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6.1.12

Leia a declaração, veja o vídeo e tire suas conclusões

Agra é disparado a melhor opção entre os que podem governar a cidade, mas isso não impede de ele fazer/falar uma cagada aqui e ali. A mais recente:

- Eu já havia decidido acabar com os camarotes. Aquele espaço tem o objetivo de proteger o palco em shows com mais de 100 mil pessoas e para receber convidados como Dalmo Dalari que tem 80 anos e o senador Eduardo Suplicy. 


Leia a matéria completa aqui.


O prefeito acha que que um show de Rita Lee em João Pessoa pode ser mais perigoso do que um de Racionais em São Paulo?




Provincianismo é uma merda.

20.11.11

A (falta de) Educação na "Carta Cidadã"

A Constituição de 1988 é um bom reflexo da forma como a Educação e a Cultura são encarados pelo Estado e pela sociedade.

Ambas estão concentradas no Capítulo III: "Da Educação, da Cultura e do Desporto". A Seção I, "Da Educação", tem incisos que aproximam a dita Carta Cidadã de uma peça de ficção, tamanha a carência de objetividade. Exemplos:

(Art. 206) VII - garantia de padrão de qualidade;

(Art 208) V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;

Outros pontos são contraditórios e polêmicos, em relação ao financiamento. A união deve gastar na educação 18% do que arrecada, enquanto os estados e municípios, 25%. O problema é que o artigo 212 fala em "manutenção e desenvolvimento do ensino". Ou seja, por exemplo, a merenda fica de fora. Só que o inciso VII do artigo 208 diz que é dever do Estado assegurar "atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde".

E de onde viriam os recursos?

O § 4o do artigo 212 não é claro: "Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde [...] serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários".


Assim, um prefeito pode alegar que dos 25% que arrecadou não sobrou para comprar merenda, nem tinha "contribuições sociais" suficientes, e aí? No mínimo, enrolado.

O § 1o do artigo 213, por sua vez, deixa margem para "malversação do dinheiro público", ao permitir que recursos públicos possam ser empregados em "bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares na rede pública na localidade de residência do educando, ficando o o poder público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade".

Não sei se é fácil "demonstrar insuficiência de recursos" ou comprovar falta de vaga perto da residência, o que sei é que o que tem de apadrinhado de prefeito do interior pegando carona na lei pra estudar às nossas custas em escola particular é uma festa. Depois não tem merenda, ou tem mas é ruim, e ninguém sabe por quê.

Com relação à Cultura a situação é pior. São dois míseros artigos a integrar a Seção II do Capítulo III. A Cultura ocupa meia página da Constituição brasileira.

E, diferentemente da Educação, não há percentual obrigatório de investimento estatal, apenas: "É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomento à cultura até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, para o financiamento de programas e projetos culturais[...]" (Art.216, § 6o). Ou seja, 0,5% do que os estados arrecadam, opcionais.

Para a Ciência e Tecnologia (Cap. IV), o mesmo tratamento: "É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica." (Art.218, § 5o).











20.10.11

Meninos, ele viu

Rubem Fonseca, once again, sobre a Copa de 50:

"O jogo com a Espanha foi inesquecível. O estádio estava superlotado, como nas outras ocasiões. A Espanha tinha um timaço. Ganhamos por 6 a 1. Quando fizemos o quarto gol, aos onze minutos do segundo tempo, o estádio começou a cantar a marchinha popular "Touradas em Madri". Não demorou muito para que as duzentas mil pessoas (ou mais, consta que houve uma invasão de penetras por um dos portões) começassem a cantar em uníssono: Eu fui às touradas em Madri, pararatibum, bum, bum, pararatibum, bum, bum, e quase não volto mais aqui, pra ver Peri beijar Ceci, pararatibum, bum, bum, pararatibum, bum, bum. Quando a multidão cantava pararatibum, bum, bum, o som era tão estentóreo que o cimento e os vergalhões de ferro das arquibancadas tremiam e vibravam como se fossem se romper. Nunca houve, nem haverá, um coro de vozes tão faustoso, magnificente, pomposo, ruidoso, dantesco, apoteótico, em que centenas de milhares de pessoas empolgadas e felizes cantavam em uníssono, a plenos pulmões, celebrando de maneira fantástica uma vitória. Sou um velho escritor profissional, mas não tenho palavras para descrever aquele momento."

Imagine se tivesse. Vamos à final, contra a Cisplatina:

"Quando o jogo acabou, o silêncio foi profundo, tão estrondoso (perdoem o oxímoro) que doía em nossos ouvidos. Duzentas mil pessoas mudas e surdas. Até os choros eram silenciosos, e as lágrimas escorriam apenas dos olhos dos mais fortes, aqueles que não haviam ficado transidos, estarrecidos e obnubilados com a desgraça que se abatera sobre nós.
O sofrimento do dia 16 de julho de 1950 jamais esquecerei. Para descrever o que senti naquela tarde, vem-me sempre à mente a famosa frase de Conrad, em O coração das trevas: o horror, o horror, o horror." 

2014 está aí.

