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31.3.07

De três

Num canto escondido da página de esportes saiu uma notinha:

Vera Cruz na final do basquete


O Vera Cruz está na final do campeonato estadual amador de basquete. O curioso é que o time não teve que fazer uma única cesta para conseguir o feito. O adversário, Independência, não tinha cinco jogadores na quadra na hora marcada para o início do jogo, que deveria ter sido às 21h de ontem. O juiz ainda esperou por 15 minutos e após esse prazo declarou o Vera Cruz vencedor por W.O. O técnico do Independência, Aderbal Martins, não quis falar com a reportagem e deixou o ginásio bastante nervoso.

No dia seguinte, Ana Letícia viu que tinha mensagem nova no celular:

to morta n vou trabalhar hj de manha não eu n disse q ele fazia td q eu keria? teve calcinha voando pela janela e tudo
p.s. ha muito mais posições entre o ceu e a terra do q sonha o kama sutra
Evelyne

- O negão passou mal depois da janta e Marcão ainda não voltou do interior. Hoje ninguém pode se machucar. Fazer cinco faltas, então, nem fodendo. Só tem vocês cinco!
Faltavam vinte minutos pro jogo. Mateus, apelidado pelos colegas de “Meteus”, já ia desligar o celular pra não ser incomodado quando chegou um SMS:

kero fazer hj! mas tem q ser agora!
Evelyne

se eu n jogar hj nao tem jogo e o time se fode mais tarde eu passo aih agu

Antes de Mateus terminar de digitar a resposta, chega outro torpedo de Evelyne:

Se não for com vc vai ser com outro

Aderbal diz que é hora de entrar em quadra pro aquecimento e qual não foi a surpresa do treinador quando percebeu que seu cestinha havia tirado o uniforme do glorioso Independência.
Mateus, seco, sem nem olhar pra cara de Aderbal: - Apareceu uma emergência aí.
- Você sabe o que acontece se você não jogar, seu irr
- Ah, vai se foder, Debby, vai se foder.

Uma velhinha com pinta de mendiga viu quando aquele pedaço de pano voador caiu na cesta de lixo no meio da calçada.
- Mas tá novinha! Dá pra usar...
Mas, pra sua infelicaidade, um molecote que passava de bicicleta também presenciou o evento e não contou conversa.
- Me dê isso pra cá, eu vi primeiro!

Evelyne levou trinta segundos pra gozar. 
Na primeira, claro.

20.3.07

Ausência de azar é necessariamente sorte?
Ausência de sorte é necessariamente azar?

Deveria existir uma palavra pra designar o meio-termo entre sorte e azar?

15.3.07

Copiando uma idéia de Lucíola, e aproveitando que não tenho lá muito assunto, vou postar algumas palavras-chaves pelas quais, só nos últimos três dias, internautas incautos acabaram caindo neste recatado blog.
Vocês sabem que com um contador chamado Extreme Tracking dá pra se ter informações sobre todos os que visitam seu site, do sistema operacional à cidade da figura, além do caminho que ela percorreu até chegar no seu blog, não sabem? Pois sim.

Sem mais delongas:

"EU QUERO APREDER ALGUNS APELIDOS CARINHOSOS"
"foto ginoide"
"GINÓIDE solução
"Boquete salvador 2007"
"MULHERES INDEPENDENTES traem?"
"MUITO MACHO"
"saites de videos terroristas"
"realdoll fotos"
"exemplos brincadeiras corpo Aprender portugues"
"FOTO DO MAIOR PEITO SILICONADO DO BRASIL"
"o que a angelina gosta na cama"


E vejam só: eu disse apenas nos últimos três dias!

12.3.07

Da série: "Histórias Extraordinárias de Paradas de Ônibus"

Tá, não é novidade que este blog nunca foi de acolher relatórios do que acontece na minha vida. Nada contra quem o faz, mas simplesmente porque acho que a minha vida não tem graça nenhuma. Ou pelo menos eu não vejo graça. Então prefiro falar de outras coisas.
Mas aconteceu uma coisa que me obriga a fugir à regra. Se o que eu vou contar a vocês não merecer virar post, eu não sei mais o que merece virar post. Aí vai.

