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31.10.07

Ecoando Umberto

Todo dia, aqui e no Cítricas, desembarcam internautas em busca de material para trabalhos escolares. Depois de putaria, talvez seja a coisa que mais se procure no Google.
Pois bem, hoje eu vou facilitar a sua vida, querido estudante preguiçoso. A lista que se segue é um pequeno manual de redação. A fonte é "Como se faz uma tese", de Umberto Eco. O foco, como o título aponta, são os trabalhos acadêmicos. Mas algumas sugestões valem para textos de outra natureza.

Objetividade: Sempre deixe claro sobre o que ou quem você está falando. Por exemplo, Umberto Eco é italiano, filósofo, teórico da comunicação. Nesta área, escreveu "Apocalípticos e Integrados". Em ficção, é autor do famoso romance "O nome da rosa". Você está escrevendo para a humanidade, e nem toda a raça dos sapiens sapiens tem obrigação de saber quem é Umberto Eco.
Referencialidade: Quando citar o milagre, não deixe de dar o nome do santo. Não diga "O poeta de As Flores do Mal", se antes você não tiver dito o nome do autor. A humanidade não é obrigada a saber quem é Baudelaire. Cuidado com epítetos. Todo mundo sabe quem é "o bom velhinho", mas nem todo mundo reconheceria "o bruxo do Cosme Velho".
Não banque o engraçadinho: As ironias devem ser usadas com cautela. Se for muito sutil, o leitor pode não entender. Se você explicar, pior ainda: o leitor vai achar que você está chamando ele de idiota. E, por vingança, ele vai chamar você de idiota. Quem já viu piada explicada ter graça?
Seja sutil: Cuidado com reticências e exclamações. Se quiser chamar atenção para um ponto, use o seu talento para manipular as informações/conceitos presentes no seu texto, e não apelando pra pontuação.
Impessoalização: Não use "eu", diga "nós". Pro Umbertão, é uma atitude que denota humildade.
Citações desnecessárias: Se a informação for óbvia, não precisa se apoiar em alguém. "Segundo Jesus Martin Barbero, a televisão é um poderoso meio de comunicação em massa". Isso todo mundo sabe. Não use o santo nome de Jesus em vão.

9 comentários:

lygia disse...

Eu adicionaria: só seja engraçadinho se você for escrever um livro não acadêmico e tiver certeza que as piadinhas vão funcionar - o Eco desse livro é cheio delas. Assim, por mais que se critique a objetividade demais de livros assim, é através deles que uns perdidos como Lygia se acham, por isso que "Como escrever..." já está nas minhas bíblias.

mas para trabalhos escolares, infelizmente, existem zilhões de "freeessays.com" e zilhões de professoras que não fuçam a internet, ou, pior, que nem lêem os trabalhos.

eu disse...

lygia, é "como se faz" :P

lygia disse...

já que cometi o erro no msn, cometo aqui...
:P

Breno Barros disse...

Muito interessante, inclusive a piadinha do final. // Você tem visitado a sua comunidade? Me refiro à que você criou sobre Braulio Tavares no orkut. Estão colocando umas coisas massas por lá. Inclusive através dela pude ouvir de novo a música "Balada do andarilho Ramón", que tinha ouvido na TV Cultura num programa tarde na noite, no início dessa semana.n Confere lá.

Chilavert disse...

Não use o santo nome de Jesus em vão.

eheh

Luís disse...

"Pinar" em Natal significa outra coisa, depois tu pergunta a Bá ou a Karlas..

lygia disse...

queira desculpar minha presença no mundo, bruno.
;)

Luís disse...

Eu falei uma vez "pinar" perto de uma potiguar e ela me disse q isso em Natal era o mesmo q dar a bunda.. heheh =p

lygia disse...

tá, foi mal.
realmente não reconheci aquele símbolo como seta.
foi mal twice.
cheiro.