no cu! NO CU!"

Isso é o campeonato paraibano.