10.10.11

O povo quer é interagir, em quantidade e em qualidade, e nesse quesito, não dá pra negar, o Facebook deixa o Twitter no chinelo. Falando por experiência própria, eu sou muito mais curtido do que retuitado; recebo muito mais mensagem no mural (ou fora dele) do que menção no Twitter ou DM.

Minha teoria é que o Twitter só não foi engolido ainda pela rede de Mark Zuckerberg por causa dos TTs. Outra coisa que as pessoas adoram é saber o que tá acontecendo no mundo, no seu país e, principalmente, do que seus vizinhos estão falando.

24.9.11

O meu "Viajo porque preciso, volto porque te amo":


Quer saber o verdadeiro motivo dessa viagem? Você. Ou melhor, esquecer você. Aí eu passo por Campina e começo a me lembrar daquela noite em que quebramos a cama e não fizemos mais nada a não ser dar gargalhadas. A imagem de você rindo e tapando a boca com as mãos não me saía da cabeça. Todo esse tempo comigo e nunca deu uma risada sem esconder o sorriso. Soledade, Juazeirinho, Junco do Seridó e começo a subir a serra. Bem quando começa a escurecer. Ver o crepúsculo na serra de Santa Luzia foi demais pra mim. Comecei a chorar, acredita? E sabe há quanto tempo eu não chorava? Aí parei num posto e o frentista álcool ou gasolina, doutor? Álcool. Mas não pro carro, é pra mim mesmo. O que você tem aí de bebida? Agora só tem Dreher, doutor. Manda. E lá vou eu de Santa Luzia até Patos tomando conhaque no gargalo e dirigindo. Você sabe o que é dirigir mais de 40 quilômetros numa rodovia à noite e bêbado? Mas tem mais. Música, pensei, música vai me distrair. Liguei o rádio. Não tinha levado CD. Só pegava uma FM. Sabugi FM, acho que era isso. A Sabugi FM devia tocar Cavaleiros do Forró, Calcinha Preta, Calypso. Ou Luiz Gonzaga. Mas em vez disso tocou Fagner e Zé Ramalho. É sacanagem demais, o caba chorando de dor-de-cotovelo e ter que ouvir Zé Ramalho e Fagner? Mas então cheguei em Patos, vivo e sem ganhar nenhum ponto na carteira. Era noite e a cidade tava movimentadíssima por causa dos turistas. Não se via um carro com placa de lá. E desses carros as músicas que saíam, agora sim, eram de Cavaleiros do Forró, Calcinha Preta e Calypso. Meu Deus, o que porra eu tô fazendo aqui? Visitei alguns parentes rapidamente e inventei uma desculpa pra voltar. Viajei na mesma noite, não passando de 80 por hora, afinal tinha bebido mais da metade daquela garrafa sozinho. Cheguei em casa, a primeira coisa que fiz, não, a primeira foi dormir, a segunda coisa que fiz, com ressaca mais da desilusão do que do Dreher, foi apagar tudo o que me lembrasse você do computador. Tudo. Começando pelo papel de parede. Não ficou uma foto, não ficou um e-mail. Ah, te bloqueei no MSN pra não correr o risco de entrar e você estar on line. E deletei as MP3 de Fagner e Zé Ramalho.




10.9.11

Pílula de genialidade de Anatol Rosenfeld, escrita nos anos 1960 e mais atual do que nunca:

"Aliás, mesmo diante de um fotógrafo despretensioso a pessoa tende a compor-se, tomar uma pose, tornar-se “personagem”; de certa forma passa a ser cópia antecipada da sua própria cópia. Chega a fingir a alegria que deveras sente."

2.9.11

"Sabrina não saía da minha casa. Trouxe uma mala com coisas, roupas, discos de Tim Maia. Comecei a ficar com raiva dela, com raiva do Tim Maia, mas mesmo assim fodíamos fodíamos, maldito banco, malditas notas novinhas saídas fresquinhas da Casa da Moeda. Eu sabia a hora em que Sabrina chegava e antes dela chegar eu pegava o retrato de Paula e tocava duas punhetas para eu poder broxar na cama e ela se decepcionar comigo e largar do meu pé. Mas Sabrina tinha maneiras de fazer o meu pau ficar duro e lá íamos nós, aquela loucura. E eu era obrigado a tomar vitaminas, que Sabrina me empurrava goela baixo, e mingau de aveia e pó de guaraná e uma outra beberagem de ervas que ela preparava na cozinha.

(...)

E fodemos fodemos fodemos no dia seguinte a tarde inteira e todos os dias da semana, a tarde inteira, e na sexta-feira ela disse que só ia me ver na segunda e perguntou se com as outras mulheres eu também era assim. Eu não era bobo e dei a palavra de honra que não nunca havia acontecido aquilo comigo, era ela que fazia aquilo acontecer, eu gostava dela, amava ela e estava apaixonado por ela, gostava dela como uma criança gosta de sorvete de chocolate e amava ela como uma mãe ama o filho e estava loucamente apaixonado por ela e por isso eu fodia ela como um tigre fode uma onça. E a gente ria nos intervalos e comia sanduíche de queijo quente com coca-cola e eu não estava mentindo, com as outras mulheres era um mero rebote das notas da Casa da Moeda estalando, mas com Paula era paixão. Doía elevava inspirava sangrava."

Isso é Rubem Fonseca, gente.