Ontem fez uma semana. Estava eu naquela parada ali no começo da Epitácio. Meia noite. Chovendo.
De repente vejo uma mulher a uns 20 metros de onde eu tô, se abaixando. Na chuva. A princípio não dou importância. Acho que ela está ajeitando o sapato ou coisa assim. Mas depois eu percebo que ela tá é colecionando piolas de cigarro atiradas no chão.
Na chuva.
Estranho?
Vocês não viram nada.

A mulher vem em minha direção. Percebo que ela tá de olhos fechados. Ela pára a uns 4 metros de onde estou e começa a fazer um movimento circular com os braços. Tipo uma prece. E os olhos fechados. Na chuva.
As piolas de cigarro na mão.

Agora ela está na minha frente. Abre os olhos. Abre também a mão e me mostra as piolas como esperando que eu dissesse alguma coisa.
Eu tinha duas alternativas: me fazer de doido ou me fazer de mudo.
Opto pela segunda. Mas pensam que acaba aí?

- Eu venci. Você também vai vencer!
Ela diz isso e depois me dá um abraço.
Sim, ela me deu um abraço.
E logo em seguida o que eu vejo?

O ônibus.
E com ele a melhor parte.

Eu finalmente sou obrigado a dizer alguma coisa.
- É o meu ônibus!
E ela tenta me segurar e começa a gritar:
- Não! É o João Agripino! É o João Agripino!
- Não! É esse mesmo, eu vou pro Bancários...

Finalmente eu consigo me livrar dela e subo no 2515 salvador. Lá de dentro, ainda escuto ela gritar: "Cumpri minha missão!"

Não acreditava em bruxas, mas que elas existem, existem.

P.S. Coincidência ou não, foi nessa noite que rolou o tal eclipse lunar.

8.2.07

O lado B d'A conquista da honra

Você achou que aquele monte de navios apontando pra Iwo Jima era um exagero pra causar impacto? Camarada, aí vão os dados: em 19 de fevereiro de 1945 (último ano da segunda guerra), nada menos que 880 navios americanos despejaram 110 mil fuzileiros navais na ilha japonesa. Na resistência, 22 mil japoneses. Eu estou falando de 110 mil marines contra 22 mil nipônicos. E a brincadeira ainda durou 35 dias. Tudo isso numa ilha minúscula, importante estrategicamente por abrigar duas pistas de vôo de onde partiam caças do imperador.
Sem mais delongas, o saldo da história: 6891 americanos mortos (embora o filme faça parecer mais, não?). O número de feridos já é um pouco mais significativo: 18 070. Japoneses? Sobraram 212 vivos. Isso mesmo: só 1% dos que defenderam Iwo Jima ficou vivo pra contar a história.
Por falar em contar história, o filme que é vendido como "a visão japonesa da batalha", Cartas de Iwo Jima, a estrear este mês, é baseado na correspondência que o general responsável pela defesa da ilha, Tadamichi Kuribayashi, mantinha com sua família. Um desses relatos: "A batalha está chegando ao fim. Ante a coragem dos oficiais e homens sob meu comando, até os deuses chorariam diante de tanta bravura".
Já "A conquista", como vocês devem saber, é baseado no livro escrito pelo filho de John "Doc" Bradley, um dos três "heróis" da famoso foto (e do filme). O nome do livro (e do filme) é "Flags of our fathers". A versão brasileira acompanha o nome que a película ganhou nos países latinos: "La conquista del honor".O escritor vira personagem e narrador no filme. E suas aparições fazendo entrevistas me lembraram o personagem de Dráuzio Varela em Carandiru, vivido por Luiz Carlos Vasconcelos.

