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22.11.14




Reaprender a paquerar. Lembre-se: alguém até pode vir até você, mas tu não é Cantareira pra aguentar três meses de seca, é? Então, não esqueça: um combo de olhar + sorriso malicioso é mais promissor que match no Tinder. Abrir a porta do carro e mandar flores não são itens obrigatórios; ligar no dia seguinte, sim. Dar presentes fofos. Dar teus pulos, mas dar três. Reaprender a namorar. Limpar a gota de ketchup que caiu na coxa dela com a língua. Putaria no cinema. E no ônibus. Viajar junto, sim! Viajar junto! Compartilhar o fone de ouvido. Romance. Romance. Entender que nem sempre dá pra dar duas. Entender que nem sempre dá pra dar uma. D-R. Aguente: não queria estar preso por vontade? Pazes e – eita – três seguidas. Ler pra ela a passagem que achou interessante no livro que folheia na livraria. Romance. Dar presentes safados. Putaria. Ciúme. Viajar junto. Selfie pro instagram. D-R. Outra D-R. Reaprender a paquerar.




13.11.14



É impressão minha ou
É impressão minha
É impressão
É



3.11.14



Por que(m) chora a passageira do avião?
O preço da passagem
A lembrança da massagem
O que não é passageiro
Ou a tristeza extrema
Que não cabe no poema
De Gullar?

Por que(m) chora a passageira do avião?
O leite derramado?
A saudade do amado
Qual gilete na jugular?

Por que(m) chora a passageira do avião?
Não se ria
Mas quem diria
É só o novo Almodóvar

Na mini televisão.



29.9.14



“Ler é libertar a palavra que estava enclausurada no papel.”

Eu iria além, Wado. Eu diria que "Escrever é libertar a palavra que estava enclausurada no papel."

A única função do escritor/poeta é a de “libertar a palavra”, que já estava lá, em algum lugar, gritando pra sair. Nós escribas não temos muito mérito. Afinal é isso que somos: escribas. A gente só dá um trato, e dá o nome a isso de "linguagem". Mas o poder é todo dela: a Ideia.


Às vezes eu tenho a nítida impressão de que, quando uma ideia quer ser comunicada, ela vai dar um jeito de se libertar. Se ela realmente tiver força, vai se materializar. Seja em uma peça de teatro, poema, carta para um jornal, e-mail para uma ex... (cof! cof! cof!)


2.9.14



Às vezes, sai de sintonia - sem razão aparente.
Temos controle sobre o que queremos ouvir - até certo ponto.
Somos pegos de surpresa - para o bem e para o mal.
Imprevisível, quase indomável – ainda bem.


A vida vem em ondas – como o rádio.



5.8.14

300




Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh! Pirineus! ôh caiçaras!
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!
Abraço no meu leito as milhores palavras,
E os suspiros que dou são violinos alheios;
Eu piso a terra como quem descobre a furto
Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos!
Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
Mas um dia afinal eu toparei comigo...
Tenhamos paciência, andorinhas curtas,
Só o esquecimento é que condensa,
E então minha alma servirá de abrigo.
Mário de Andrade