13.7.09

A Praça da Paz é a praia dos Bancários

A lua começa a esvaziar, mas compensa a parte oculta pela sombra com um brilho incomum. Uns garotos transformam uma garrafa de vinho barato (tão barato que a garrafa é de plástico) em bola. Outros, um pouco mais velhos, escutam o forró (também de plástico, também barato) que sai dos alto-falantes de um carro. Crianças brincam. Duas moças conversam. Casais, vários casais. Um homem corre e sua. Outro homem olha a lua.

15.6.09

De uma matéria autobiográfica na Piauí, de um ex-falsificador de jóias que se tornou professor de filosofia:

"Como nos ensina Santo Agostinho, quase toda virtude se deve à falta de oportunidade para o vício."

1.6.09

O leitor e o imperador

O silêncio era feio e o desespero também. De vez em quando Macunaíma parava pensando na marvada... Que desejo batia nele! Parava tempo. Chorava muito tempo. As lágrimas escorregando pelas faces infantis do herói iam lhe batizar a peitaria cabeluda. Então ele suspirava sacudindo a cabecinha:
- Qual manos! Amor primeiro não tem companheiro, não!...

20.5.09

Terra undívaga

"Muitas vezes, o desejo de fugir à vulgaridade traz como consequência o uso de preciosismos que tanto prejudicam a concisão quanto a própria clareza da frase. Saint-Paul-Roinard disse que o galo era 'um pequeno campanário vermelho bimbalhando pela aurora.' Alexandre Herculano evitou a palavra nádegas mediante o seguinte circunlóquio: 'bombagina estufada de certa porção convexa da carne humana'. O adágio 'aí é que a porca torce o rabo', em virtude das conotações negativas das palavras porca e rabo, passou a ter outra versão na linguagem de Herculano: 'Aí é que certo animal torcia certa parte do corpo que eu e leitor sabemos'. No estilo barroco, caracterizado pela pomposidade, em vez de oceano, escrevia-se terra undívaga onde as quilhas aram'. O vagalume era 'um carbúnculo, diamante vivo com que a noite touca as boninas rústicas dos campos'. Não se dizia ofender, mas "deslustrar o resplendor civil de alguém". Para Frei Lucas de Santa Catarina, o túmulo era o 'arquivo do esquecimento', o cemitério, 'veneranda hospedagem das relíquias dos primeiros da terra'".

16.5.09

A nova estrada

A orientação de ampliar o acesso ao ensino superior gratuito não se restringe à criação de novas universidades ou ampliação das já existentes. Para reunir as instituições que oferecem cursos à distância (EAD), o governo criou a UAB (Universidade Aberta do Brasil).

A UFPB está nessa e faz seu terceiro vestibular no próximo dia 24, com 8.710 candidatos concorrendo a 2.115 vagas. Com a nova leva, a UFPB virtual passará a ter mais de 6 mil alunos, cerca de um quarto do número de alunos convencionais da instituição. Lembrando que o número de cursos oferecidos à distância ainda é reduzido, pois o foco são as áreas que formam professores para a educação básica, ou seja, pedagogia e licenciaturas.

A ideía da UAB é levar a universidade a pequenos municípios que não tenham campi ou ampliar o número de vagas naqueles que já têm (por isso existem pólos em João Pessoa e Campina Grande). A implantação dos pólos se dá de forma similar ao Samu: envolve as três esferas de governo. Daí a importância de um prefeito com boa vontade e visão. Muitos administradores acreditam que investir em saúde é comprar ambulância pra transportar doentes, bem como consideram investimento em educação arranjar um ônibus pra levar os estudantes para estudar nas cidades maiores.

Se entendi bem, a estrutura do pólo é simples: uma sala equipada com computadores ligados à internet. O resto, ou seja, o pagamento de monitores e professores bem como toda a arquitetura do ensino é com a universidade. Por falar em professores, na parte presencial do curso são eles que vão até o aluno, em sua cidade, e não o contrário.

Um fato interessante na UAB é que a expansão das universidades não respeita as fronteiras dos estados a que elas pertencem, o que gera algumas curiosidades. Por exemplo, a pequena Duas Estradas-PB tem um curso de licenciatura em Educação Física oferecido por nada menos que a UnB! Já a UFPB Virtual, além das cidades do interior do estado, tem pólos em Pernambuco, Ceará e até na Bahia.

Caladinho, à margem de discussões que estão sempre nos holofotes, como a das cotas, o EAD cresce e arrebanha entusiastas. Um deles é Claudio de Moura Castro, colaborador da Veja, que escreveu sobre o tema na edição de 15 de abril da revista. Apesar de reconhecer algumas desvantagens ("exige pessoas mais maduras e mais disciplinadas, pois são quatro anos estudando sozinhas"), ele cita o Enade como prova de que o ensino à distância é o futuro: "Em metade dos cursos avaliados, os programas à distância mostram resultados melhores do que os presenciais!" E não para por aí: "Cada vez mais, o presencial se combina com segmentos a distância, com o uso da internet, e-learning, vídeos do tipo YouTube e até o prosaico celular. A educação presencial bolorenta está sendo ameaçada pelas múltiplas combinações do presencial com tecnologia e distância." Será?

19.4.09



(...)

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...

9.4.09

Três motivos pra não assistir a Paixão de Cristo da Prefeitura

1. Em "A Paixão do Menino Deus", a Via Crucis é atualizada pro século XXI e Cristo e sua turma ganham novos nomes. Judas Iscariotes, por exemplo, vira "Juca Carioca".

2. Na versão de Tarcísio Pereira, Emanuel, isto é, Jesus, também opera milagres. No entanto, em vez de verter água em vinho, ele transforma pedra de crack em miolo de pão.

3. O filho de Deus é interpretado pelo Galego de Psicologia.