Mais no Cítricas

4.2.07

The rotten lady

O pequeno Charlie foi nada menos que o 12º filho de Mary Ann Cotton a morrer de uma suposta “febre hepática”. O marido e sua mãe também haviam padecido, supostamente, do mesmo mal. A insólita história atraiu a curiosidade da cética Scotland Yard. “Nesse mato tem coelho”.
A exumação do corpo de um dos infelizes garotos pôs fim ao mistério: arsênico. Daí para a confissão foi um pulo: “Matei todos para ganhar o seguro-enterro dado pela coroa. Ganha-se um bom dinheiro desse jeito. Eu sou uma pobre mulher e não tenho como me sustentar”, justificou-se Mary Ann com ar cínico.
A “dama podre”, como os tablóides britânicos se referiam à Mary Ann, foi enforcada em 1873, aos 41 anos.

E uma história minha virou quadrinho, quem diria? Nepotismo rules.

25.1.07

A Pedra do Reino que vocês não vão ver na Globo

Vocês já devem estar sabendo da minissérie “A Pedra do Reino”, que o diretor de TV (Hoje é dia de Maria) e cinema (Lavoura Arcaica) Luiz Fernando Carvalho gravou em Taperoá, e que será exibida na Globo no meio do ano. Vocês também devem saber que se trata de uma adaptação da obra homônima de Ariano Suassuna, lançada em 1971 e relançada há pouco pela José Olympio.
O romance mistura elementos das culturas ibérica e nordestina com fatos da Revolução de 30. João Suassuna foi o último presidente da província antes de João Pessoa, que representava outro grupo político. No calor que sucedeu a morte de João Pessoa, o pai do escritor acabou sendo assassinado, quando Ariano tinha apenas três anos. Ariano nunca esqueceu o fato. Tanto que, dizem os chegados, até hoje ele evita tocar no assunto. Alguns críticos dizem que escrever a Pedra do Reino foi uma vingança contra o grupo que promoveu a morte de seu pai.
O que provavelmente vocês não conhecem é a verdadeira história da tal Pedra do Reino, uma sangrenta seita sebastianista. A carnificina, que vocês já vão conhecer melhor, inspirou também o romance Pedra Bonita, de Zé Lins.

Num acampamento em pleno sertão pernambucano, 17 homens, de repente, sacam seus facões. Com eles, executam mulheres, crianças e velhos. Outros, num estado de descontrole, seguem o exemplo. Assassinam seus próprios pais, filhos e esposas. Usam o sangue para lambuzar duas torres de pedra, marcos do acampamento. As mesmas pedras servem para quebrar o crânio de crianças. Mais de 200 pessoas são mortas.
É 14 de maio de 1838.
A história da Pedra do Reino começa dois anos antes da chacina, em Vila Bela, comarca de Serra Talhada - a mesma Serra Talhada que deu Lampião ao mundo. Um dia, um rapaz de nome João Antônio Vieira dos Santos afirmou que dom Sebastião habitava um reino encantado perto de um local conhecido como Pedra Bonita. Em suas pregações, angariou dinheiro dos seguidores e montou um acampamento no tal lugar. O Primeiro Reinado da Pedra Bonita, como ficou conhecido, foi marcado por discursos fanáticos e idéias contra o poder e a propriedade privada. As autoridades não gostaram e botaram João Antônio e companhia pra correr.
Dois anos depois, outro homem, João Ferreira, que dizia ter visões de dom Sebastião, assumiu o lugar de João Antônio e continuou a arregimentar pessoas para seu acampamento.
O segundo reinado da Pedra Bonita teve mais de 300 moradores. A vida nele era um tanto bizarra. Os habitantes passavam o dia embriagados e fumavam uma certa erva alucinógena para “entrar” no reino de dom Sebastião. A matança ocorreu pouco após João Ferreira anunciar que, numa visão de dom Sebastião, este afirmava que o sangue dos seguidores o traria de volta. A polícia soube do ocorrido e mandou 60 homens a Pedra Bonita. Houve um enfrentamento entre eles e os seguidores – e mais 22 mortes. O criador da seita João Antônio, acabou morto.

O Sebastianismo é um movimento místico português iniciado no século 16, que pregava que o rei Sebastião, morto numa batalha, voltaria para ocupar o trono. No Brasil, essa idéia foi incorporada no sertão nordestino e inspirou movimentos como o de Canudos.