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5.3.13

"As famílias dizem: 'Isso passa!' Não. Os bate-bocas não passam, e repito: - Num casal, os bate-bocas ficam enterrados, na carne e na alma, como sapos de macumba."

Nelson Rodrigues

19.2.13

Segundo o DataBoca, subsistem três locadoras de vídeo em João Pessoa, das quais duas, pelo menos, estão moribundas, se desfazendo de seu espólio.

Estive numa destas, e conversei rapidamente com os donos. Descobri que eles ainda estavam planejando a venda dos DVDs, e fiquei com a sensação que a decisão de encerrar os trabalhos está sendo amarga para aquelas pessoas. "Não dá pra concorrer com a pirataria."

A conclusão é tardia. Até que durou muito, pensei. Dá dó, sim, mas os antigos donos de cinemas "de bairro" devem ter tido a mesma sensação, poucas décadas atrás, quando surgiu o novo negócio que foi o ganha-pão daquela família por mais de vinte anos: as videolocadoras.

Não querer aceitar o fim do hábito de alugar filmes, culpando piratas ou baixadores, é não entender que as relações de consumo mudam. Diziam que o VHS iria acabar com o cinema. Não acabou, as salas apenas foram para os shoppings e o hábito de ver filmes em tela grande ficou um tanto mais elitizado (como tende a ficar ver jogos em estádios). Já os downloads e a pirataria, ao contrário, estão popularizando o acesso à "sétima arte".

Os meios passam, os filmes ficam.

10.12.12

Saiu uma nova fornada de microcontos dos meus alunos:



“Sempre correu demais, o que adiantou seu funeral.”

“Viveu, sorriu, se atirou do 5º andar. Era livre.”

“Quando o dia ainda não é dia, o galo fica a esperar.”

“Acordei tarde. O Sol estava se pondo. Tenho uma vida inteira pela frente.”

“A sogra era tão teimosa que morreu depois da esperança.”

“Todos a veem sorrindo, mas não sabem o que ela sente.”

“Aprendi a ter paciência por chegar rápido demais onde jamais quis ir.”



E este, que tá mais prum poema concreto:






Mais informações sobre essa atividade didática aqui.
E este



1.11.12

Carniceiro


Nasci em São Mamede. E como todos que nascem em São Mamede eu

Trabalhava em minhas Memórias quando o telefone tocou. Um trabalho, enfim. Um siamês chamado Carniceiro sumira. Como sempre fazia, antes de iniciar toda investigação complexa fui consultar Pai Gouveia, o pai-de-santo.

Um parêntese. Pai Gouveia não quer mais me atender, só porque lhe atrasei alguns pagamentos. Preciso falar a verdade: nunca paguei a Pai Gouveia. Não sei mais onde ele atende, Pai Gouveia é discreto, não precisa de publicidade. Pai Gouveia é outra história. Mas sei quem deve saber onde posso encontrá-lo: Juliana. Pai Gouveia vai me dar o serviço. Sem Pai Gouveia não tem Carniceiro e sem o gato não tem comida no prato.

Juliana é uma dona que andei pegando e resolveu pôr fim ao nosso relacionamento de sete anos e dois meses só porque me sustentava e achava que tinha direito a passar mais tempo comigo. Mais do que as três horas por semana. Mas sou um profissional. Pelo trabalho eu passo por cima do meu orgulho.

Juliana tem o péssimo hábito de não atender ligação a cobrar. Moro tão longe que preciso pegar dois ônibus para comprar um cartão de orelhão. Considero que, depois de três dias, já estava bom de fazer uma refeição e resolvo almoçar no restaurante popular, que cobra R$ 1. Boa, Lula.



Juliana sabe do Pai Gouveia, mas não quer me dar o endereço por telefone, tem que ser pessoalmente.

Tudo na vida tem consequência. O almoço no Centro me deixou sem dinheiro para pegar ônibus e fico esperando, espiando um cobrador com cara de banana para poder dar o ninja. Sou obrigado, agora que o golpe da Manassés não cola mais.

Triiiim. Abre a porta e vai logo me perguntando o senhor da última vez levou daqui uma toalha e um rolo de papel higiênico? Porra, Juliana, boa tarde pra você também. Depois de me obrigar a fazer amor por vinte e duas horas seguidas consigo sair de lá com o que queria. E um pacote de mariola oculto na pochete.

Já sei como chegar a Pai Gouveia. Mas preciso anranjar um disfarce muito bom para que ele me dê a informação que preciso. Ou pedir para alguém perguntar por mim. Mas quem ainda me faria um favor? A quem eu não devo ou nunca roubei? Juliana poderia quebrar mais este galho. Mas pode ser que ela não aceite outro pagamento na única moeda que disponho para oferecê-la. Sem falar no meu orgulho ferido pelo pé na bunda depois de oito anos e cinco meses. Bah. E se eu conseguisse um adiantamento? Será que alguém que batiza um siamês de Carniceiro confiaria neste detetive? Não está fácil pra ninguém. Fecha parêntese.

13.9.12

Ana de Hollanda mal pisou em Brasília e já foi alvo de polêmicas (a primeira, e mais famosa, foi a questão Creative Commons), mas permaneceu firme no cargo. Daí ela resolve reclamar que o orçamento da cultura é baixo e é demitida.

É como se um filho aprontasse todas e os pais passassem a mão na cabeça dele. Até que ele resolve pedir um aumento de mesada e é expulso de casa.

1.9.12

"A ciência e a tecnologia seriam usadas como se, a exemplo do sábado, tivessem sido feitas para o homem, e não (como no presente e ainda mais no Admirável Mundo Novo) como se o homem tivesse de ser adaptado e escravizado a elas.

Essa revolução verdadeiramente revolucionária deverá ser realizada não no mundo exterior, mas sim na alma e na carne dos seres humanos.

Um Estado totalitário verdadeiramente eficiente seria aquele em que os chefes políticos de um Poder Executivo todo-poderoso e seu exército de administradores controlassem uma população de escravos que não tivessem de ser coagidos porque amariam sua servidão. Fazer com que eles a amem é a tarefa confiada, nos Estados totalitários de hoje, aos ministérios de propaganda, diretores de jornais e professores."